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O mundo precisa das abelhas

Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras

Autores

Elisamara Caldeira do Nascimento
Pós-doutoranda PPG Agricultura Tropical – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
Talita de Santana Matos
Pós-doutoranda PPGA Ciência do Solo – UFRuralRJ
Glaucio da Cruz Genuncio
Professor de Fitotecnia – UFMT
glauciogenuncio@gmail.com
Pedro Guilherme Lemes
Professor de Entomologia Florestal/Apicultura – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
pedroglemes@hotmail.com
Luiz Fernando Mendes
Pesquisador da Emater-MG
luiz.fernando@emater.mg.gov.br
 

Abelhas são polinizadores generalistas muito eficientes, e por isso a polinização comercial é um dos mais importantes produtos da apicultura comercial em todo o mundo. Algumas culturas como o melão, melancia e maçã são altamente dependentes da polinização, podendo apresentar perdas de até 80% sem a polinização das abelhas. A áreas agrícola dependente de polinizadores triplicou nos últimos 50 anos e nossa agricultura está cada vez mais dependente desses polinizadores. Na cultura do café, o uso de abelhas pode aumentar a produtividade em até 30%.

Crédito: Shutterstock

Em ambientes naturais, as abelhas nativas, dentre outros agentes polinizadores, são responsáveis pela reprodução vegetal de diversas famílias da flora, aumentando a produtividade e a variabilidade dos vegetais por meio da polinização cruzada. Seu trabalho é tido como um serviço ecológico-chave para a manutenção e a conservação dos ecossistemas.

Além disso, os polinizadores na agricultura melhoram a produção de mais de 75% de culturas agrícolas importantes mundialmente e influenciam 35% do suprimento alimentar humano (Klein et al. 2007, Proceedings of the Royal Society).

Espécies

As abelhas formam um grupo diverso e numeroso, compreendendo mais de 20 mil espécies no mundo. No Brasil, estima-se a existência de mais de 3.000 espécies diferentes de abelhas, mas apenas pouco mais de 400 estão catalogadas. As espécies nativas são os meliponídeos, ou abelhas nativas sem ferrão, que compõem a maioria das espécies de abelhas de nosso País.

Mas também existem as Apis Mellifera, conhecidas como as abelhas do mel ou africanizadas. Estas são abelhas exóticas, híbridos do cruzamento de abelhas trazidas da Europa e da África, e as mais utilizadas na apicultura: as abelhas com ferrão.

Existe também o grupo das abelhas solitárias e as do gênero Bombus, popularmente conhecidas como mamangavas. Ao contrário de outros grupos de insetos, tanto as abelhas adultas quanto suas larvas e pupas alimentam-se exclusivamente de recursos florais.

Por isso, para suprir sua necessidade alimentar as abelhas visitam uma grande variedade de flores, colhendo o pólen (fonte de proteína) e o néctar (para a produção do mel). A atividade de polinização é, portanto, uma ação involuntária dos polinizadores, mas essencial à vida das plantas, que se utiliza de cheiros, cores e sabores para atraí-los.


Produtos

As abelhas são conhecidas pela sua grande capacidade de fabricar vários tipos de produtos, como mel, cera, própolis, pólen e geleia real. Esses produtos, além de servirem como alimentos, também são usados para a confecção de loção para barba, vela, xampu, sabonete, hidratante, entre outros.

O mel é um alimento doce e natural, produzido pelas abelhas, a partir do néctar que elas coletam das flores e o transformam neste líquido viscoso que conhecemos. A depender da florada e das condições climáticas, sua composição pode variar em aspecto, cor e sabor. Pode ser uniflorada ou multiflorada, dependendo dos tipos de flores que visitam para buscar o néctar.

Composto, em sua maior parte, por água e carboidratos, principalmente glicose e frutose, além de várias vitaminas (A, B1, B2, B3, B5, B6, C e Biotina), minerais (cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo, potássio e outros) e flavonoides, devido à sua composição o mel apresenta inúmeros efeitos terapêuticos, usado especialmente para resistência contra o cansaço físico, mental e intelectual, além de desnutrição, imunidade, gripes e resfriados.

Já a geleia real é um produto fabricado pela própria abelha e serve de alimento para as crias, por três dias, e para a abelha rainha, pela vida toda, que precisa de energia para continuar reproduzindo e perpetuando a colmeia. Por isso ela contém hormônios, vitaminas, lipídeos, aminoácidos, enzimas e outros componentes que contribuem para a regeneração celular e manutenção de uma colônia saudável.

A rainha pode viver cinco anos e a operária, que não recebe a geleia real pela vida toda, vive apenas 40 dias.

Produzido pelas abelhas, o própolis é uma resina vegetal encontrada em diversas plantas, que protege a colmeia contra parasitas, bactérias e outros agentes contaminantes. Para os humanos, o própolis vai além de proteger contra gripes e dor de garganta, pois ele também age como anti-inflamatório, antibiótico natural, auxilia na imunidade, equilíbrio da microbiota intestinal, controle do colesterol e redução da gordura corporal.

Também produzida pelas abelhas, a cera é fundamental para o desenvolvimento das colmeias e criação dos favos. Nós a utilizamos em medicamentos e cosméticos. Curiosamente, para produzir 1,0 kg de cera as abelhas precisam ingerir cerca de 6,0 kg de mel.

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