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A importância dos Bionematicidas na lavoura de cenoura

I OFICINA DE PROCESSAMENTO DE DADOS PARA AGRICULTURA DE PRECISÃO

Autor

Laércio Boratto de Paula
Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e professor – IF Sudeste MG, campus Barbacena (MG)
laercio.boratto@ifsudestemg.edu.br
Fotos: Shutterstock

Os bionematicidas encaixam-se no chamado controle biológico, que consiste no uso de organismos, sejam eles fungos, bactérias, vírus, insetos e outros, para preservar, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças. No caso específico, bionematicidas agem no sentido de controlar um importante fitopatógeno, que é o nematoide.

Os nematoides são um dos principais patógenos na cultura da cenoura, a nível mundial. Sua ação pode causar prejuízos diretos (formação de galhas e lesões na raiz comercial) e indiretos (redução no crescimento e amarelecimento de folhas), o que, fatalmente, irá acarretar  em perdas (e prejuízos) à cultura.

Estas, por sua vez, variam em média de 20 a 100%, dependendo, evidentemente, da espécie de nematoide, da sensibilidade da cultivar e/ou híbrido, do tipo de solo (os mais arenosos favorecem o ataque), das condições ambientais, da densidade populacional e outros.

Como formas de controle estão, entre outras opções, o uso de agrotóxicos, a rotação de cultura, a utilização de cultivares/híbridos resistentes, o uso do pousio, do alqueive, de plantas antagonistas (como a crotalária, por exemplo) e do controle biológico, entendendo-se, nesse caso, o uso dos bionematicidas.

Tendência

A aplicação de bionematicidas no cultivo da cenoura tem se intensificado, especialmente nos últimos anos. Algumas empresas têm lançado no mercado, produtos biológicos com essa finalidade.

Vários são os agentes biológicos que têm o potencial de ação contra os nematoides: bactérias, como a Pasteuria penetrans (endoparasita, considerada por alguns pesquisadores como o agente bacteriano de maior potencial de controle biológico de nematoides), Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis, Bacillus amyloliquefaciens, entre outros; fungos, como o Paecilomyces lilacinus (oportunista, que coloniza ou parasita os ovos de nematoides), Pochonia chlamydosporia e Trichoderma harzianum, talvez o agente biológico de uso mais amplo no solo; vírus e até mesmo nematoides predadores (estudam-se gêneros como Mononchus e Labronema, entre outros).

A diversidade de agentes de controle biológico é importante, já que o número de espécies de nematoides que podem parasitar a cenoura passam de 90.

Benefícios proporcionados

O uso do controle biológico, como são os bionematicidas, são estratégias mais sustentáveis de manejo, causando menos problemas de ordem ambiental (contaminação de alimentos, solo, água e o próprio homem, de forma direta ou não), menos desequilíbrio biológico e evitam o surgimento menos frequente de patógenos, pragas e plantas invasoras resistentes.

Manejo

A aplicação dos bionematicidas dependerá essencialmente do tipo de produto. O mesmo poderá ser pulverizado na superfície do solo, sem ser incorporado ou com incorporação (resultados obtidos por Fernandes corroboram os benefícios desta prática), ser ‘esguichado’ no solo (chamado de “drench”), aplicado no sulco de semeadura ou inoculado à semente.

Os agentes irão, obviamente, atuar no solo. Assim, devemos garantir que os mesmos atinjam seu alvo.

Mais produtividade

Por motivos óbvios, quanto maior a infestação de nematoides na área, em tese, maiores serão os ganhos com a utilização da técnica. Se considerarmos que, em média, no Brasil, em condições favoráveis aos fitonematoides, as perdas na cultura podem variar de 20 a 100%, podemos considerar que os ganhos, com o uso da técnica, são promissores.

Casos reais

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