Seringueira – A união faz a força

 

Rodrigo Lima

Doutor em Engenharia Florestal, coordenador de Pesquisa e Extensão e professor II na Faculdade de Tecnologia da Indústria –SENAI

rodrigo.lima@fiepr.org.br

A seringueira contribui na quantidade de retirada de carbono da atmosfera - Crédito Miriam Lins

A seringueira contribui na quantidade de retirada de carbono da atmosfera – Crédito Miriam Lins

A árvore da seringueira possui enorme capacidade de fixar CO2 em sua estrutura. As quantidades de carbono atmosférico fixadas pela seringueira podem ser equivalentes às quantidades de CO2 sequestradas por florestas naturais. No estudo realizado por Nishi (2003) com o objetivo de verificar o potencial do cultivo de seringueira para geração de projetos candidatos ao MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), o autor relatou uma contribuição de 3,09 t/ha/ano de carbono fixado pela espécie.

Essencialidade

O papel das florestas como fixadoras de carbono requer informações que possibilitem uma análise estratégica de áreas potenciais para sua implantação e também a definição de espécies florestais e de tecnologias para a criação de projetos florestais nos moldes do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), desenvolvido no âmbito do protocolo de Kyoto e de outros mecanismos.

No Brasil, as áreas mais extensas de reflorestamentos são provenientes de espécies dos gêneros eucalipto e pinus, ou seja, visam abastecer as indústrias do setor de celulose e papel.

De acordo com Sistema Nacional de Informações Florestais (2017), o Brasil detém hoje as melhores tecnologias na silvicultura do eucalipto, atingindo cerca de 60m³/ha de produtividade, em rotações de sete anos. Também existem plantios comerciais de outras espécies, como acácia (Acaciamearnsii), a própria seringueira (Hevea spp.), teca (Tectonagrandis), paricá (Schizolobiumparahyba), araucária (Araucariaangustifolia) e álamo (Populussp.), muitos com grande potencial para os projetos de créditos de carbono.

Regiões em destaque

No Brasil, na área tradicional, a heveicultura tem abrangência na Amazônia Tropical Úmida, Mato Grosso e Bahia. Em áreas não tradicionais, é cultivada nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Maranhão, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba estão concentradas as maiores plantações do Estado de Minas Gerais, alcançando produtividade de, aproximadamente, 1.500 kg de borracha seca/ha/ano. Do ponto de vista social, a heveicultura é muito importante, principalmente na fixação do homem no campo, pois produz o ano todo.

A seringueira está ocupando lugar de destaque na produção nacional - Crédito Lísias Coelho

A seringueira está ocupando lugar de destaque na produção nacional – Crédito Lísias Coelho

Potencial da seringueira

A Apabor(Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha) divulga diariamente o preço de referência para a borracha internalizada. Trata-se da utilização de uma metodologia que obtém o preço da borracha beneficiada GEB-10 internalizado no Brasil, baseando-se nos preços internacionais do produto, bem como a taxa de câmbio brasileira e os custos totais da importação do produto.

Essa referência é uma indicação para o preço do produto no mercado nacional, conforme a política nacional de subvenção ao setor. Segundo dados divulgados pela Apabor, no mês de março de 2017 o preço do quilo de borracha variou entre R$2,47 a R$2,78 (Coágulo Apabor), R$8,25 (GEB-10 Apabor) e entre fevereiro e março deste ano R$7,28 (GEB-10 Mercado SP 15d). No mês de outubro/novembro de 2017 a borracha GEB-10 Apaborsaiu a R$5,52/kg.

Segundo a Apabor(2017), nos últimos dois anos os preços internacionais estiveram em baixa. Porém, o aumento dos preços internacionais nos últimos quatro meses (70%), aliado aos impactos positivos no campo da majoração da taxa de importação da borracha natural, projetam uma maior demanda por mudas de seringueira. Essa maior demanda teve início em outubro de 2017, quando iniciou-se também o período de plantios da espécie.

Vantagensambientais

Os plantios de seringueira podem ser considerados uma alternativa viável para a diminuição dos atuais problemas ambientais e socioeconômicos, tanto por fixar o homem no campo, por aumentar o rendimento da propriedade e ocupar mão de obra familiar e local, como também por ser uma cultura passível de implantação em áreas degradadas, promovendo sua estabilização e recuperação.

Considerando os dados e informações disponíveis sobre a espécie, pode-se afirmar que a seringueira é uma boa alternativa para a formalização de projeto no escopo do MDL. Entretanto, apenas a união dos produtores de seringueira pode viabilizar um projeto de sequestro de carbono no escopo do MDL, em decorrência do alto custo do processo (trâmites).

No estudo desenvolvido por Monteiro et al. (2017) sobre o potencial econômico do sequestro de carbono pela cultura da seringueira em São Paulo, os autores estimaram o carbono dos seringais em produção no Estado de São Paulo, em 7.137.880,94 toneladas, o que corresponde a 26.196.023,03 toneladas de CO2 equivalente. O valor monetário desse estoque, considerando US$3 por tonelada de CO2, é de US$ 78.588.069,10.

 

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Floresta, edição de janeiro/fevereiro 2018. Adquira a sua para leitura completa.

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