Mudões reduzem o ciclo do tomate

Rafael Campagnol

Professor de Olericultura – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

rafcampagnol@hotmail.com

Selma Barboza Campos

Graduanda do curso de Agronomia – Universidade de Cuiabá (Unic)

 Créditos Rafael Campagnol

Créditos Rafael Campagnol

Antes de definir o que são mudões, precisamos conceituar o que são mudas. São estruturas vegetativas provenientes de uma espécie ou cultivar, obtidas por meio de sementes ou estruturas vegetativas (estacas, ramos, rizomas, bulbos, etc.), que têm por finalidade a sua propagação.  A diferença conceitual entre mudas e mudões é somente o tamanho. Assim, mudões são mudas com tamanho maior que as convencionais.          Contudo, cabe ressaltar que mudões são materiais propagativos produzidos especificamente para ter um tamanho maior, não sendo, portanto, as mudas produzidas de forma tradicional e que passaram do ponto de transplantio.

Como são produzidos

Geralmente os mudões são produzidos em duas etapas. A primeira é realizada em bandejas convencionais, que pode ser de 128, 200 ou 288 células, dependendo da espécie e do tipo de material que constitui a bandeja (plástico ou isopor).

A segunda etapa inicia quando as mudas atingem o tamanho adequado para o transplante, que pode ser o mesmo das mudas tradicionais (aproximadamente 30 dias para tomate). Nesse ponto, elas não são transferidas para a área de cultivo definitivo, como acontece nos cultivos tradicionais, mas sim para um outro recipiente, com volume maior que o anterior.

Esses recipientes podem ser vasos ou mesmo bandejas com volumes de 0,45 a 1,0 litro por célula. Após essa transferência para o novo recipiente as mudas são mantidas em ambiente protegido, em alta densidade (100 a 25 plantas m-2), onde permanecerão mais 15 a 45 dias (dependo da espécie, do volume do recipiente, das condições climáticas do ambiente, da nutrição, dos tratos culturais realizados e do padrão de muda pretendido).

Ambas as etapas são realizadas em estufas agrícolas específicas para esse fim, sendo feito um manejo rigoroso do estado nutricional e sanitário das plantas.

 

Investimento

Mudão no ponto de transplante para área de cultivo definitivo

Mudão no ponto de transplante para área de cultivo definitivo

O custo dos mudões pode ser até quaro vezes superior em relação ao das mudas tradicionais de tomate. Caso sejam enxertadas, o valor pode ser ainda maior. Essa grande diferença de preços é devido ao maior tempo de produção e maior demanda por tratos culturais, fertilizantes, defensivos, recipientes e estruturas.

Para mudões enxertados, somam-se os custos de aquisição das sementes e da produção das mudas do porta-enxerto, a mão deobra da enxertia e das estruturas necessárias para procedê-las.

Ciclo vegetativo

O uso de mudas ou mudões, por si só, não altera o ciclo vegetativo das plantas. Contudo, plantas de tomate provenientes de materiais propagativos (mudas ou mudões) mais bem nutridos e sadios geralmente são mais precoces e produtivas.

Assim, para proporcionar esses resultados positivos, os mudões devem ser de alta qualidade; serem produzidos em condições ambientais adequadas, receber uma boa nutrição e irrigação e ter um bom manejo fitossanitário.

Vantagens dos mudões

Os mudões são mais usados em cultivos realizados em casa devegetação. Nesse sistema de produção o uso de mudões promove uma maior precocidade de colheita e aumenta a produtividade por área em relação às mudas tradicionais.

No momento do transplante para a área de cultivo definitivo, as mudas tradicionais possuem entre 25 a 35 dias após a semeadura (DAS), enquanto que os mudões têm de 45 a 60 DAS. Consequentemente, elas começam a produzir frutos primeiro.

O início da colheita das plantas proveniente de mudões ocorre em torno de um mês depois do transplantio, enquanto que para plantas originárias de mudas tradicionaisas colheitas iniciam entre dois a três meses depois da sua transferência para o local de cultivo definitivo.

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