Manejo correto no sistema hidropônico evita fungos

Talita de Santana Matos

Elisamara Caldeira do Nascimento

Doutoras em Agronomia – UFRRJ

Glaucio da Cruz Genuncio

Professor de Fruticultura – UFMT

glauciogenuncio@gmail.com

Foto Shutterstock

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Apesar de oferecer vantagens como a antecipação do ciclo das culturas, o cultivo hidropônico exige cuidados especiais quanto à sanidade das plantas. A elevada densidade e uniformidade genética de plantas, a liberação de exudatos pelas raízes, que são atrativos para os patógenos, a baixa diversidade biológica e a circulação da solução nutritiva no sistema favorecem a dispersão de patógenos e o desenvolvimento de epidemias, sendo a frequência com que as doenças aparecem proporcional ao tempo de uso e das práticas de manejo do sistema.

Dentre os mais importantes e destrutivos patógenos das culturas em sistemas hidropônicos destacam-se espécies do gênero Pythium sp. A principal medida de controle de doenças é a preventiva, sempre.

Antes de tudo, é preciso ter em mente que os sistemas funcionam de maneiras distintas, e que a combinação sistema x época x variedade da planta tem suas características próprias e cada um deve ser planejado e manejado diferentemente, levando em consideração fatores como: a estrutura da estufa (tipo, localização, posição, tipo de plástico usado, filtros e os demais materiais e equipamentos utilizados), as variedades utilizadas (devem ser adequadas para cada época de plantio, a fim de evitar estresses), preparo da solução nutritiva (plantas de idade, variedades e produzidas em climas distintos apresentam necessidades nutricionais também diferentes), as fontes de nutrientes (composição, solubilização e compatibilidade), o tipo de substrato (uso de turfas pode levarà contaminação por Pythium, Fusarium ou Thelaviopsis).

Estresses causados por desbalanço nutricional e temperatura, cultivo adensado e umidade do ar elevada são comuns em hidroponia e normalmente denominados distúrbios fisiológicos, que podem ser confundidos com as doenças causadas por microrganismos.

Ataque voraz

Os fungos mais comumente encontrados são o Pythium sp., que causa morte de raízes e murcha da planta. A transmissão pode ocorrer principalmente por meio das sementes, mudas, substrato, ferramentas, equipamentos e água. Por isso, é fundamental a utilização de sementes de boa qualidade, sendo que as mudas devem ser compradas em viveiros confiáveis que garantam a sanidade, com a utilização de substratos inertes.

 A água usada no preparo da solução nutritiva, se contaminada, distribui os propágulos dos patógenos na solução circulante e pode contaminar todas as plantas. Portanto, a água deve ser de boa qualidade, tanto química como física e biologicamente. De preferência, deve ser retirada de poços artesianos ou ser filtrada e/ou tratada antes de entrar no sistema. É essencial, também, que a água seja armazenada em caixas limpas e sanitizadas regularmente.

As ferramentas, equipamentos, caixas de colheita e calçados devem ser desinfestados com solução de hipoclorito de sódio ou outro desinfetante cada vez que plantas suspeitas de infecção tenham sido tocadas. É possível utilizar ozônio e/ou luz ultravioleta para esterilizar a água utilizada na solução de hidroponia.

Alguns fungos podem ser facilmente carregados pelo vento. Portanto, as estufas devem estar afastadas de áreas de produção que possam conter plantas mais velhas sendo manuseadas ou descartadas.

Embora devam ser evitadas, as pulverizações com fungicidas especificados para cada doença podem ser feitas, com os cuidados que a aplicação de agrotóxicos requer, principalmente em ambientes fechados.

O interior da estrutura e os arredores devem ser mantidos limpos e o ambiente deve ser fechado, pois alguns patógenos de hortaliças sobrevivem e multiplicam-se em plantas daninhas.

De preferência, o solo no interior da estrutura deve ser coberto por brita ou cimentado, a fim de evitar a contaminação das bancadas com algum patógeno de solo.

A água usada no preparo da solução nutritiva, se contaminada, distribui os propágulos dos patógenos na solução circulante - Crédito: Hidrogood

A água usada no preparo da solução nutritiva, se contaminada, distribui os propágulos dos patógenos na solução circulante – Crédito: Hidrogood

O que fazer quando o sistema já está contaminado

Quando se perceber que o sistema hidropônico está contaminado por um fungo como Pythium sp. (por exemplo), que é um patógeno que encontra ambiente altamente favorável em água livre, o sistema deve passar por um rigoroso processo de limpeza antes de iniciar a nova safra.

Nesse caso, plantios de diferentes idades dentro da mesma estrutura dificultam o controle de doenças, já que a presença constante da hospedeira impede que se quebre o ciclo infeccioso do patógeno. A limpeza do sistema NFT é mais fácil do que sistemas com substratos sólidos, bastando deixar correr uma solução de hipoclorito de sódio.

É importante que o sistema seja enxaguado com água limpa antes de se colocar as mudas, pois o cloro apresenta alta fitotoxicidade. Outro produto utilizado na desinfecção é o peróxido de hidrogênio (água oxigenada), que possui alta ação oxidante sobre compostos orgânicos, tais como algas, restos de raízes, assim como agentes bióticos, como bactérias e fungos.

A decisão de seu uso ou de qualquer outro produto deve sempre ser tomada em conjunto com um engenheiro agrônomo, uma vez que a sua manipulação é perigosa, por se tratar de um agente altamente oxidante, com alta toxicidade aguda (oral) e dérmica, além de se caracterizar um produto altamente corrosivo, quepode gerar danos severos à pele e aos olhos.

Esta desinfestação, associada a uma posterior aplicação de Bacillussubtilis(após um dia do tratamento com H2O2), vem demonstrando eficiência no controle de podridões de raízes, principalmente em sistemas hidropônicos tipo NFT.

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