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Telas – Mais proteção no cultivo de tomate

Congresso Brasileiro do Algodão

Autores

Luana Keslley Nascimento Casais
luana.casais@gmail.com
Rhaiana Oliveira de Aviz
rhaianaoliveiradeaviz@gmail.com
Emanoel dos Santos Vasconcelos
emanoeldsvpgm@gmail.com
Graduandos em Agronomia – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Luciana da Silva Borges
Doutora, professora da UFRA e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Horticultura da Amazônia (HORTIZON) e Núcleo de pesquisa em agroecologia (NEA)
luciana.borges@ufra.edu.br
Crédito Grupo Trebeschi

O tomate é um fruto muito sensível, suscetível a pragas e doenças. Por conta disso, possui altas exigências no seu manejo. Para diminuir o uso de produtos químicos na lavoura e manter a qualidades do produto, alguns produtores estão optando pela utilização da plasticultura e telas de sombreamento, como por exemplo, a técnica do mulching no cultivo da hortaliça, que cada vez mais vem se mostrando promissora, podendo ser acoplado a um sistema de viveiros telados que podem apresentar diferentes porcentagens de passagem de luz.

O uso de telas na produção de tomate vem sendo amplamente utilizado a fim de beneficiar a cultura, auxiliando na redução de danos físicos e biológicos comumente ocasionados a tomaticultura.

A técnica visa fornecer um ambiente protegido contra fatores biológicos (ataques de pragas) e físicos (chuvas, ventos, excesso de radiação, etc.). Além destes fatores, também é utilizado com o intuito de reduzir a incidência de plantas daninhas, que são responsáveis por uma grande parte do custo de produção da planta, diminuindo o uso de herbicidas na lavoura.

Para Gonçalvez et al. (2005), a cobertura do solo é uma prática agrícola que visa, principalmente, o controle as plantas invasoras, diminui as perdas de água por evaporação e facilita a colheita e a comercialização. Pelo fato de não ficar em contato direto com o solo, o produto é colhido mais limpo e com melhor qualidade.

Mais que benefícios

 Como citados anteriormente, são vários os benefícios, entre eles: diminuição da infestação de plantas daninhas, menor compactação do solo, redução do consumo de fertilizantes e herbicidas. São pontos muito importantes para quem almeja obter êxito em sua lavoura.

Além destes benefícios, também há redução de excesso de água no solo, evitando encharcamento, modificação do microclima, eficiência no uso da água de irrigação, reduzindo a perda de nutrientes por lixiviação e escorrimento superficial.

Há um maior controle da passagem de raios solares, que, dependendo da fase de desenvolvimento da planta, pode necessitar de mais ou menos consumo de luz solar para realizar a fotossíntese.

Plantas jovens requerem maior cuidado com pragas e doenças, e o uso de sombrite nas laterais do viveiro impedem a passagem destes, podendo permitir um ambiente mais ameno para o desenvolvimento dos tomateiros.

Em plantas adultas há uma gama de insetos que são vetores de doenças, muitas vezes fatais no bom desempenho das plantas. Pensando nisso, muitos produtores optam por produzir grandes demandas sob a proteção de grandes viveiros construídos, que podem ser tanto em madeira quanto metálicos recobertos por telas de sombreamento, estes apresentando boa produtividade.

Manejo de produção

Para a produção utilizando a técnica de mulching são utilizados canteiros elevados, onde o filme plástico é aplicado na superfície do solo formando uma barreira entre a atmosfera e o solo, impedindo a transferência de calor e vapor de água.

Os filmes plásticos podem apresentar cores que variam entre preto, branco e prata. Cada um dispõe de vantagens para a cultura. Há, no mercado, filmes plásticos que já apresentam os furos para semeadura, assim como telas completamente lisas, onde o produtor estabelecerá o espaçamento adequado ao seu manejo.

As dimensões do filme plástico podem diversificar conforme o fabricante e a necessidade do produtor, variando entre 1,0 m a 2,0 m de largura, com rolos que podem ultrapassar 1.000 m de comprimento.

A colocação dos filmes plásticos nos canteiros se dá mais comumente na forma manual, porém, já há no mercado máquinas aplicadoras destes filmes.

Já para produtores que optam por utilizar telas de sombreamento, como sombrite, é feita uma estrutura que comporte essas telas, podendo ser fabricadas em madeira, um material mais barato, alumínio, aramado ou estruturas metálicas, que necessitam de um investimento maior.

Os viveiros são construídos em locais arejados e planos, que precisam ter no mínimo 02 metros de pé direito, com comprimento e largura a critério do produtor. Esses viveiros são cercados com telas fixadas nas laterais e telado superior.

Os canteiros são construídos dentro do viveiro, onde estarão protegidos de algumas pragas, e terão todo o apoio necessário para um cultivo produtivo e bem vigoroso.

Em campo

Bigaton e Fracaro (2017), em sua pesquisa, verificaram que o uso da cobertura de solo com filme de polietileno preto proporciona maiores valores médios para massa dos frutos e excelência no controle de plantas daninhas, o que evitou a realização de capinas ou aplicação de herbicidas, proporcionou um aumento de até 4°C na temperatura do solo, além do aumento na produtividade de frutos em relação ao plantio convencional, tornando sua utilização muito vantajosa para a cultura, proporcionando maiores ganhos para o produtor.

O uso de filmes plásticos e viveiros telados favorece o crescimento mais uniforme das plantas e um maior número de frutos por planta, além de reduzir drasticamente a incidência de plantas daninhas que competem por nutrientes com a cultura principal no canteiro de cultivo.

Produtividade

Com a utilização da cobertura plástica e telados há uma redução do ciclo de produção, contribuindo para um menor impacto ambiental, favorecendo um melhor enraizamento e diminuindo a perda de mudas. A economia com irrigação alcança até 50%.

O uso de mulching pode triplicar o faturamento da produção de tomate, pois há uma redução nos fatores que encarecem o cultivo, como o uso de mão de obra reduzido quase pela metade, além dos insumos, como fertilizantes e herbicidas.

Novidades

Atualmente, existe no mercado uma vasta gama de filmes plásticos com diferentes características para atender as necessidades específicas de determinadas culturas. Entre os tipos de plástico disponíveis no mercado, o polietileno é o mais utilizado no mundo e também na agricultura. Por conta disso foram elaborados alguns filmes plásticos com cores específicas para cada tipo de manejo, favorecendo o bom desempenho da lavoura. São eles:

; Mulching preto: é bastante resistente e tem durabilidade acima da média. Por ser um filme muito elástico, tem a capacidade de se adequar a diversos tipos de cultivos. Sua aplicação é muito simples e o custo baixo. Morango, uva, alface e berinjela são alguns dos cultivos onde a utilização do mulching preto é indicada.

; Mulching preto e branco: é muito bom na dispersão da luz. Por ter alta refletividade, o vegetal ou fruto recebe também a luz no sentido ascendente. Com isso, o seu desenvolvimento é uniforme. Há menor transmissão de calor, regulando de maneira mais eficiente a temperatura do solo. Em relação ao mulching preto, se obtém uma vantagem. Esse material, quando exposto ao sol, aquece menos em relação ao preto.

; Mulching preto e prata: o custo é consideravelmente baixo e impede a queima de estruturas da planta. A vantagem do mulching prata em relação ao preto é que a cor prata reflete a luz e isso provoca menor temperatura para o solo, além de manter a temperatura controlada e permitir que as plantas cresçam em tamanho uniforme.

Também podemos encontrar diferentes tipos de telas de sombreamento que são utilizadas para variados tipos de ambientes e regiões. Existem hoje, no mercado, sombrites que variam de 30 a 80% de sombreamento – é uma manta trançada que varia de acordo com os orifícios que deixam a luminosidade passar. Um dos materiais mais utilizados na confecção das telas é o polietileno de alta densidade, conferindo às telas uma vida útil maior.

Além das porcentagens de passagem de raios solares, há também uma gama de cores de telas com diversas finalidades, com cores como preto, branco, laranja e azul, que são mais comumente utilizadas.

; Sombrites pretas: mais utilizada por se adequarem aos diversos tipos de culturas. São confeccionadas para oferecer sombreamento nas porcentagens de 30%, 50%, 60% e 80%. Podem possuir versão com as mesmas porcentagens com gramatura menor. Este tipo é mais indicado para uso em estufas e em cobertura para animais como gado.

; Sombrites brancas: utilizadas em culturas que precisam de sombreamento, mas que não comprometam a qualidade da luz incidente nas plantas. São telas que oferecerem sombreamento nas porcentagens de 16%, 30% e 50% e também podem apresentar proteção anti-granizo.

; Sombrites azuis e laranja: filtram a luz incidente e fazem emissão de comprimentos de onda na faixa de 600 a 700 mn. Algumas atuam transformando e fornecendo a luz que a planta precisa e estimulando seu crescimento.

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