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Alerta – Bactéria causa queima das folhas da cebola

Congresso Brasileiro do Algodão

Autores

Igor Souza Pereira
Doutor em Agronomia e professor – Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM)
igor@iftm.edu.br
Márcia Toyota Pereira
Doutora em Agronomia e professora – Faculdade Unyleya
mtoyota@gmail.com
Foto Igor Pereira

A cebola, por sua excelência culinária, é o principal condimento usado no nosso país e uma das hortaliças mais consumidas e cultivadas no mundo. Para se ter uma ideia, no ano de 2017 a produção mundial de cebola girou em torno de 97.862.928 toneladas, em uma área estimada em 5.201.591 hectares. Dentre os países produtores, o Brasil destaca-se com uma produção total de 1.622.106 toneladas em uma área estimada de 51.957 de hectares.

A produtividade nacional é variável, em que se destacam regiões com elevado padrão tecnológico, como as regiões do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba (MG) e Cristalina (GO), em que se estima uma produtividade média superior a 70 t/ha, enquanto em regiões do Sul do Brasil, especialmente em Ituporanga e Leblon Regis (SC), com padrão tecnológico restrito, a produtividade gira em torno de 25 t/ha.

A produtividade também é variável conforme a época de plantio, que influencia na ocorrência de pragas e doenças.

Dentre as doenças, destacam-se aquelas de origem bacteriana, que podem passar de alguns reduzidos focos de ocorrência a perdas próximas a 100%, especialmente quando condições ambientais adversas persistem após o início da bulbificação. Além da redução na produtividade, afetam a qualidade da cebola colhida.

Reconhecendo seus sintomas

A queima foliar por Xanthomonas pode ocorrer em qualquer estádio da cultura. As lesões aparecem inicialmente como manchas brancas, pálidas ou lesões lenticulares com margens encharcadas de água. Essas lesões aumentam rapidamente, tornam-se de cor bronzeada a castanha e, por fim, ficam com aspecto de encharcamento.

À medida que a doença progride, as lesões se fundem e causam a morte da ponta das folhas mais velhas. A perda de área foliar resulta em plantas raquíticas e bulbos pequenos.

Sob condições ambientais altamente favoráveis à doença, todas as folhas podem ficar completamente destruídas, resultando em morte prematura das plantas.

Tempestades torrenciais, com granizo e ventos fortes, causam ferimentos nas plantas, que permitem a entrada da bactéria nos tecidos foliares. Além disso, o trânsito intenso de máquinas e de trabalhadores também pode danificar esses tecidos e disseminar a bactéria quando há elevado molhamento foliar.

Manejo de doenças

Deve-se enfatizar que o controle de bacterioses, em geral, é feito pelo correto e cuidadoso manejo da lavoura de cebola, que deve se iniciar com a escolha da variedade ou híbrido a ser plantado, a adoção da rotação de culturas, a eliminação de restos culturais, plantas voluntárias e das plantas daninhas da área, com a escolha adequada do sistema de irrigação e seu manejo, da época para o semeio e também dos defensivos em época e frequência corretos.

Não há hoje, no mercado, variedades ou híbridos com resistência específica a X. axonopodis pv. allii. Porém, devem-se buscar sementes livres do patógeno. Observações de campo ajudam na seleção de variedades ou híbridos que suportam melhor as intempéries climáticas e, portanto, a ocorrência de doenças foliares em geral.

A rotação de culturas é prática obrigatória para os produtores de cebola, devendo-se respeitar, no mínimo, dois anos de rotação. É obrigatório que se tenha um isolamento mínimo entre as lavouras de cebola e alho, evitando-se a disseminação do inóculo entre estas duas culturas. A rotação deve ser realizada preferencialmente com gramíneas como milho, sorgo e trigo.

A bactéria sobrevive nos restos culturais da cebola, nas plantas que resistem à entressafra e também em algumas plantas daninhas. Portanto, sugere-se que o agricultor realize a eliminação total dessas fontes de inóculo na área de plantio e proximidades.

A irrigação

A escolha do sistema de irrigação influencia grandemente na ocorrência da queima foliar por Xanthomonas. Nas regiões em que é possível o uso da irrigação por gotejamento, há menor disseminação do patógeno, o qual depende dos respingos para seu espalhamento e entrada no tecido foliar.

Quando o sistema de irrigação é do tipo aspersão convencional ou mecanizado por pivô central, deve-se preferir aplicar maiores lâminas de água e num menor espaço de tempo, preservando as folhas secas pelo maior tempo possível.

Plantio e manejo preventivo

O semeio deve ser realizado preferencialmente nas épocas com menor possibilidade de ocorrência de tempestades, associado a granizo e ventos torrenciais.

Por fim, deve-se realizar um bom manejo fitossanitário da cultura, evitando-se a entrada do patógeno nos tecidos foliares. Sugere-se o uso de fungicidas cúpricos e fungicidas ditiocarbamatos de forma preventiva, os quais devem ser aplicados em intervalos semanais, garantindo a cobertura total da área foliar da cebola. A aplicação de sanitizantes à base de cloro após chuvas torrenciais também é recomendada.

Um manejo bem-sucedido de bactérias depende da integração de todas as medidas disponíveis.

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