Unicamp desenvolve robô capaz de executar tarefas agrícolas de forma autônoma

Crédito Antonio Scarpinetti

Crédito Antonio Scarpinetti

Você já pensou em ter um robô que executa tarefas agrícolas como semear, adubar e irrigar a terra de forma automática, sem a necessidade da ação do homem? O que parecia ser uma atividade quase impossível ou de filmes de ficção está começando a se tornar realidade. Pesquisadores e alunos da Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um robô que tem a capacidade de realizar todas essas atividades de forma autônoma, com eficiência e qualidade nunca imaginada para uma máquina, sem o auxílio do homem.

Esse robô foi construído para realizar determinadas tarefas sem a necessidade de intervenção humana, fornecendo às plantas a quantidade adequada de insumos, além de garantir ótima precisão do cultivo, seja em hortas caseiras ou para produção em escala, caso de estufas 20 x 50 m.

Claudio Umezu, pesquisador da Unicamp e um dos mentores do robô agrícola, conta mais sobre esse projeto que pode representar um grande avanço para a agricultura. “A ideia da construção deste robô surgiu quando um grupo de alunos tomou conhecimento de um projeto relacionado à agricultura de precisão, divulgado nos Estados Unidos, em 2014”.

Este robô agrícola foi desenvolvido a partir de um projeto colaborativo denominado Farmbot e fez parte das atividades dos alunos do curso de especialização em Automação e Controle de Processos Industriais e Agroindustriais, Cleber Katsuaki, Marcos Vinicius Lopes, Ricardo HideyoHirai e Willy Rizola, que foram orientados por Claudio Umezu e pelo professor Angel Garcia. O curso é oferecido exclusivamente pela Escola de Extensão da Unicamp (Extecamp) junto à Faculdade de Engenharia Agrícola da mesma universidade.

Além do desafio de desenvolver um protótipo brasileiro semelhante ao norte-americano, que tivesse baixo custo, os pesquisadores enxergaram a possibilidade de executar um projeto inovador que os levaria a captar o máximo do aprendizado, utilizando todos os conhecimentos adquiridos durante este curso de especialização.

Para a sua criação foram integradas tecnologias como agricultura de precisão, sistemas embarcados, prototipagem rápida (com impressora 3D) e armazenamento em nuvem. Essas funcionalidades se configuram como uma importante contribuição para a automação agrícola e, consequentemente, para a Agricultura 4.0.

De acordo com Claudio Umezu, a plataforma foi desenvolvida para permitir uma total integração com outros sistemas computacionais, tanto ao nível de outros dispositivos conectados, como armazenamento e/ou processamento em nuvem, em um conceito conhecido como IoT – Internet ofThings (Internet das Coisas).

Funcionamento do robô e tarefas executadas por ele

O robô foi construído seguindo o conceito Farmbot (fazenda robótica), bastante diferente dos famosos modelos humanoides ou dos robôs que representam a função dos braços humanos, muito usados na indústria automobilística. O robô desenvolvido pelos alunos é um tipo pórtico, semelhante a uma ponte rolante que percorre a área por meio de trilhos.

A atuação dele visa substituir a ação humana no trabalho da terra. Em um solo previamente preparado, o sistema robótico penetra a terra exatamente na profundidade adequada para cada plantio e, ao penetrar, o sistema deposita o número de sementes recomendadas para cada cultura e, posteriormente, cobre o buraco utilizando água. Além disso, o sistema consegue respeitar com exatidão o espaçamento ideal entre as plantas.

Para melhor eficiência, a umidade do solo é medida por um sensor, garantindo que cada planta seja irrigada segundo suas necessidades específicas e o fertilizante é aplicado dissolvido em água, também de acordo com o desenvolvimento da planta.

O professor Umezu explica que no atual estágio de desenvolvimento o robô está apto a semear, medir a umidade do solo, adubar (fertirrigação localizada com possibilidade de alteração da dosagem de macronutrientes) e irrigar. Portanto, pode-se perceber que este robô já está bem completo.

Ainda segundo o professor, o robô pode ser utilizado para todo tipo de cultura, porém, é mais indicado para plantas de pequeno porte, muito em função da sua característica construtiva, que é do tipo pórtico.

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