Robôs farão plantio de mudas de eucalipto a partir de 2017

A novidade vai acelerar a produção e possibilitar mais qualidade com a utilização de robôs, sem erros que poderiam acontecer de forma manual

Crédito-Fibria

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Realizada manualmente, de modo convencional, a plantação de mudas de eucalipto da Fibria, em Três Lagoas (MS), passará por um processo de produção automatizada com a utilização de robôs, que começou em março de 2016 e deve entrar em funcionamento já neste ano. Com a iniciativa, o viveiro terá alto nível de precisão, de sistemas e de controles ambientais, segundo Tomás Balistiero, gerente de operações florestais da Fibria.

Com a nova tecnologia, a capacidade de produção será aumentada em 1,95 milhão de toneladas de celulose/ano, resultando em 3,25 milhões de toneladas de celulose/ano, o que garantirá à Fíbria o título de uma das maiores fábricas de produção de celulose no mundo. “Para este volume, seria necessário ter um novo modelo de produção de mudas, e foi aí que buscamos uma solução de viveiro automatizado na Holanda, que já utiliza essa tecnologia para a produção de flores”, conta Balistiero.

As novas instalações do viveiro de mudas irão ocupar uma área de nove hectares, com aproximadamente 48 mil m² de estufas. As mudas produzidas neste viveiro abastecerão todo o programa de plantio de florestas da unidade Três Lagoas, com área de efetivo plantio de 307 mil ha.

Crédito Shutterstock

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Tecnologia do futuro no presente

O viveiro automatizado abastecerá esta nova linha de produção que está em implantação em Três Lagoas e entrará em operação no início do quarto trimestre de 2017. O atual viveiro produz 12 milhões de mudas por ano e o automatizado terá capacidade de produzir 43 milhões de mudas.

Lembrando que a automatização ocorrerá em todos os processos do viveiro: transporte, manuseio, seleção, irrigação, nutrição e, inclusive, controle meteorológico.

Para o gerente de operações da Fibria, o grande desafio é ter uma ótima qualidade do broto coletado que formará a muda, bem como garantir eficiência e precisão das tecnologias de robótica aplicadas à produção de mudas de eucalipto. “Trata-se de um processo inédito e exclusivo e é um grande avanço no processo de produção de mudas de eucalipto”, orgulha-se.

A automatização do viveiro, associada ao know-how técnico da Fibria, permitirá o mais alto padrão de excelência na qualidade das mudas, o que é fundamental para formação de florestas de alta produtividade.

“O novo viveiro também segue conceitos de sustentabilidade, redução de resíduos e de impacto ambiental, com a substituição dos antigos tubetes de plástico das bandejas de produção de mudas por materiais mais modernos, feitos de papel biodegradável”, explica Balistiero.

A introdução dos tubetes biodegradáveis também contribuiu para diminur o uso de plástico e reduzir o consumo de água, por não haver necessidade de lavar esses recipientes.

Tomás Balistiero, gerente de operações florestais da Fibria - Crédito Fibria

Tomás Balistiero, gerente de operações florestais da Fibria – Crédito Fibria

Mais novidades

Outra novidade implantada pela Fibriaé o controle de irrigação e clima, que será realizado por meio de painéis automatizados, informa Tomás Balistiero. “Em termos de produtividade de viveiro, a mecanização aumentará em quase três vezes o volume de mudas produzidas por pessoa.Reduziremos em mais de 25% o custo de produção das mudas”, observa.“Ou seja, teremos menores custos na operação e maior produtividade esperada também da floresta”.

Destino

As mudas produzidas por robôs serão destinadas ao plantio e à formação das florestas que abastecerão a unidade da Fibria em Três Lagoas e o Projeto Horizonte 2, segunda linha de produção de celulose da empresa no mesmo município, com capacidade produtiva de 1,95 milhão de toneladas de celulose por ano, que entrará em operação no último trimestre de 2017.

Ele informa, ainda, que o equipamento para plantio de eucaliptos fornecerá estatísticas de material genético e do desenvolvimento de cada planta, o que garantirá à indústria maior controle de qualidade das mudas que serão plantadas no campo.

 O projeto audacioso vai abastecer as demandas da Fibria - Crédito Shutterstock

O projeto audacioso vai abastecer as demandas da Fibria – Crédito Shutterstock

Investimento

O projeto ainda está em fase de implantação e, até o momento, considerando o projeto Horizonte 2, que já atingiu 60% de execução, foram investidos R$7,7 bilhões.

Balistieroacrescenta que, na segunda etapa, quando será realizada a seleção das mudas para acomodá-las em espaço adequado ao seu crescimento, o novo sistema de máquinas do viveiro, com visão 3D, vai monitorar a evolução das mudas e gerar eficiência no cultivo das plantas.“O equipamento fornecerá estatísticas de material genético e do desenvolvimento de cada planta, o que garantirá à indústria maior controle de qualidade das mudas que serão plantadas no campo”, esclarece.

A evolução dessa tecnologia na Fibria faz parte de uma série de iniciativas estratégicas que buscam a excelência em uma indústria de base florestal. “Entendemos que, para atingir os níveis de produtividade na floresta que estabelecemos em nossas metas de longo prazo – de 15 toneladas de celulose por hectare por ano, é imprescindível que o início do processo, ou seja, a produção de mudas, seja de alto padrão. Produtividades elevadas, custos reduzidos, controles ao longo do processo e, principalmente, um rigoroso controle ambiental e de qualidade na produção de mudas farão toda a diferença na formação de florestas de alta produtividade”, pontua o gerente de operações da empresa.

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Floresta, edição de março/abril 2017. Adquira a sua para leitura completa.

Uma ideia sobre “Robôs farão plantio de mudas de eucalipto a partir de 2017

  1. ADALBERTO BRITO DE NOVAES

    Muito boa a reportagem.
    Adianto que vamos iniciar ainda neste mês no viveiro Tecnoplant em Eunapolis-BA, uma pesquisa de Mestrado do curso de pós graduação da UESB, confrontando os tubetes 55cm3 x ellepot x 3 clones de eucalipto.
    Vamos avaliar a fase de viveiro e de campo.
    No viveiro, daremos foco a parte fisiológica como, potencial de regeneração de raízes, numero e distribuição de raíze. No campo, a distribuição espacial e o potencial de exploração do solo pelas raízes.
    Abraços
    Adalberto

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