Qualidade das mudas para implantação de um povoamento florestal

 

 

David Pessanha Siqueira

Engenheiro agrônomo e mestrando em Produção Vegetal – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

pessanhasdavid@hotmail.com

 

Crédito Shutterstock

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Na implantação de um povoamento florestal, seja para exploração de madeira, celulose, carvão, ou qualquer outro fim, a muda que será utilizada é um dos principais fatores que devem ser considerados para aumentar o sucesso do plantio, sendo sua qualidade muitas vezes negligenciada.

Para a produção de mudas, é necessária orientação de um profissional qualificado, tendo em vista que o manejo, variável entre as diferentes espécies, está diretamente ligado à qualidade das mudas que serão formadas, como o uso de recipiente com tamanho ideal, substrato com características químicas e físicas adequadas, apresentando boa fertilidade, drenagem de água, livre de patógenos e o material propagativo a ser utilizado deve ser de procedência conhecida, apresentando características que atendam a demanda do plantio.

Os avanços do melhoramento genético inserem constantemente no mercado novos materiais para produção de mudas de eucalipto. Os clones fornecidos são cada vez mais produtivos ou apresentam alguma outra característica de interesse, como maior tolerância ao déficit hídrico ou resistência a alguma doença, por exemplo.

Desse modo, produzir as mudas de eucalipto pode não ser uma alternativa interessante, sendo recomendado que o produtor adquira mudas clonais, obtendo desempenho superior e garantindo melhor rendimento no campo. É importante que se conheça a idoneidade do viveiro, para que seja garantido o padrão de qualidade das mudas que serão compradas.

As mudas clonais apresentam alta produtividade, entretanto, são exigentes, sendo necessário que se forneça luz, água e nutrientes em quantidade apropriada, desde a fase de viveiro, para que esses materiais genéticos possam expressar o seu máximo potencial.

Qualidade das mudas

Para determinação da qualidade de mudas, diversos parâmetros podem ser englobados, como as avaliações morfológicas, biométricas, fisiológicas, anatômicas, bioquímicas e suas interações com os sítios de plantio.

As análises morfológicas baseiam-se nas características de mais fácil observação pelo viveirista, como por exemplo: altura da planta, diâmetro do coleto (região de transição entre o caule a raiz) e volume de raízes e as relações, como a relação entre a matéria seca da parte aérea e do sistema radicular, que indica se há desequilíbrio no crescimento das mudas.

Já as análises fisiológicas tratam das características intrínsecas ao metabolismo da planta, como por exemplo, o conteúdo de clorofila, transpiração, condutância estomática e potencial hídrico.

Devido à sofisticação do uso e alto custo dos equipamentos utilizados para as avaliações fisiológicas, em geral, são utilizados apenas pelas instituições de pesquisas, correlacionando com as avaliações de mais fácil execução a campo, como as morfológicas e biométricas, possibilitando a seleção dos melhores materiais e técnicas de manejo.

Características ideais

As mudas de eucalipto consideradas aptas para plantio no campo devem possuir altura variando entre 20 e 35 cm e diâmetro do coleto acima de 2 mm, aumentando as chances de sobrevivência e desenvolvimento pós-plantio no campo. A muda também deve apresentar-se visualmente vigorosa.

O desenvolvimento radicular e a qualidade do torrão formado também devem ser considerados para determinar a qualidade das mudas que seguirão para plantio, no entanto, muitas vezes não são considerados.

O torrão deve ser firme e bem agregado ao sistema radicular, de forma que sua retirada do recipiente seja facilitada, bem como a operação de transporte e plantio da muda, especialmente em casos de plantio mecanizado.

Quando da utilização de recipientes de tamanho inadequado, principalmente os recipientes rígidos, ou em caso mudas passadas do tempo no viveiro, é comum que ocorram deformações no sistema radicular, influenciando negativamente a absorção de água e nutrientes, o que irá prejudicar a sobrevivência após o plantio e o estabelecimento do povoamento.

O uso de mudas com alta qualidade reflete em maior sobrevivência no campo, reduzindo os altos custos gerados com replantio, aumentando a velocidade de estabelecimento do povoamento, reduzindo a frequência de tratos culturais.

Vale lembrar que, dentre os custos inerentes à produção, do plantio até a colheita, o valor que as mudas representam é ínfimo em relação a todo montante gasto, dada a sua importância. Assim, o uso de mudas com alto padrão de qualidade irá refletir em um povoamento uniforme, com alta produtividade e consequente aumento dos lucros.

Essa matéria você encontra na edição de setembro/outubro 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua.

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