Produção de hortaliças folhosas no Brasil

Nirlene Junqueira Vilela

Pesquisadora da Embrapa na área de Economia Rural

nirlene.vilela@embrapa.br

Rita de Fátima Alves Luengo

Pesquisadora da Embrapa na área de pós-colheita

Créditos Shutterstock

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O grupo das hortaliças folhosas, assim consideradas por serem plantas de folhas comestíveis, é um complemento indispensável em qualquer cardápio. Além de proporcionar um atrativo visual colorido à mesa dos consumidores, esse grupo de hortaliças confere um delicioso sabor a qualquer prato.

O consumo tem aumentado pela busca das pessoas por conhecimento e qualidade de vida, proporcionado pela quantidade de nutrientes fornecidos pelas hortaliças folhosas, que são fundamentais na preservação da boa saúde, da beleza e bem-estar.

Produção nacional

As hortaliças folhosas são produzidas em todas as regiões brasileiras. Entretanto, as regiões sudeste e sul concentram a maior parte da produção (84%).

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Figura 1 – Produção regional de hortaliças folhosas

Ao nível de Estados, a produção de hortaliças folhosas é liderada por São Paulo, seguida pelo Rio de Janeiro. Ressalta-se que esses dois Estados em conjunto respondem por mais da metade da produção nacional de hortaliças folhosas.

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Figura 2 – Produção estadual de hortaliças folhosas

O Estado de São Paulo, que é o maior produtor de folhosas, na safra de 2016 produziu 14.199,3 engradados de nove dúzias. A produção paulista de alface concentra-se em maior parte no cinturão verde, sendo que os principais polos de produção localizam-se em Sorocaba (54,2%), São Paulo (16%) e Mogi das Cruzes (12,2%).

A produção de repolho em São Paulo foi de 9.845,7 sacos de 30 kg, na safra de 2016. A maior parte das lavouras paulistas de repolho está também no cinturão verde, sendo que os principais polos de produção localizam-se em Sorocaba(76,7%), Mogi das Cruzes (9,0%) e São João da boa Vista (7,0%).

A couve, produto importante na horticultura paulista, produziu 8.577,8 maços de 06 kg no ano de 2016. Os principais polos de produção de couve estão nos municípios de São Paulo (38,6%), Sorocaba (19,7%) e Mogi das Cruzes (15,1%).

O consumo de folhosas tem aumentado devido à busca por uma alimentação mais saudável - Créditos Shutterstock

O consumo de folhosas tem aumentado devido à busca por uma alimentação mais saudável – Créditos Shutterstock

Importância econômica

No Brasil, os tipos de hortaliças folhosas são uma verdadeira riqueza de cor e sabor, algumas mais conhecidas em diferentes regiões e outras de consumo mais regional. As principais hortaliças folhosas sãoalface,repolho, couve, rúcula, espinafre, almeirão, agrião, acelga,chicória e outrasde folhas comestíveis.

As hortaliças folhosas são de grande importância socioeconômica. Além de substancialmente nutritivas, geram emprego e renda em todos os elos de sua cadeia produtiva. São plantas exigentes em mão de obra desde o preparo do solo até a comercialização, e possuem ciclo curto, o que permite vários cultivos durante o ano.

Estima-se que um hectare de hortaliças folhosas gera por ano de três a quatro empregos diretos e o mesmo número de empregos indiretos. Além de garantir trabalho para muitas pessoas, o grupo das folhosas é uma potente fonte de geração de renda. Neste sentido, movimentam vultosos montantes em capital de giro que, de forma transparente, favorecem o desenvolvimento das regiões onde são cultivadas.

Apenas no setor produtivo a produção de hortaliças folhosas demanda produtos e serviços das empresas de produção e comercialização de sementes, das empresas de produção e comercialização de fertilizantes, defensivos químicos, orgânicos, embalagens, incluindo o setor de apoio, com serviços de pesquisa e extensão rural.

A produção de hortaliças folhosas é liderada por São Paulo, seguida pelo Rio de Janeiro - Créditos Shutterstock

A produção de hortaliças folhosas é liderada por São Paulo, seguida pelo Rio de Janeiro – Créditos Shutterstock

Produção no Brasil

No Brasil, a área de hortaliças folhosas é estimada em 174.061 hectares cultivados com alface (49,9%),rúcula (22,8%), repolho (15,3%), couve (6,1%), espinafre (1,0%) e outras (4,9%). A produção de mais de 1.317,6 toneladas distribui-se entre alface (43,7%), repolho (31,7%), couve (9,1%), agrião (7,6%), espinafre (3,1%), rúcula (2,0%) e outras (2,1%).

Por se tratar de estimativa de área por venda de sementes, consideramos que a área de couve está subestimada pelas estatísticas vigentes, uma vez que a maior propagação de couve manteiga é por meio de mudas. Assim, estima-se que a área de couve é mais de 23% da área das folhosas, uma vez que esta é uma hortaliça mais popular do que o repolho erúcula e sua maior propagação é pelo plantio de mudas.

Depois da alface, a segunda hortaliça folhosa mais plantada é a rúcula, com área de cultivo estimada em 39.728 hectares, representando 22,8% da área total de folhosas.Com estimativa de ocupação de mais 15% da área total das hortaliças folhosas, a área plantada com repolho é de 26.667 hectares, distribuída entrerepolho verde (94,1%) e roxo (5,1%).

A couve, hortaliça tradicional no cardápio dos brasileiros, tem seu lugar de destaque nas estatísticas das folhosas. A oferta de couve está dimensionada pela produção de 10.621 hectares com couve manteiga (57,7%) e couve manteiga híbrida (42,3%).

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A diferença da couve híbrida está na alta produtividade e homogeneidade de folhas. O gosto é o mesmo, mas a híbrida é mais macia. Outro detalhe que faz grande diferença é que a couve híbrida é plantada por sementes e a couve manteiga comum é reproduzida por mudas (em maior parte).

O espinafre predominante nos plantios do Brasil é o ‘Nova Zelândia’,com área de 1.746 hectares. Outras hortaliças folhosas compõem uma área estimada em 8.500 hectares e representam 4,9% do total da área desse grupo.

No grupo das folhosas, a hortaliça mais importante é alface, que no mercado pode ser encontrada em diferentes variedades: crespa, lisa,americana, mimosa e romana.A área é estimada em 86.799 hectares cultivados com alface crespa(62,1%), americana (25%) lisa (10,2%), roxa/vermelha (2,7%).

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de Agosto 2017. Adquira a sua para leitura completa.

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