Plantas nativas recuperam áreas degradadas

Eder Luiz Almeida

Especialista em Perícia Auditoria e Gestão Ambiental, sócio e consultor Técnico da empresa Nativa Sementes e Mudas

nativa.eder@hotmail.com

 

Créditos Eder Luiz Almeida

Créditos Eder Luiz Almeida

As principais plantas nativas são as espécies que compõe o grupo ecológico das pioneiras. Estas espécies crescem rapidamente no campo, produzem frutos rapidamente em apenas 10 meses depois de serem plantadas no campo, porém, vivem em média 25 anos e depois morrem naturalmente.

Estas plantas preparam o solo para o surgimento das espécies secundárias iniciais e posteriormente o surgimento das espécies clímax, a exemplo de algumas espécies pioneiras indicadas para reflorestamento de áreas degradadas:

Nome comum Nome científico
*Embauba Cecropia sp.
*Fruta de Lobo Solanum lycocarpum
*Grandiuva Trema micranta
*Mutamba Guazuma ulmifolia
Monjoleiro Senegalia polyphylla
*Ingá Ingá sp.
*Escova de macaco Apeiba tibourbou
*Murici Byrsonima spicata
*Morototó Schefflera morototoni
*Bordão de velho Samanea tubulosa
*Xixá Sterculia striata
*Marmelada bola Alibertia edulis
Novateiro Triplaris americana
Pata de vaca Bauhinia sp.
*Pitomba Talisia esculenta
*Sangra d’água Croton urucurana
Vinhático Plathymenia reticulata

As espécies citadas são apenas um exemplo de plantas que podem ser utilizadas no reflorestamento de áreas degradadas.

Recuperação de áreas degradadas

As plantas auxiliam no processo de recuperação de áreas degradadas neutralizando processos erosivos, recobrindo o solo, facilitando a infiltração de água e contribuindo para a recarga do lençol freático, diminuindo o assoreamento dos cursos d’água, etc., além de fornecerem alimento para a fauna.

Opções

Existe um potencial grande entre as espécies nativas que podem fornecer desde frutos comestíveis, óleos, extratos e madeiras, dependendo das espécies selecionadas. O consórcio de pastagens com espécies nativas é uma opção interessante para produtores rurais que não utilizam a área de pastagem para cultivo de plantas anuais.

A silvicultura com espécies nativas geralmente necessita de um tempo maior do plantio até a colheita (oito a 40 anos),dependendo da cultura escolhida.Por isso o produtor deve analisar bem o local de implantação desta atividade, pois não poderá destinar a área para cultivo de plantas anuais (soja e milho) por um longo período.

Sementes de jatobá para comercialização - CréditosEder Luiz Almeida

Sementes de jatobá para comercialização – CréditosEder Luiz Almeida

A seguir estão algumas opções de espécies nativas que podem ser utilizadas na silvicultura:

Nome comum Nome cientifico
Cedro rosa Cedrela fissilis
Pinho cuiabano Schizolobium amazonicum
Jatobá da mata Hymenaea courbaril
Jequitibá Cariniana sp.
Guanandi Calophyllum brasiliense
Amescla Protium heptaphyllum
Garapeira Apuleia Ieiocarpa
Ipê amarelo da mata Handroanthus velosoi
Angelis Saia Parkia pendula
Angico vermelho Anadenanthera macrocarpa
Mogno Swietenia macrophylla
Cumbaru da amazônia Dipteryx odorata
Ipê roxo da mata Handroanthus impetiginosus

Manejo

No reflorestamento com espécies nativas, muitos produtores “pecam” no preparo do solo antes do plantio das mudas, o que acaba comprometendo todo o processo de reflorestamento, e consequentemente o resultado final da atividade fica prejudicado.

O bom preparo do solo antes do plantio garante um manejo de pós-plantio com custo menor e intervalos maiores de um manejo ao outro.Adubações de cobertura, controle de formigas e coroamentos de pós-plantio são necessários para um bom desenvolvimento das plantas no campo.

Erros que devem ser evitados

A aquisição de mudas de procedência duvidosa e de espécies exóticas por um valor unitário abaixo do praticado no mercado, são os principais erros que alguns produtores cometem no momento da execução do reflorestamento com espécies nativas.

 

Fruto de lobo 10 meses após plantio no campo - CréditosEder Luiz Almeida

Fruto de lobo 10 meses após plantio no campo – CréditosEder Luiz Almeida

Lucratividade

As espécies nativas, no seu ciclo de desenvolvimento, podem sim gerar lucros ao produtor, quando ainda estão em fase de crescimento. Antes mesmo da colheita da madeira, com a comercialização de sementes, polpas, óleos, essências e até mesmo frutos in natura o produtor pode iniciar seus ganhos em apenas cinco anos após o plantio.

A recuperação de áreas degradadas, principalmente para pequenos produtores, deve ser pensada como mais uma opção de renda de sua propriedade. A maioria dos produtores derruba a mata por pensar que ela não serve para nada e está apenas sendo um obstáculo para cultivo de outras plantas ou pastagens.

Esses produtores não têm ideia da importância da vegetação na sua propriedade por não conseguirem visualizar a possibilidade de obter renda com esta mata nativa, uma visão um pouco distorcida da realidade, pois há a possibilidade de obtermos lucros com o cultivo de espécies nativas como:

Nome comum Nome científico
Pequi Caryocar brasiliense
Açai Euterpe oleracea
Cupuaçu Theobroma grandiflorum
Cacau Theobroma cacao
Abiu Pouteria caimito
Jatobá do cerrado Hymenaea stilbocarpa
Cumbaru do cerrado Dipteryx alata
Castanha do Brasil Bertholletia excelsa
Buriti Mauritia flexuosa
Guaraná Paullinia cupana

Custo

O custo de aquisição de mudas está entre R$ 2,50 até R$ 15,00, dependendo da muda e do tamanho que se pretende adquirir.

► Preparo do solo: custo de R$ 5.000,00 por hectare, dependendo das características da área.

► Plantio de mudas no campo: R$ 2.500,00 por hectare.

Essa matéria você encontra na edição de novembro/dezembro 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua.

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