Peculiaridades que só a madeira nobre tem

A madeira nobre pode ter diferentes fins de processamento - Crédito Shutterstock

A madeira nobre pode ter diferentes fins de processamento – Crédito Shutterstock

A madeira nobre pode ser entendida por suas características peculiares estéticas (com aspectos interessantes de cor ou desenho), pela pouca abundância, porque normalmente o que é nobre é raro, e por ser uma madeira com estabilidade dimensional, ou seja, que se movimenta pouco conforme ganha ou perde umidade.

Segundo Geraldo José Zenid, consultor especializado na área de identificação de madeiras e fornecimento de informações tecnológicas sobre madeiras, são usadas para finalidade de alto valor agregado, ou seja, alto poder aquisitivo. “Consideramos madeira nobre a sucupira, o mogno, o cedro, que têm as características citadas anteriormente”, pontua.

Para não cair em ciladas, é fundamental que o consumidor final se certifique de que aquela madeira é originada de uma exploração legalizada ou com certificação florestal.

Da Europa para o mundo

O mogno verdadeiro e o cedro ocorriam naturalmente na região da América Central, onde chegaramos primeiros colonizadores europeus. Foram levados para a Europa, onde ganharam grande repercussão na fabricação de móveis. A partir da divulgação da qualidade dessas madeiras, passaram a ser internacionalmente conhecidas e todo o setor de produção passou a buscar essas características, fosse do ponto de vista botânico ou de suas propriedades físicas e mecânicas. Daí surgiram madeiras semelhantes como o mogno-africano e o mogno-australiano.

“O mogno-australiano nada mais é do que um ‘eucalipto’. Existem algumas espécies de eucalipto que têm aparência semelhante ao mogno, porém, sem as propriedades físicas (estabilidade dimensional) do mogno. Já o mogno-africano é da mesma família botânica do mogno brasileiro, e é exportado pela África, na forma de lâminas para revestimento”, explica o especialista.

A introdução dessa espécie no Brasil é relativamente recente, e por isso mesmo, quando se pensa em seu emprego na indústria de movelaria, é preciso analisar seu comportamento na produção de madeira substituta do mogno.

A mesma situação acontece no cedro-australiano, que é da mesma família botânica do cedro brasileiro, com características bem similares, mas também com tecnologias silviculturaisque estão no início em comparação ao eucalipto. “Essas duas espécies são semelhantes quanto à cor. O desenho muda um pouco, mas seriam eventuais substitutos do mogno e do cedro brasileiros, dado que ainda são carentes de conhecimento prático do seu uso. Não se sabe se o desempenho é o mesmo do mogno e do cedro brasileiros”, pontua Geraldo Zenid.

Teca

A teca, originada do sudeste asiático, já tem plantios mais antigos, conhecendo-se bastante sua silvicultura. Sua madeira possui excelentes características de durabilidade, com desenhos e cores agradáveis, além de boa estabilidade dimensional, o que fez essa madeira ser muito procurada para embarcações de luxo. “Ela tem ainda uma característica interessante – ser antiderrapante, com alta durabilidade e não apodrece fácil, sendo apropriada para essa finalidade. Dessa forma, a madeira da teca ficou muito conhecida”, esclarece Geraldo Zenid.

Como existe um mercado de alto valor para essa madeira, a teca foi plantada por muitas pessoas em diversas partes do mundo. No Brasil, foi introduzida na região do Mato Grosso e atualmente se expandiu até a Amazônia.

Um inconveniente da espécie é que, para se obter árvores de maior diâmetro, portanto, mais adequadas à produção de lâminas e, consequentemente, de maior valor, requer a remoção de árvores mais jovens. “E os produtores têm tido muita dificuldade para introduzir essas árvores mais jovens no mercado, já que, por ser jovem, possui alta porcentagem de alburno, que na prática é chamado de branco ou brancal, ou seja, sem as propriedades típicas do cerne da madeira. Vários testes já foram feitos e o branco de nenhuma madeira é durável. Por isso há essa falta de opção do que fazer com essa árvore jovem que é retirada pelo desbaste, a qual também não pode ser destinada a um fim de baixo valor agregado como lenha, que é de menor remuneração para o produtor”, expõe o especialista.

Há móveis feitos com a teca jovem (fina), sendo os painéis sarrafeados, com um aspecto bastante interessante. Como tal madeira não é exposta ao tempo, ao solo ou à umidade, não há problema para este fim, mas o mercado ainda precisa ser conquistado.

Grife

Geraldo Zenid brinca que a madeira tem valor de grife. “Seu valor aumenta pelo nome que leva. Quando se vende teca, só este fato já torna o produto de alto valor. O mesmo acontece no mogno e cedro, que são madeiras de alto valor comercial. Já o mogno nativo brasileiro nem pode ser comercializado”, pondera.

Essa é parte da matéria de capa da Revista Campo & Negócios Floresta, edição de julho/agosto de 2018. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

 

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