O futuro do mercado de madeiras nobres no Brasil

As madeiras tropicais nobres sempre tiveram uma aplicação comercial extraordinária, devido às características tecnológicas e à beleza da madeira. Aplicada na movelaria, faqueados, construção naval, sofisticadas construções de interiores, trabalhos especiais, entre outras, a atividade tem atraído a atenção do mercado consumidor, e por reflexo, dos produtores

 

Maria Elisa de Sena Fernandes

maria.sena@ufv.br

Flávio Lemes Fernandes

Professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) – campus Rio Paranaíba

Flávia Maria Alves

Professora – UFV- campus Viçosa

 

Crédito Shutterstock

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Atualmente, o mercado de exploração de florestas voltou para a exploração de florestas plantadas ao invés das naturais, uma vez que é possível realizar um manejo adequado e, consequentemente, fazer o corte e comercialização da madeira de forma correta.

Além disso, é possível obter lucros indiretos com o mercado de carbono, incentivando a redução de poluição da atmosfera com a retirada do gás carbônico. Assim, no Brasil os incentivos e também divulgação do plantio de florestas cresceram muito nos últimos anos, trazendo à tona espécies nobres como mogno africano (Khayaivorensis e Khayasenegalensis), cedro australiano (Toonaciliata) e teca (Tectonagrandis), que têm ganhado destaque diante das suas qualidades e lucros gerados com o cultivo.

Madeiras nobres

No Brasil existem diversas espécies nobres nativas, como o pau brasil (Caesalpiniaechinata), o cedrinho (Erismauncinatum), acácia (Acaciamangium), peroba rosa (Aspidospermapolyneuron), jequitibá (Carinianalegalis), entre outras espécies.

Porém, atualmente tem destaque o cultivo de espécies exóticas, como o mogno africano e o cedro australiano, que se adaptaram ao Brasil devido principalmente à questão do manejo, que é mais simples do que o cultivo de espécies nativas, têm boa cotação no mercado e, consequentemente, a expectativa de lucro é maior, principalmente na época de colheita.

Além disso, a legalização de cultivo, colheita e comercialização tornam o cultivo de espécies exóticas mais atrativo do que de espécies nativas.

Valor agregado

A madeira nobre pode ter diferentes fins de processamento, desde a fabricação de portas, janelas, forros, laminados, painéis de mdf até o uso na construção de navios. Porém, agregado a isso temos a possibilidade de fazer um corte antes do período normal de colheita.

Por exemplo, a colheita do cedro australiano pode ser feita entre 07-10 anos de plantio com o mesmo valor que o produtor iria receber com plantas de 15 anos. Assim, o produtor pode ter um retorno mais rápido no investimento do cultivo e, consequentemente, obter lucros.

Características

A madeira é considerada nobre, uma vez que apresenta algumas características de destaque em relação às madeiras comuns, como maior resistência a insetos, principalmente a cupim, maior beleza e resistência ao processamento.

Esse mercado tem mudado muito, o que se deve ao fato de ser necessário fazer a proteção das florestas naturais, uma vez que estas correm o risco de extinção de espécies. Assim, o mercado tem buscado uma alternativa mais sustentável, como o plantio de espécies nobres que podem ser colhidas e processadas normalmente como uma cultura normal.

Crédito Shutterstock

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Potencial

O mogno africano, cedro australiano e a teca atualmente ganharam muito destaque no cultivo de espécies nobres, uma vez que proporcionam madeiras de excelente qualidade, com um valor agregado elevado e, consequentemente, retorno rápido do investimento em relação às espécies nobres nativas, uma vez que o preço por volume (m3) de madeira é maior, podendo chegar a ser cerca de 10 vezes maior que o preço do eucalipto.

Custo

O custo de implantação e cultivo de espécies nobres é semelhante ao cultivo de uma espécie nativa, porém, este depende do mercado, como, por exemplo, da produção de mudas.Existem viveiros de produção de mudas que dominam a metodologia de propagação e, consequentemente,a fornecem para o produtor com excelente qualidade.

O mercado

O mercado de madeiras nobres apresenta elevado crescimento e rentabilidade, uma vez que o retorno financeiro com a colheita da madeira é mais rápido do que o cultivo de uma espécie nobre nativa. Assim, ao invés de esperar 20 anos para fazer o corte, pode-se fazê-lo com 10-12 anos. Portanto, o lucro é rápido e são espécies que apresentam uma excelente qualidade de madeira.

Essa é parte da matéria de capa da Revista Campo & Negócios Floresta, edição de julho/agosto de 2018. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

 

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