Noz-pecã – A rainha das frutas secas

As nogueiras-pecãs são nativas do Sul da América do Norte e crescem melhor em solo argiloso, profundo e rico em matéria orgânica. Suas sementes amanteigadas são consumidas in natura, processadas e fazendo parte de tortas e outras sobremesas doces, com alto valor agregado. O óleo, as cascas e a madeira também podem ser aproveitados

Carlos Roberto Martins

Pesquisador da Embrapa Clima Temperado

carlos.r.martins@embrapa.br

Marcelo Malgarim

Professor da Universidade Federal de Pelotas

Mauricio Bilharva

Rudinei De Marco

Doutorandos na Universidade Federal de Pelotas

 Crédito Pixabay

Crédito Pixabay

A cultura da nogueira-pecã (Caryaillinoinensis) se adapta com facilidade a regiões que apresentem um regime de frio adequado às exigências das plantas, e uma boa distribuição de chuvas ao longo do ciclo produtivo, sendo determinante após a floração até o período de enchimento do fruto.

O frio se contabiliza pela necessidade de horas de frio, sendo que sua qualidade é fator fundamental para que ocorrauma boa brotação e assegure a floração uniforme. O requerimento em horas de frio,abaixo de 7,2°C varia conforme a necessidade genética de cada cultivar, tendo, de uma forma geral, cultivares adaptadas às condições climáticas com números de horas de frio abaixo de 300, entre 400-600 e acima de 600 horas. Do contrário, se não forem atendidas estas condições, podem ocorrer problemas com abrotação, ramos pouco desenvolvidos e com folhas pequenas e com uma floração desuniforme, com reflexos na produtividade.

A temperatura média anual ótima para nogueira-pecã é de 20 a 30ºC. Temperaturas elevadas (acima de 35°C)influenciam na floração, podendo queimar tanto as flores masculinas quanto femininas. No enchimento do fruto, altas temperaturas podem afetar o tamanho da noz-pecã e o desenvolvimento da amêndoa (parte comestível), além disso, interfere no acúmulo de óleo. Em condições mais adversas pode ocorrer também o aborto do fruto, ou seja, a queda prematura.

O cultivo da nogueira-pecã concentra-se principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - Crédito Carlos Roberto Martins

O cultivo da nogueira-pecã concentra-se principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – Crédito Carlos Roberto Martins

As geadas e a umidade

Outra situação climática que requer cuidados diz respeito a geadas tardias, aquelas que entre setembro e outubro ocorrem na região sul do Brasil, o que compromete a floração e, por consequência, a produção de frutas. Neste interim, a escolha adequada do local de plantio é muito importante, pois regiões de baixadas estão mais propensas à formação de geadas.

A umidade excessiva interfere na polinização, afetandoa liberação do pólen e a receptividade do estigma. Dessa forma, devem ser evitados locais com umidade relativa do ar superior a 80% no período de polinização (setembro/outubro) devido à dificuldade da liberação do pólen das flores masculinas.

A precipitação média anual necessária para nogueira-pecãoscila entre 700 a 1.000 mm, no entanto, a necessidade de chuva é condicionada pelo estádio fenológico.

No período de floração a necessidade hídrica é mínima, contudo, no período de enchimento do fruto há aumento no requerimento de água. A implantação de um sistema de irrigação é crucial para evitar o abortamento de frutos e frutos de baixa qualidade, principalmente em regiões com períodos de estiagem.

No entanto, volumes excessivos de chuva propiciam a incidência de doenças e, em se tratando de solos úmidos, com dificuldade de uma rápida drenagem, pode inclusive comprometer a viabilidade das plantas.

Viveiro de mudas de noz-pecã - Crédito Carlos Roberto Martins

Viveiro de mudas de noz-pecã – Crédito Carlos Roberto Martins

Polinização

Embora a polinização da nogueira-pecã seja realizada pelo vento (anemófila), ventos fortes podem causar vários danos à cultura, principalmente na fase de formação do pomar, com a tortuosidade das plantas, quebra de tronco, galhos e ramos, além deinterferir na polinização.

Uma medida necessária, principalmente na fase de formação do pomar, é o uso de quebra-ventos, com espécies vegetais de rápido crescimento.

Manejo nutricional

O primeiro passo para atender as exigências nutricionais da nogueira-pecã se inicia pela realização de análise de solo. Primordial para o sucesso de qualquer frutífera, para a nogueira-pecã se evidencia ainda mais, haja vista o elevado porte da planta na plena fase produtiva, podendo superar 40 metros de altura.

De acordo com a análise química de solo, o pH deve ser elevado a seis(6,0 pH), pela aplicação de calcário, que deve ser realizada,no mínimo, três meses antes da implantação das nogueiras.

Tanto na implantação como na adubação de manutenção, podem ser utilizados adubos químicos e/ou orgânicos. De acordo com a interpretação da análise do solo, o fornecimento de fósforo e potássio pode ser utilizado em doses totais no momento do plantio, enquanto o fornecimento de nitrogênio deve ser dividido em três vezes. A primeira em setembro, quando há intensa brotação e início do período floral; a segunda em novembro, no período final da floração e quando começa a formação do fruto; e a terceira em fevereiro, com o intuito de enchimento da noz e de se obter reservas para a safra posterior.

Um cuidado especial deve ser dado ao zinco, elemento nutricional que, quando em carência nosnogueirais, apresenta folhas cloróticas, com margens onduladas, muitas vezes sendo necessária a aplicação via foliar para corrigir deficiências.

Conforme a severidade da deficiência aumenta-se o número de aplicações.No entanto, é necessária a realização de análises química de solo e do tecido foliar periodicamente para a correta interpretação, manutenção e correção.

 É importante ressaltar a necessidade da presença de um profissional habilitado e qualificado para orientar desde a coleta de solo, tecido foliar, bem como para realizar o correto diagnóstico e as devidas recomendações de adubação e manejo do solo.

Plantio de muda de noz-pecã - Crédito Carlos Roberto Martins

Plantio de muda de noz-pecã – Crédito Carlos Roberto Martins

Manejo fitossanitário

A doença mais comum que ocorre na nogueira-pecã é a sarna (Venturiaeffusa) – com sinônimos:Fusicladiumeffusum,Cladosporiumcaryigenum, Cladosporiumeffusum e Fusicladiumcaryigenum, que ataca tecidos jovens, folhas (desfolha precoce), pecíolo, inflorescência e fruto. Nos frutos a amêndoa pode ficar mal formada, ou quando o ataque for severo pode ocasionar a queda dos mesmos.

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de outubro 2017. Adquira a sua para leitura completa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *