Métodos de produção de mudas de eucalipto

Ernane Miranda Lemes

Engenheiro agrônomo, fitopatologista e doutor em Fitotecnia

ernanelemes@yahoo.com.br

Crédito Shutterstock

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O Brasil tem aproximadamente oito milhões de hectares plantados com eucalipto (IBÁ, 2016). A escolha pelo florestamento com essa espécie se deve a uma série de características favoráveis de seu cultivo – é uma planta de baixa necessidade nutricional, de crescimento rápido, é capaz de suportar altas densidades de plantio (até 3.000 árvores ha-1), e poucas pragas e doenças são relatadas (Keane et al., 2000).

Além dessas características, o eucalipto também é uma árvore de troncos altos e retos, com aptidão para lenha e energia (4500 kcal kg-1), boa densidade de madeira (0,5-0,6 g cm-3), elevada rebrota após o corte e simplicidade na produção de mudas em larga escala (Moura &Guimarães, 2003).

Características

As características das principais espécies de eucalipto cultivadas são apresentadas na Tabela 1. Devidos a elas, o eucalipto apresenta diversas aplicações na indústria, na construção de infraestruturas, na produção de essências e mesmo na ornamentação de ambientes.

Para qualquer que seja a finalidade, uma produção rentável do eucalipto deve se iniciar com uma muda de boa qualidade, capaz de resistir às condições adversas do campo e gerar uma árvore sadia (Paiva & Gomes, 1995; Gonçalves et al., 2004).

Tabela 1. Características das principais espécies de eucalipto utilizadas em florestamentos

Característica E. grandis E. urophylla C. citriodora E. cloeziana E. camaldulensis
Produtividade (m3/ha/ano) 25-30 20-25 10-15 15-20 10-15
Exigência nutricional alta média alta média baixa
Forma do tronco reta reta reta reta tortuosa
Densidade da madeira baixa baixa alta alta Média
Rebrota baixa alta média média Alta
Formação das mudas fácil fácil média difícil fácil
Crescimento inicial rápido rápido baixo baixo médio
Pragas e doenças alto alto médio médio baixo

Fonte: Moura & Guimarães, 2003. Embrapa CT 85. ISSN: 0102-0099.

Importância das mudas

O florestamento com eucalipto é um investimento de longo prazo, podendo ser superior a 10 anos, o que ressalta ainda mais o papel de uma muda de qualidade para o plantio a campo.

Os sistemas de propagação de mudas de eucalipto podem ser assexuado ou clonal (p.ex. miniestacas enraizadas, micropropagação), e sexuado (via sementes) (Moura &Guimarães, 2003).

O sistema assexuado por miniestacas é relativamente rápido e barato, e é o método mais comum para a propagação do eucalipto, correspondendo a 85% das mudas comerciais no Brasil (Cooper & Graça, 1987; Paiva & Gomes, 1995; Silva et al., 2008).

Na propagação assexuada do eucalipto os ganhos genéticos são elevados em um curto espaço de tempo e não há preocupação com a pureza genética dos materiais, porém, é uma seleção única, enquanto que na propagação via sementes os ganhos genéticos podem ser alcançados pela seleção recorrente (cruzamento entre indivíduos com características desejáveis). Os ganhos genéticos na propagação sexuada de mudas são menores que na propagação assexuada, porém, são repetíveis e cumulativos.

Sementes

As sementes utilizadas na produção sexuada de mudas de eucalipto podem ser obtidas de árvores selecionadas, melhoradas geneticamente por seleções, que são cultivadas em pomares porta sementes.

Em cada recipiente que comportará uma muda de eucalipto são postas de três a cinco sementes de tamanho médio para garantir que após o desbaste ao menos uma muda seja de boa qualidade.

 A produção do eucalipto deve se iniciar com uma muda de boa qualidade - Crédito Ana Maria Diniz

A produção do eucalipto deve se iniciar com uma muda de boa qualidade – Crédito Ana Maria Diniz

Onde colocar

Para a produção de mudas de eucalipto é recomendada a utilização de recipientes de saco plástico (Simões, 1970), no entanto, a produção de mudas emtubetes ou bandejas de isopor também é uma opção.

Os recipientes semeados são mantidos por aproximadamente 30 dias em área protegida por sombrite, e após o desbaste (mudas com 05 a 07 cm de altura), as mudas são mantidas por aproximadamente 60 dias suspensas (15 cm do solo) e a pleno sol para adaptação às condições exteriores, antes de serem plantadas a campo.

No processo da propagação assexuada, ou vegetativa, não ocorre meiose e, portanto, as estacas, ou rametes, extraídos da planta matriz, ou ortete, são geneticamente idênticos entre si, o que permite selecionar rapidamente características de interesse.

Contudo, variações fenotípicas entre as estacas, ou clones, podem ocorrer a campo, e geralmente são causadas por variações ambientais, no manejo e por fatores relacionados à própria muda, como o período de coleta das estacas, o tamanho da miniestaca e o nível de desenvolvimento do sistema radicular no momento do transplante das mudas para o campo (Ferreira et al., 2004).

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