Métodos alternativos de controle do bicho-mineiro no cafeeiro

Carlos Henrique Cardeal Guiraldeli

Engenheiro agrônomo

cguiraldeli@gmail.com

 

Crédito Gustavo Sera

Crédito Gustavo Sera

Atualmente, o foco da agricultura mundial está na produção sustentável. A cada dia aumenta a demanda e, consequentemente, a responsabilidade dos agricultores em produzir alimentos com menor uso de defensivos agrícolas, melhores condições de trabalho dos colaboradores e a um custo cada vez mais reduzido, obrigando-os a encontrar o ponto ótimo da sustentabilidade.

Neste contexto, a utilização de técnicas alternativas de produção tem sido altamente demandada pelos agricultores. O manejo biológico, seja por meio de inimigos naturais ou produtos (defensivos) naturais, tem sido amplamente utilizado e apresentado bons resultados no combate a pragas e doenças de diversas culturas.

O bicho-mineiro do café, Leucopteracoffeella, é a principal praga da cultura. O ataque ocorre durante todo o ano, se intensificando entre os meses de outubro a junho. Em regiões cafeeiras com maior temperatura média anual, como o Cerrado Mineiro, por exemplo, o ataque se faz mais severo devido à diminuição no ciclo reprodutivo da praga, que pode variar de 19 a 87 dias. A fase larval é quando ocorre o ataque, entre 09 a 40 dias.

As larvas minam as folhas do cafeeiro, provocando a destruição e posterior queda, diminuindo a capacidade fotossintética da planta e, consequentemente, causando redução na produtividade das lavouras.

Controle

Entre as formas de controle mais usuais do bicho-mineiro, pode-se dizer que o tratamento químico é o mais usualmente utilizado pelos cafeicultores. Entretanto, outras alternativas com menor impacto ambiental podem ser aplicadas com eficiência.

No que diz respeito ao controle químico, existem diversos princípios ativos registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a cultura do café. Entre eles, a abamectina (avermectina), clorantraniliprole (antranilamida) e clorpirifós (organofosforado) estão entre os mais utilizados.

Além do controle químico, alguns tratos culturais ou situações climáticas podem contribuir para o combate à praga, como por exemplo:

  • Chuva e ar úmido reduzem o ataque;
  • Lavouras mais adensadas são menos atacadas;
  • Inimigos naturais reduzem a incidência dela. A aplicação de agroquímicos contribui para o extermínio dos inimigos naturais e para o maior ataque da praga;
 Lesão ou mina produzida pelas lagartas do bicho-mineiro - Crédito Paulo Rebelles Reis

Lesão ou mina produzida pelas lagartas do bicho-mineiro – Crédito Paulo Rebelles Reis

Alternativa – óleo de neem

Outras formas de controle, oriundas de extratos de óleos com efeito inseticida, têm sido avaliadas a fim de contribuir para o controle da praga e reduzir o uso de agroquímicos. Estudos realizados pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) avaliaram o uso do extrato de neem no controle do bicho-mineiro do café, mostrando-se eficiente.

O neem, Azadirachta indica, é uma planta originária da Ásia. A extração do óleo, com a presença de algumas moléculas, provoca efeito inseticida pela ação repelente à ovoposição, inibição da alimentação, do desenvolvimento dos insetos imaturos e até morte aguda por intoxicação. Tais efeitos estão diretamente relacionados principalmente à presença de azadirachtina, molécula do grupo do triterpeno.

Os resultados mostram efeito positivo no controle do bicho-mineiro do café. Resultados expressivos também são observados na diminuição considerável (50%) da ovoposição, associada à inibição do desenvolvimento dos insetos imaturos (não há formação de pupas e, consequentemente, de insetos adultos).

Para tais resultados, a recomendação na dosagem é de soluções com 2,5% de óleo de neem (2,5 litros para 100 litros de água), aplicados de forma preventiva na planta. O produto é 100% biodegradável e não bioacumulável, não provocando efeito residual tanto na planta quanto nos frutos.

Em média, a utilização do óleo de neem no tratamento fitossanitário para o controle eficiente do bicho-mineiro do café pode variar entre R$80,00 e R$ 200,00 por hectare de lavoura, de acordo com o fabricante e a concentração do produto comercial. Tais valores se mostram competitivos, quando comparados ao uso de agroquímicos.

Mais vantagens

Além da vantagem econômica da redução dos custos no controle da praga e na produção mais sustentável, a adoção do óleo de neem pode e deve ser uma ferramenta para rotação de princípios ativos no controle do bicho-mineiro do café em fase onde não exista o pico de infestação.

Em regiões como o Cerrado Mineiro, por exemplo, a adoção desta técnica pode auxiliar na redução do uso de agroquímicos em períodos de veranicos (dezembro a março), bem como no início do período da seca, contribuindo de maneira efetiva para o manejo integrado de pragas.

Essa matéria você encontra na edição de dezembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *