Irrigação inteligente possibilita aumento de produtividade no milho

Rubens Duarte Coelho

Professor titular da ESALQ/USP– Laboratório de Engenharia de Irrigação (LEB)

rdcoelho@usp.br

 

Crédito Shutterstock

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A irrigação inteligente é um sistema de irrigação por gotejamento enterrado que tem por finalidade aplicar a água diretamente na zona radicular das plantas. O uso da fertirrigação é obrigatório neste sistema de alta produtividade, pois tem por finalidade anular qualquer efeito negativo da falta de água e nutrientes para o crescimento das plantas no campo.

Inicialmente as culturas mais beneficiadas foram as intensivas: hortaliças, frutíferas e café.Agora está se expandindo para as culturas mais extensivas: milho, soja algodão.

Mais produtividade

O grande benefício desta tecnologia é mostrar ao agricultor qual a porcentagem da quebra de safra que se deve ao estresse hídrico. Deste modo, ele pode criar um benchmarking de produtividade na sua própria área de produção (metas diferentes para variados ambientes de produção), sabendo diferenciar quais seriam as falhas de manejoque poderiam ser melhoradas na agricultura de sequeiro (adubação, controle de ervas daninhas e pragas, escolha varietal, etc.).

Não esperamos que o agricultor de milho ou soja implante esta tecnologia em 100% da área plantada. Se a implantação for feita em 5,0 a 10% da área já seria uma meta bem ambiciosa.

Implantação

A implantação da técnica deve ser feita com auxílio de uma assessoria técnica especializada em sistemas de irrigação por gotejamento enterrado.São muitosdetalhes que precisam ser levados em consideração para se obter os resultados esperados.

Custo x benefício

O custo é muito variável, dependendo do tamanho da área, desnível geométrico, distância ao grid de energia elétrica e condição climática da região, podendo oscilar entre R$ 5 mil a R$ 16 mil por hectare.

A relação custo-benefício deve ser calculada para cada situação particular.As premissas de preço de venda e vida útil do sistema de irrigação interferem muito na viabilidade do projeto.

É preciso garantir que o sistema de irrigação funcione durante toda a vida útil prevista.

O gotejamento enterrado aplica água diretamente na zona radicular das plantas - Crédito Ademir Torchetti

O gotejamento enterrado aplica água diretamente na zona radicular das plantas – Crédito Ademir Torchetti

Erros

Os erros mais frequentes dos produtores são: dimensionamento da lâmina de irrigação inadequada para o nível de evapotranspiração da área, falta de conhecimento técnico com relação à curva de retenção do solo; inadequação da qualidade de água ao sistema de filtragem adotado para atender os requisitos mínimos de segurança operacional das baixas vazões dos gotejadores no campo (risco de entupimento do sistema); despreparo técnico na manutenção e operação do sistema de irrigação por gotejamento; não utilização de georreferenciamento de precisão no enterrio dos tubo gotejadores na área irrigada.

Os erros devem ser evitados com a utilização dos conhecimentos e tecnologias já disponíveis aos agricultores, tais como:

Ì Análises probabilísticas de evapotranspiração na área;

ÌAmostragem de solos indeformados para fins de determinação da CAD (capacidade de água disponível);

Ì Análise da qualidade de água dos mananciais a serem utilizados;

ÌAdequação do tipo de filtro à vazão e ao modelo de gotejador adotadoe;

ÌUso da agricultura de precisão no plantio.

Estudos

A ESALQ disponibiliza apoio técnico para os agricultores interessados na implantaçãodesta tecnologia (Departamento de Engenharia de Biossistemas – Instituto de Irrigação).

Essa matéria você encontra na edição de julho de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar.

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