Revista Campo & Negócios - Ano VII - Nº 90| Revista Campo & Negócios HF - Ano VI - Nº 63
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Amostragem georreferenciada, maior precisão na correção do solo

Antônio Luis Santi

Engenheiro agrônomo, doutor e professor do CESNORS/UFSM

santi_pratica@yahoo.com.br

Telmo Jorge Carneiro Amado

Engenheiro agrônomo, doutor e professor da UFSM

tamado@smail.ufsm.br

Andre Luis Vian

Acadêmico de Agronomia CESNORS/UFSM

andreufsm@yahoo.com.br

 

O manejo racional do solo pode ser considerado a base de sustentação dos sistemas agrícolas. Sendo assim, cabe lembrar que o que estimulou agricultores a adotarem o Sistema Plantio Direto - SPD (introduzido inicialmente como alternativa de controle da erosão) foi a experiência dos agricultores pioneiros e o suporte das instituições de pesquisa. Juntos, eles estabeleceram os requisitos básicos de sua sustentação, quais sejam: rotações de cultura; manutenção da cobertura do solo; incremento da matéria orgânica; elevada ciclagem de nutrientes; estímulo da atividade biológica, entre outros.

A recente evolução pela busca por meios que garantam a eficiência no gerenciamento da unidade de produção tem instaurado um novo paradigma no campo, caracterizado como Agricultura de Precisão (AP). Esse, por sua vez, reacendeu ações de busca por informações acerca do potencial produtivo das culturas nas áreas de lavouras.

Desta forma, ao contrário do SPD, a AP não é um novo sistema, e sim uma ferramenta agronômica. Essa afirmativa, embora provocativa, vai ao encontro do que o produtor realmente quer saber e do que muitos agrônomos têm questionado.

Nesse cenário, a amostragem de solo é princípio básico à tomada de decisão. Infelizmente, prestadores de serviço têm popularizado no Brasil que para se fazer AP basta uma amostragem de solo mais intensiva que a comumente utilizada na agricultura convencional. Isso, no mínimo, tem proporcionado que o "gridão de 05 a 50 ha" tenha se popularizado como umas das formas de representar a variabilidade nas lavouras e também de reduzir custos.

 

Coleta de solo

 

O que se pretende com uma coleta de solo dentro dos princípios da AP (que muitos precisam conhecer) é caracterizar a variabilidade química - já que ela existe - manejar essa variabilidade, economizar recursos e aumentar a lucratividade. Para tanto, a coleta de dados deve cumprir requisitos como, por exemplo, ilustrar a variabilidade da lavoura e representar os fatores que estão sendo determinantes ao rendimento das culturas.

O que muitos produtores, técnicos e prestadores de serviços vêm tentando fazer é simplificar essa etapa. Apoiados por ferramentas tecnológicas, grande parte dos mapas gerados tem se prestado mais à representação visual do que interpretação dos fenômenos. Isso tem uma explicação baseada na geoestatística, na dependência espacial e no alcance das variáveis.

No Brasil já é consenso que essa técnica apresenta vantagens em relação à amostragem tradicional, baseada na média, pois permite ter um "raio X" da lavoura de maneira a facilitar as intervenções de manejo.

Sua popularização entre os produtores tem sido facilitada pelo crescente número de prestadores de serviços que oferecem o trabalho de coleta de solo, geração de mapas temáticos e os mapas de prescrição já repassando os arquivos digitais para a realização de aplicações em taxa variada de corretivos e fertilizantes. Algumas empresas, inclusive, prestam o serviço de aplicação.

 

Custo

 

Ao produtor, os custos têm sido variáveis justamente em função do tipo de serviço contratado e da intensidade amostral requerida (tamanho da grade amostral). De uma maneira geral, o que se vê no campo são valores desde R$ 15,00 até R$ 60,00, em alguns casos incluindo o valor da amostra de solo.

No campo, os resultados são distintos justamente em virtude da variabilidade. Em algumas lavouras a amostragem georreferenciada pode revelar que o histórico de manejo empregado contribuiu ao longo dos anos para elevar os níveis dos atributos químicos e que nas próximas intervenções de manejo é possível reduzir os investimentos em fertilizações.

Por outro lado, também é possível que o produtor deva realizar correções e aumentar a quantidade de fertilizantes, ou seja, ainda é necessário construir a fertilidade, pois esta se mostra como um dos limitantes à produtividade das culturas.

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