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O vira-cabeça é um complexo virótico que engloba várias espécies de vírus
com características semelhantes. Entre os sintomas, ocorre o bronzeamento e arroxeamento nos folíolos das folhas do ponteiro, juntamente
com anéis necrosados no centro do tomate.
Em estágio avançado a planta toda necrosa e morre. Os frutos oriundos de
plantas infectadas apresentam menor tamanho, manchas cloróticas
(amareladas) e deformações irregulares.
Prejuízos
O principal prejuízo do vira-cabeça é a queda na produtividade causada
pela perda de plantas inteiras, assim como de frutos, e redução no tamanho destes,
tornando-os depreciados para comercialização.
Segundo o engenheiro agrônomo Luiz
Henrique Bambini, temperaturas elevadas e baixa
umidade caracterizam a o clima mais favorável para ocorrência desta doença. "Nessas
condições, o inseto tripes acelera seu desenvolvimento e este inseto é o vetor do
vira-cabeça", informa.
A condição climática descrita anteriormente ocorre em todas as regiões do
Brasil, quando o desenvolvimento do inseto tripes é favorecido, e, consequentemente,
a ocorrência da doença aumenta.
Controle
Luiz Henrique explica que o principal método de controle do vira-cabeça consiste
em evitar a ocorrência de tripes na lavoura tomateira. Para tanto, é desejável
evitar o plantio em épocas favoráveis ao desenvolvimento deste inseto
(temperaturas altas e baixa umidade).
O plantio em áreas com histórico de ocorrência de tripes também deve ser
evitado. Com relação ao controle químico de pragas, o agrônomo recomenda o uso
de inseticidas dos grupos piretroides e neonicotinoides.
Atualmente existem variedades de tomates de todos os grupos (Italiano,
Salada, Saladete, Cereja, etc..) com resistência a
esse complexo virótico. Luiz Henrique cita as variedades tipo italiano, tipo
Santa Cruz, e tipo Caqui. Segundo ele, o potencial produtivo dessas variedades
é semelhante ao das variedades sem essa resistência. "A vantagem é que a
resistência ao vira-cabeça traz benefícios consideráveis, haja vista que esse é
o principal complexo virótico que ataca a tomaticultura", aponta.
Além da qualidade das variedades melhoradas ser superior, o produto é
favorecido pela resistência ao vira-cabeça, que tem como um de seus sintomas a
depreciação dos frutos. "O uso de variedades resistentes a essa virose permite
que não ocorram deformações nos frutos de tomate, aumentando assim o índice de
frutos comercializáveis", diz Luiz Henrique.
Cuidados redobrados
Como descrito acima, a principal causa da doença é o inseto vetor tripes.
Todo o controle deve ser focado no combate a esse inseto, e isso implica no uso
de inseticidas. Devido ao forte apelo existente hoje com relação à forte carga
de agroquímicos existente para o tomate, é desejável o uso de técnicas menos
agressivas no combate a insetos-pragas.
Luiz Henrique alerta ainda para a importância de que técnicos envolvidos
na tomaticultura tomem consciência disso e busquem cada vez mais técnicas
ambientalmente racionais e alternativas ao controle químico.
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