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Plantio de transgênicos reduz emissão de poluentes e aumenta produção

 

Vera Quecini

Engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho

vera@cnpuv.embrapa.br

 

A principal vantagem da engenharia genética é o aumento no conjunto de genes disponíveis para o melhoramento genético. O melhoramento genético clássico produz materiais vegetais com características desejáveis, empregando ciclos sucessivos de cruzamento sexual e seleção dos indivíduos que exibem estas características nas progênies.

Portanto, apenas os genes encontrados em materiais sexualmente compatíveis podem ser empregados para aperfeiçoar uma determinada característica de uma cultura por melhoramento genético convencional.

A engenharia genética permite a introdução de qualquer sequência de DNA (gene), independentemente da compatibilidade sexual para cruzamento, pois emprega vetores biológicos ou forças físicas para a introdução do DNA na planta hospedeira. Por exemplo: o melhoramento genético emprega Vitis labrusca como fonte de genes de resistência em cruzamentos com Vitis vinifera, e os indivíduos resultantes do cruzamento são avaliados para a presença das características desejadas.

Alternativamente, na engenharia genética, genes que codificam proteínas com atividade antimicrobiana provenientes de sapos podem ser empregados para melhorar a resistência de plantas de Vitis vinifera a patógenos, embora não haja compatibilidade para cruzamento entre sapos e videiras.

 

Produtividade de culturas transgênicas

 

O aumento da produtividade está associado ao desenvolvimento e uso de novas tecnologias agrícolas, sendo que as tecnologias responsáveis pelos maiores aumentos de produtividade são específicas para cada cultura.

Nos Estados Unidos, a produtividade do milho foi praticamente constante até os anos 30 (1,5 toneladas por hectare), sendo que a produtividade média atual (9,4 toneladas por hectare) é decorrente da introdução de variedades híbridas.

As plantas geneticamente modificadas carregam alterações pontuais em seu genoma, com a introdução de um ou poucos genes, o que dificilmente causa um aumento na produtividade per se. Os ganhos relatados pelo uso de lavouras geneticamente modificadas são preferencialmente decorrentes da redução nos custos de produção e aumento na qualidade do produto.

Por exemplo, o aumento do teor de sólidos solúveis em uvas devido ao emprego de uma variedade geneticamente modificada para resistência a vírus pode trazer ganhos previstos em até R$ 4.000,00 por hectare.

 

Expectativa para a produção de transgênicos

 

A demanda mundial e o consumo de produtos agrícolas na nutrição humana e animal e produção de biocombustíveis têm aumentado rapidamente por muitos anos. Entretanto, os ganhos em produtividade por melhoramento genético clássico e práticas culturais estão praticamente estáveis desde os anos 70.

Igualmente, as necessidades imediatas de preservação ambiental e da biodiversidade requerem que a área ocupada pela agricultura não aumente. Nesse cenário, estima-se que seja necessário dobrar a produção agrícola até 2030 para atender as demandas de alimento e energia.

A maneira mais sustentável de se conseguir aumentos significativos de produtividade será o emprego de novas tecnologias de produção, que permitam maiores ganhos sem aumento da área cultivada.

A engenharia genética pode contribuir para a obtenção de materiais resistentes a estresses bióticos, como patógenos e pragas, e estresses abióticos, como tolerância a seca e temperaturas extremas. Igualmente, a engenharia genética pode contribuir com o desenvolvimento de produtos de maior qualidade, por exemplo, com maior teor de aminoácidos essenciais, vitaminas ou maior vida útil.

Os avanços científicos permitem que as novas gerações de plantas geneticamente modificadas carreguem alterações mais sutis em seu material genético, que ainda sejam capazes de trazer os benefícios desejados.



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