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Mauricio Dominguez Nasser
Pesquisador científico
e engenheiro agrônomo
APTA Polo Alta Paulista
mdnasser@apta.sp.gov.br
A partir do momento em que o produtor adquire o melhor manejo de como
produzir o café cereja dentro de sua propriedade, ele perceberá que terá um
produto que está e sempre estará sendo procurado pelo mercado, ainda mais esse
ano, cujos estoques brasileiros e mundiais de café de qualidade estão baixos, e
a demanda por esse tipo de produto está em alta. O ágio da saca beneficiada, dependendo da
qualidade do café, pode chegar a 30% no preço recebido pelo produtor.
Ponto de reflexão
Um lote de café cereja produzido numa propriedade familiar ou empresarial
pode ser utilizado para concursos de qualidade que ocorrem em todas as regiões
cafeeiras, promovidos por cooperativas e empresas de exportação.
Imagine que um pequeno produtor que consiga uma premiação no concurso de
cafés especiais, recebendo R$ 500,00 por saca, num lote de 20 sacas
beneficiadas, já gera uma receita de 10.000 reais, contra 20 sacas de um café
convencional pago a R$ 250 reais, recebendo exatamente metade do valor do
concurso.
Do ponto de vista de secagem, um resultado significativo é que o tempo no
terreiro será menor que o café convencional, pois a casca já foi retirada. A
economia na área de terreiro pode alcançar 20%, e ocorre uma otimização dos
secadores e tulhas de armazenagem.
O café cereja descascado mantém na sua composição a mucilagem em volta do
grão, o que transmite características desejáveis para os grãos em termos de
qualidade de bebida. Na característica da bebida, o café cereja despolpado não deixa
isso ocorrer, pois a mucilagem foi retirada pelo processo de fermentação em
tanques com água.
Outra observação é que os grãos obtidos nesse preparo de café cereja
despolpado, ou seja, que passou pelo processo da degomagem, servem como
produção de sementes para produção de mudas cafeeiras.
Média de custo dessa produção
No entanto, nem tudo são flores. O mínimo exigido na produção do cereja é
um lavador/separador e o descascador, sendo que o terreiro de secagem pode ser
o mesmo utilizado no café convencional, porém, devem ser feitas leiras de
altura baixa e os grãos precisam ser rodados frequentemente com um rodo
especial (todo vazado) e numa frequência maior que o café convencional.
A aquisição dessas máquinas e equipamentos não fica barata, porém, o
investimento é pago mais rapidamente, conforme aumenta a quantidade de café
cereja produzido na propriedade agrícola. E a análise deve ser criteriosa, pois
são máquinas próprias apenas para café, e são utilizadas de três a quatro meses
por ano-safra, ficando ociosas no restante do período considerado de 12 meses.
Procurar linhas de financiamento pode ser uma saída para evitar a
descapitalização do cafeicultor, visto que esse investimento será com retorno
de médio a longo prazo.
Sobre leiras ventiladas e terreiros híbridos pode-se inferir que são
técnicas desenvolvidas para locais onde durante a colheita ou a secagem do café
ocorre chuva, e também associa-se o uso do terreiro convencional (concreto ou
asfaltado) com o calor propagado por ciclones de ar quente originados por
fornalhas de lenha.
Trata-se de canais abertos no terreiro onde circula ar quente
internamente à massa de café, acelerando o processo de secagem em relação ao
uso apenas do calor do sol. Nessas regiões é complicado secar o café cereja em
terreiros convencionais, pois pode chover em cima desse café e prejudicar o
lote de maneira irreversível, devido a fermentações indesejáveis, favorecendo a
formação de grãos com aspecto de ardidos ou fermentados.
Outro fator que aumenta os custos do preparo do café por despolpamento é
a poluição causada pelas águas de lavagem dos cafés, contendo alta porcentagem
de açúcares e material orgânico. Estas, despejadas diretamente em cursos d
água, causam redução do nível de oxigênio da água e, consequentemente, morte de
peixes e outros inimigos das larvas dos mosquitos, que assim se proliferam e passam
a atacar os moradores das propriedades rurais ou de vilarejos próximos.
Soluções para esse problema são abrir lagos de decantação, o que reduz o
despejo de resíduos sólidos e usar menor volume de água no despolpamento.
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