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Rodrigo Neves Marques
Engenheiro agrônomo,
doutorando em Entomologia
O controle fitossanitário na cultura da laranja é um dos aspectos mais
importantes para o processo produtivo. Cultura perene, com vastas áreas de
cultivo, apresenta grande quantidade de insetos-pragas e patógenos.
Grande parte do capital empregado na citricultura é consumida pelo manejo
fitossanitário dos pomares, com altos gastos para o controle de ácaros,
insetos, fungos e bactérias. Todas as regiões produtoras do estado de São Paulo
demandam cuidados especiais com o controle de insetos e patógenos pragas,
alguns com maior importância em determinadas regiões, o que pode se inverter em outras. Tudo depende
da região e das condições edafoclimáticas da microrregião em que foi
estabelecida a cultura.
A monocultura e a condição perene desta cultura são favoráveis ao
desenvolvimento de patógenos e insetos pragas, já que não há uma quebra de
ciclo destes organismos. No entanto, um bom manejo fitossanitário estabelecido
desde a produção da muda até a condução dos pomares mais antigos é essencial
para a longevidade e alta produtividade dos laranjais.
Diversidade
Podemos destacar várias doenças e insetos pragas presentes na cultura, que
serão aqui mencionadas, mas uma merece atenção especial. O Huanglongbing
(HLB), que no início de sua descoberta era conhecido como "Greening", tem
fundamental importância durante toda a vida do pomar.
Doença causada por bactérias que habitam o floema (Candidatus Liberibacter americanus e Ca. L. asiaticus) e transmitidas pelo inseto sugador Diaphorina citri
(popularmente conhecido como psilídeo dos citros), ela ataca a planta de
maneira sistêmica, sendo que uma vez observado o sintoma em qualquer parte da
planta, esta deve ser erradicada e nunca podada.
O estado de São Paulo possui campanhas de conscientização excelentes para
o manejo desta cultura lançadas pelo Fundecitrus e pela Defesa Fitossanitária do
Estado, sendo dever de todo citricultor colaborar com esta campanha, garantindo
longa vida à citricultura paulista.
Em primeiro lugar, para que o manejo fitossanitário seja eficiente, é
fundamental a adoção de estratégias de amostragem para a determinação dos
níveis de controle de cada praga. No entanto, em algumas situações esta
estratégia é um pouco complicada, principalmente quando falamos de patógenos
vasculares, pois causam doenças que não podem ser controladas de maneira
curativa, somente manejadas por meio do controle do inseto vetor e redução de inóculo
na área.
Ácaros pragas
Os ácaros são importantes pragas na cultura da laranja, com atenção
especial para o ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis. Este ácaro é responsável pela transmissão do
vírus causador da Leprose dos citros, causando queda de frutos, seca de ramos,
além de lesões que depreciam o fruto, caso este seja comercializado como fruta
de mesa.
O ácaro da leprose, também chamado de ácaro plano, devido às suas
características morfológicas, pode ser encontrado em todas as partes das plantas,
porém está presente com maior frequência nos frutos. Para seu manejo, são
adotados níveis de controle determinados por amostragens nos pomares cítricos,
que são 10% de frutos com pelo menos um ácaro quando houver sintomas de ataque,
ou 15% quando não houver sintomas de leprose.
O manejo desta doença baseia-se principalmente no controle do ácaro da
leprose, realizado com o uso de acaricidas registrados para a cultura da
laranja. Os sintomas da doença podem ser observados em folhas, frutos e ramos.
Em folhas observa-se manchas cloróticas, variando de amarelo-claro ao
marrom, com formato geralmente circular e, em alguns casos, apresentando um
ponto central e círculos concêntricos. No caso de ramos, os sintomas variam
entre as variedades cítricas, porém, apresentam-se como lesões que coalescem,
promovendo a seca do ramo.
Em frutos, os sintomas
apresentam-se como manchas circulares rasas e escuras ao centro, tornando-se
corticosos e secos em algumas variedades. A quantidade de lesões na planta está
diretamente ligada à população de ácaros, sendo que quanto maior a presença do
vetor, maior é a severidade da doença.
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