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Cultivo Protegido: Menos risco, mais qualidade da rúcula

 

Jorge Luiz Barcelos Oliveira

Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

www.labhidro.cca.ufsc.br  labhidro@cca.ufsc.br

 

Pouca gente sabe, mas o Laboratório de Hidroponia da UFSC, em Florianópolis, foi criado em cima de uma grande decisão tomada em 1996. Naquele ano, eu como professor e pesquisador decidi que investiria meu tempo somente em cultivo protegido e irrigação localizada. Logo em seguida foi criado o LabHidro, abrindo caminho para minhas pesquisas em hidroponia.

Com diploma de doutorado na área de irrigação, me cansei de ver notícias sobre fracassos e queixas de produtores rurais, ano após ano, sempre relacionadas ao clima. Foi muito fácil tomar aquela decisão! As tais manchetes continuam, basta abrir o jornal: excesso de chuva ontem, estiagem hoje.

Percebi que é mais garantido, e geralmente mais lucrativo, cultivar em 500m2 debaixo de uma estufa do que em 10.000m2 a campo. O esforço físico e os riscos são menores. O único esforço é no sentido de buscar informações para o melhor manejo. Outra boa notícia: este tipo de ganho ninguém mais tira. Fica para sempre. Quanto mais o produtor busca informações, mais forte ele se torna (é o contrário do esforço físico).

Com maior controle sobre o clima e com melhor cuidado no manejo da planta o produto final adquire melhor qualidade e os insumos são otimizados. Gasta-se menos e ganha-se mais. Frutas e verduras sofrem menos e, por isso, ficam mais saborosas. A rúcula é um grande exemplo. Ela passou a ser produzida com toda força.

 

Rúcula: antes amarga, agora refinada

 

Antigamente a rúcula tinha sabor amargo e era muito picante. Por isso era amada somente por uma minoria insignificante, e odiada pela maioria. Alguns poucos idosos, geralmente de origem italiana, a cultivavam para consumo próprio. O resto queria distância.

Hoje o quadro é outro. A rúcula é mais uma entre outras verduras presente na mesa. No prato, no lanche, numa pizza até jovens e crianças a saboreiam.

 

O diferencial

 

A palavra-chave é cultivo protegido. Esta técnica de cultivo protege melhor as plantas das intempéries e das pragas e patógenos. Isto acabou fazendo muita diferença para a cultura da rúcula.

Extremamente sensível, a rúcula se ressente quando não recebe cuidados especiais. Torna-se amarga, picante e fibrosa. O sabor amargo é uma característica da rúcula (assim como a escarola), mas quando cultivada "ao relento" parece multiplicado por 10. Também, assume sabor picante semelhante ao do agrião.

Mas como o extremo tem dois lados, o outro lado está mais de acordo com os conceitos atuais na culinária. Quando a rúcula é bem manejada, bem nutrida e protegida torna-se uma verdura nobre. Seu sabor característico torna-se suave e quando manuseada ou cortada exala um aroma inconfundível, dando um toque especial à salada.

 

Novo conceito de agricultura

 

De norte a sul do Brasil, a melhor maneira de cultivar rúcula é na forma de cultivo protegido. Plantada no solo ou na hidroponia, as plantas recebem algum tipo de proteção (da chuva ou do excesso de radiação solar, do frio ou do calor, ou ainda do conjunto desses fatores).

A verdade é que o cultivo protegido se enquadra num novo conceito de se fazer agricultura. Historicamente, as estufas agrícolas eram utilizadas mais para produção de mudas. Hoje, o cultivo em estufas é sinônimo de estabilidade na produção. Naturalmente, não se trata de uma estabilidade garantida, pois exige mais profissionalismo e treinamento. Nada difícil de obter nos dias de hoje, onde o acesso às informações é facilitado.

 

Inserida na paisagem

 

Ninguém mais estranha a presença de estufas ou telados agrícolas durante um passeio de carro pela periferia das cidades ou pelas áreas rurais. O cultivo de flores e de hortaliças são os mais comuns. Mas em algumas regiões é possível observar fileiras de laranjais e de macieiras protegidas com tela antigranizo, parreirais cobertos com filme plástico, e assim por diante.


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