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Rodrigo Cezar Franzon
Pesquisador da Embrapa Cerrados
rodrigo.franzon@cpac.embrapa.br
No Bioma Cerrado, existem diversas espécies de fruteiras com potencial
para exploração econômica. No entanto, do total desse Bioma, cerca
de 40% do território já foi alterado em função da ocupação agrícola
e urbana. Esse desmatamento intensivo de grandes áreas de Cerrado
trouxe grande ameaça para os recursos genéticos existentes na
região.
A ocupação de áreas de ocorrência natural das espécies do Cerrado vem
ocasionando fragmentação de populações, ou seja, restam apenas
pequenas áreas, denominadas remanescentes, o que pode trazer sérias
consequências para a manutenção da variabilidade genética e
sobrevivência de várias espécies.
A fragmentação florestal é uma ameaça presente em todos os ecossistemas do
planeta. A redução no número de indivíduos, o declínio nos tamanhos
populacionais médios e a separação de remanescentes florestais por
áreas não florestadas afetam processos genéticos fundamentais
ocorrentes nas populações nativas, como a deriva genética, o fluxo
gênico e a reprodução.
Já foram registradas mais de 12 mil espécies de plantas no Bioma Cerrado,
sendo que várias delas possuem utilização regional e muitas se
enquadram em mais de um tipo. De maneira geral, as plantas nativas
do Cerrado possuem importância para a propriedade rural, onde várias
espécies destacam-se pela utilização alimentar, medicinal,
madeireira, tintorial, ornamental, corticeira, melífera, além de
outros usos.
No caso das fruteiras nativas do Cerrado, além de constituir importante
fonte de alimentos para os animais, frutos como pequi, cagaita,
araticum, baru, jatobá, mangaba, cajuí, jenipapo e buriti podem ser
consumidos e (ou) comercializados in natura ou sob diferentes
formas, como doces, geleias, bolos, pães, farinhas, biscoitos,
sorvetes, pudins, sucos, licores e tortas.
Espécies
Atualmente, em torno de 60 espécies de frutas nativas são conhecidas e
utilizadas pela população tradicional que vive no Cerrado.
Entretanto, o seu uso restringe-se, ainda, ao usuário local e de
forma essencialmente extrativista, já que muitos frutos nativos,
embora conhecidos, não são explorados, e devem merecer maior atenção
por parte da pesquisa.
Além da utilização para a produção de frutas, algumas espécies nativas
também vêm despertando a atenção da indústria farmacêutica, pois as
frutas são ricas em vitaminas e em substâncias antioxidantes, entre
outras, como óleos essenciais que podem ser extraídos das folhas e
de outras partes da planta.
Assim, estas espécies, hoje desconhecidas do mercado consumidor, podem, a
médio e longo prazo, constituírem-se em espécies de importância
comercial, principalmente para o pequeno produtor rural. Ao mesmo
tempo, poderão trazer benefícios para os consumidores através da
diversificação da dieta com base em frutas. Desse modo, há um grande
campo com potencial a ser explorado para a inserção de novas
espécies em sistemas produtivos.
Diante desse cenário, fica evidente a necessidade de estudos que visem à
preservação e aproveitamento de espécies frutíferas nativas nos
sistemas de produção agrícola. Atualmente, a exploração é
essencialmente extrativista e, muitas vezes, predatória, tornando-se
imprescindível que o cultivo delas seja iniciado. Entretanto, na
maioria dos casos, cultivos comerciais não podem ser iniciados em
decorrência do pouco conhecimento sobre a distribuição da
variabilidade genética; falta de informações sobre técnicas de
cultivo e propagação e, também, sobre o crescimento e
desenvolvimento dessas espécies.
Em muitos casos, além de serem preservadas e estudadas em seu habitat,
espécies nativas devem ser mantidas em coleções, com o objetivo de
aumentar a conservação, para que possam passar por um processo de
seleção de clones visando o início de seu cultivo e também o
melhoramento genético.
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