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Waldir A. Marouelli
Pesquisador da Embrapa
Hortaliças
waldir@cnph.embrapa.br
A irrigação, quando realizada de forma adequada, é uma das práticas
agrícolas que mais favorecem o bom desenvolvimento e a produção do meloeiro. A
escolha correta do sistema de irrigação e o suprimento adequado de água às
plantas são decisivos para o sucesso da cultura.
O sistema de irrigação por gotejamento aplica água diretamente no solo
sem molhar a parte aérea das plantas, reduzindo a incidência de doenças e
aumentando a produtividade e a qualidade de frutos.
Por essas razões, o gotejamento é o sistema mais indicado para a produção
de melão, seja em campo ou em ambiente protegido. Deve também ser utilizado
quando o meloeiro é cultivado usando cobertura do solo (mulching) com plástico
não transparente.
Por molhar somente parte do solo e apresentar alta eficiência de
irrigação, pode reduzir o uso de água em mais de 60% quando comparado à
irrigação por sulco, outro sistema bastante utilizado no Brasil para a produção
de melão.
Aspecto importante para o sucesso e viabilização econômica do gotejamento
na cultura do meloeiro é o uso da fertirrigação.
Sistema por gotejamento
O sistema por gotejamento é composto por um conjunto motobomba, cabeçal
de controle, incluindo sistema de filtragem de água e de injeção de
fertilizantes, linha adutora, linhas de distribuição, linhas laterais de
gotejadores, válvulas, registros e acessórios.
Válvulas reguladoras de pressão, ventosas, antivácuo e de final de linha
devem ser utilizadas para que o sistema apresente bom funcionamento e maior
eficiência de irrigação. O sistema pode ser automatizado por meio de
controladores, válvulas hidráulicas ou solenoides e sensores.
As linhas laterais podem ser do tipo fita ou tubo gotejador. O diâmetro
varia de 16-20 mm
e a espessura de parede entre 0,1-1,2 mm. As de maior espessura apresentam maior
durabilidade. As linhas laterais com espessura de parede entre 0,1-0,6 mm são mais utilizadas
por reduzir custos e facilitar o rebobinamento no final da safra.
A vazão por gotejador geralmente varia de 0,5-4,0 L/h, sendo mais
utilizados os com vazões de 1,0-2,5 L/h. Gotejadores do tipo autocompensado
apresentam pequena alteração de vazão quando submetidos a variações de pressão
na linha lateral, permitindo maior uniformidade na distribuição da água.
Para o cultivo do meloeiro, os gotejadores devem ser espaçados de modo a
formar uma faixa molhada ao longo da fileira de plantas. A distância entre
gotejadores é função do diâmetro do bulbo molhado formado pelo gotejador, que
por sua vez depende, sobretudo, do solo. Adotar um espaçamento de 20-30 cm em solos arenosos e de
40-60 cm
em solos argilosos.
Para que possa atender plenamente às necessidades de água da cultura, o
sistema de irrigação deve ser devidamente dimensionado. O produtor deve
procurar uma empresa idônea e de reconhecida competência técnica que elabore o
projeto e ofereça equipamentos de qualidade e assistência técnica adequada.
Eficiência da irrigação
Para sistemas por gotejamento adequadamente dimensionados, a eficiência
de irrigação varia entre 80-95%. É comum encontrar sistemas com eficiência
abaixo de 60%, seja em razão do dimensionamento inadequado, uso de equipamento
de baixa qualidade, falta de manutenção ou problemas de entupimento.
As principais vantagens do gotejamento, comparativamente à irrigação por
sulco, são: menor uso de água (50-70%) e de mão de obra (60-80%); maior
produtividade (20-50%); alta eficiência de irrigação (80-95%) e uso da
fertirrigação. Além disso, o gotejamento pode ser utilizado nos mais diversos
tipos de solo, topografia e clima.
As principais desvantagens são: maior custo do sistema, facilidade de
entupimento e necessidade de remoção das linhas laterais no final de cada
safra. Apesar disso, o sistema, por propiciar aumentos expressivos na
produtividade e melhoria da qualidade dos frutos, tem se mostrado altamente
viável para o cultivo do meloeiro.
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