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Espaçamento adensado do algodão é nova tecnologia

 

Imediatamente após a colheita da soja ou do feijão, explica o engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e pesquisador da Embrapa Algodão, Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira, deve ser realizada a semeadura do algodão, no espaçamento de 45 cm entre fileiras, com a população em torno de 200 mil plantas/ha.

Resultados de pesquisa e as experiências das duas últimas safras indicam que o risco de semear após o início de fevereiro tende a aumentar gradativamente, devido à interrupção das chuvas após meados de abril, justamente na fase do desenvolvimento reprodutivo do algodoeiro, na qual a demanda por água é elevada. Isso pode fazer com que as estruturas reprodutivas sejam abortadas e a produtividade fique seriamente comprometida. Assim, Alexandre Cunha recomenda que a semeadura seja realizada preferivelmente até 20 a 25 de janeiro.

"Muito cuidado deve se ter para que o feijão ou a soja não se tornem invasoras na lavoura de algodão. Por isso, o manejo de plantas infestantes com herbicidas pré-emergentes deve ser rigoroso, assim com o uso de herbicidas pós-emergentes seletivos ao algodoeiro, como o trifloxissulfurom-sódico e o piritiobaque-sódico", exemplifica o pesquisador.

Assim, cultivares de algodão geneticamente modificadas, com tolerância a herbicidas, poderão ser boa estratégia para o manejo de invasoras, mas para isso as culturas em sucessão não poderão ser tolerantes ao mesmo herbicida.

O sistema de cultivo adensado em safrinha exige muita atenção para que os algodoeiros não cresçam em demasia, o que exige rigoroso programa de controle do crescimento por meio de fitorreguladores. Para a colheita mecanizada, a altura final dos algodoeiros deve estar entre 70 a 80 cm, e as plantas devem ser compactas, com poucas ramificações laterais.

 

Investimentos

 

De acordo com Alexandre Cunha, os investimentos no algodão adensado são praticamente os mesmos do cultivo na época tradicional, com possível redução da adubação nitrogenada, caso o algodoeiro seja cultivado após a soja, que apresenta alta capacidade de fixação biológica de nitrogênio.

Quanto aos defensivos agrícolas, em virtude da formação de 16 a 18 nós e produção apenas das primeiras posições frutíferas do algodoeiro, o ciclo tende a ser um pouco menor, conforme verificado nas pesquisas realizadas pela Embrapa Algodão e Fundação Goiás, em ambientes de 570 m e de 950 m de altitude.

Como o ciclo é um pouco menor, a necessidade de pulverizações com inseticidas e fungicidas tende a ser reduzida, o que representa menor custo de produção. Em relação à colheita, os equipamentos tradicionais do tipo "picker" de fusos não são adequados para o algodão adensado, razão pela qual se deve investir em máquinas do tipo "stripper", como as de "pente" ou de "escova".

A aquisição e a manutenção das colhedoras do tipo "stripper" são menos dispendiosas do que as do tipo "picker", mas precisam de ajustes para redução das perdas e de impurezas na fibra colhida. Em termos gerais, justifica o pesquisador da Embrapa, o custo de produção tem sido inferior, sobretudo em virtude da diminuição do uso de fertilizantes, e do menor uso de defensivos.

 

Produtividade do algodão adensado

 

Normalmente a produtividade do algodão cultivado no sistema adensado em safrinha é inferior à obtida no cultivo em espaçamento normal (76 a 90 cm entre fileiras) na época de semeadura tradicional (15 de novembro a 20 de dezembro).

Isso se torna mais evidente na medida em que há atraso na semeadura do algodoeiro, pois menos capulhos serão formados. "Apesar de a produtividade tender a ser menor, como são obtidas duas safras na mesma área, em curto prazo o retorno do sistema safra de soja ou feijão e safrinha de algodão pode ser maior, obviamente o que dependerá do custo de produção, das condições edafoclimáticas, do manejo executado e das produtividades obtidas", compara Alexandre Cunha.

 

Custo-benefício

 

Dados preliminares apenas da safra de 2009, no Mato Grosso, mostraram redução dos custos da ordem de 20%. Para a safra 2010, embora as produtividades esperadas sejam menores, o preço do algodão está melhor, o que deve ainda ser favorável economicamente.

A melhor relação custo-benefício do "sistema de produção soja ou feijão/algodão adensado em safrinha" vai depender muito da época de semeadura da soja ou do feijão, da colheita dessas culturas e posterior data de semeadura do algodão, bem como das condições climáticas, sobretudo da precipitação pluvial, do manejo cultural e fitossanitário executados, da produtividade das culturas e dos valores pagos aos produtos colhidos.

Resultados mais confiáveis somente deverão estar disponíveis após o término da colheita da safra 2010, pois, segundo Alexandre Cunha, de apenas um ano é pouco representativo, por se tratar de um novo sistema de cultivo.


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