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Praga disseminada no Brasil todo
O ácaro-da-leprose Brevipalpus
phoenicis tem esse nome devido ao fato deste artrópode ser o vetor da
doença leprose dos citros. Também é chamado de ácaro da mancha-anular do
cafeeiro, por ser supostamente o vetor desta doença no cafeeiro.
A importância deste ácaro se refere à imensa diversidade de hospedeiros
com que o mesmo pode se alimentar. Hoje se tem registro de mais de 33
hospedeiros do ácaro-da-leprose, dentre eles plantas invasoras, fruteiras e
ornamentais. O ácaro B. phoenicis foi
detectado pela primeira vez na Holanda se alimentando de Phoenix sp.
Esta espécie possui ampla distribuição geográfica, ocorrendo sobre grande
número de espécies de plantas hospedeiras. No continente africano, encontram-se
registros do aparecimento do ácaro-da-leprose na África do Sul; Angola; Egito;
Moçambique; Malavi; Maurício; Nigéria; Quênia; Rodésia; Sudão; Tanzânia e
Uganda; no Brasil, os registros se deram nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará,
Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo; além de ter sido
encontrado também na Colômbia, nos EUA e em Porto Rico.
Prejuízos ao cafezal
Nas folhas, os ácaros localizam-se na página inferior, próximo às
nervuras, principalmente a central. Nos frutos, explica o professor da
Universidade Federal de Viçosa (UFV), Flávio Lemes Fernandes, ácaros e ovos são
encontrados principalmente na coroa e no pedúnculo, sendo também encontrados em
fendas e lesões na casca dos frutos com aspecto de cortiça. Nos ramos, são frequentemente
encontrados abrigados em fendas existentes na casca e também nos entrenós.
Esta praga tem causado inúmeros danos à cultura do café Conillon e
Arábica. Além do dano quantitativo (redução da produção), causado pela queda
das folhas, ocorre também uma redução na qualidade do café, provavelmente em
função da posterior ocorrência de fungos associados às infestações do ácaro,
que ocasionarão fermentações indesejáveis durante a seca do café. Após o ataque
do ácaro, os frutos ficam predispostos à penetração e micro-organismos, como o
fungo Colletotrichum gloeosporioides,
e que é comum ser encontrado em condições saprofíticas em cafeeiros. Este
fungo está associado à redução da qualidade da bebida do café.
O ataque deste ácaro tem sido correlacionado também com a doença
mancha-anular, causada pelo vírus do grupo dos Rhabdovirus. Esta doença causa
clorose no tecido vegetal, de contorno quase sempre bem delimitado, às vezes
com um ponto necrótico central nos frutos. Tanto nos frutos quanto nas folhas
tem-se a presença de um anel, podendo coalescer, abrangendo grande parte do
limbo. As lesões nos frutos e folhas podem ser devido a toxinas injetadas pelo
ácaro.
Sintomas
Plantas atacadas e com sintomas do ataque do ácaro ficam bastante
desfolhadas, de dentro para fora, ficando "ocas". Os frutos apresentam lesões
cor de ferrugem (marrom claro), evoluindo depois para uma cor negra, alguns
recobertos por fungos oportunistas, aparecendo um pó branco sobre as lesões.
Controle
Flávio Lemes alerta que o ácaro-da-leprose no cafeeiro é considerado uma
praga cosmopolita e polífaga, sendo assim extremamente complicado se utilizar
medidas preventivas para seu controle. No entanto, existem inúmeras estratégias
que podem ser utilizadas de forma a dificultar a instalação deste artrópode
praga na lavoura cafeeira. As principais estratégias que poderiam ser
utilizadas são:
- Evitar cultivos próximos a locais onde a circulação de veículos em
estradas de terra seja muito frequente, uma vez que a poeira proveniente das
estradas serve para proteger os ácaros sobre as folhas contra pulverizações;
além disso, estes locais são ideais para sua reprodução.
- A qualidade nutricional das plantas hospedeiras é de extrema
importância na regulação das populações de herbívoros, pois influencia a
sobrevivência, o desenvolvimento, o crescimento, a reprodução e principalmente
o comportamento dos insetos. O balanço entre compostos fagoestimulantes e/ou
deterrentes presentes nas plantas é de grande importância na seleção hospedeira
pelos fitófagos. Assim, compostos fagoestimulantes como o nitrogênio podem
favorecer as populações deste artrópode.
O nitrogênio presente nos aminoácidos e proteínas é considerado o
elemento mais limitante para os insetos. Assim, desbalanços nutricionais
ocasionados por adubações nitrogenadas excessivas, com aumento de aminoácidos,
podem favorecer o desenvolvimento desta praga em plantas de café. Desta forma,
sugere-se o uso de adubação equilibrada respeitando as necessidades da cultura
e a disponibilidade de nutrientes no solo.
- O uso de quebra-ventos é ideal para reduzir a dispersão dos ácaros ao
longo das lavouras. Deve-se tomar cuidado para não se utilizar plantas quebra-vento
que são hospedeiras do ácaro. Estudos realizados sobre a capacidade de
colonização de B. phoenicis em
quebra-ventos utilizados em pomares cítricos sugeriram que urucum (Bixa orellana), hibisco (Hibiscus sp.) e malvavisco (Malvaviscus mollis) não devem ser
utilizados, por facilitarem a sobrevivência e o aumento populacional de B. phoenicis.
Estas plantas poderiam representar importantes focos de infestação aos
pomares. Já o pinus (Pinus sp.) e a primavera
(Bougainvillea spectabilis) não são
favoráveis ao desenvolvimento de B.
phoenicis, sendo plantas recomendadas para uso como quebra-ventos. As espécies
sansão-do-campo (Mimosa caesalpiniaefolia),
jambolão (Eugenia laevigata),
ponciros (Poncirus trifoliata) e
grevílea (Grevillea robusta) são
intermediárias quanto à capacidade de colonização deste ácaro.
- Evitar aplicar o mesmo acaricida repetidamente, uma vez que essa
atitude pode favorecer populações resistentes na área.
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