Revista Campo & Negócios - Ano VII - Nº 90| Revista Campo & Negócios HF - Ano VI - Nº 63
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Ácaro da leprose

 

Praga disseminada no Brasil todo

 

O ácaro-da-leprose Brevipalpus phoenicis tem esse nome devido ao fato deste artrópode ser o vetor da doença leprose dos citros. Também é chamado de ácaro da mancha-anular do cafeeiro, por ser supostamente o vetor desta doença no cafeeiro.

A importância deste ácaro se refere à imensa diversidade de hospedeiros com que o mesmo pode se alimentar. Hoje se tem registro de mais de 33 hospedeiros do ácaro-da-leprose, dentre eles plantas invasoras, fruteiras e ornamentais. O ácaro B. phoenicis foi detectado pela primeira vez na Holanda se alimentando de Phoenix sp.

Esta espécie possui ampla distribuição geográfica, ocorrendo sobre grande número de espécies de plantas hospedeiras. No continente africano, encontram-se registros do aparecimento do ácaro-da-leprose na África do Sul; Angola; Egito; Moçambique; Malavi; Maurício; Nigéria; Quênia; Rodésia; Sudão; Tanzânia e Uganda; no Brasil, os registros se deram nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo; além de ter sido encontrado também na Colômbia, nos EUA e em Porto Rico.

 

Prejuízos ao cafezal

 

Nas folhas, os ácaros localizam-se na página inferior, próximo às nervuras, principalmente a central. Nos frutos, explica o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Flávio Lemes Fernandes, ácaros e ovos são encontrados principalmente na coroa e no pedúnculo, sendo também encontrados em fendas e lesões na casca dos frutos com aspecto de cortiça. Nos ramos, são frequentemente encontrados abrigados em fendas existentes na casca e também nos entrenós.

Esta praga tem causado inúmeros danos à cultura do café Conillon e Arábica. Além do dano quantitativo (redução da produção), causado pela queda das folhas, ocorre também uma redução na qualidade do café, provavelmente em função da posterior ocorrência de fungos associados às infestações do ácaro, que ocasionarão fermentações indesejáveis durante a seca do café. Após o ataque do ácaro, os frutos ficam predispostos à penetração e micro-organismos, como o fungo Colletotrichum gloeosporioides, e que é comum ser encontrado em condições saprofíticas em cafeeiros. Este fungo está associado à redução da qualidade da bebida do café.

O ataque deste ácaro tem sido correlacionado também com a doença mancha-anular, causada pelo vírus do grupo dos Rhabdovirus. Esta doença causa clorose no tecido vegetal, de contorno quase sempre bem delimitado, às vezes com um ponto necrótico central nos frutos. Tanto nos frutos quanto nas folhas tem-se a presença de um anel, podendo coalescer, abrangendo grande parte do limbo. As lesões nos frutos e folhas podem ser devido a toxinas injetadas pelo ácaro.

 

Sintomas

 

Plantas atacadas e com sintomas do ataque do ácaro ficam bastante desfolhadas, de dentro para fora, ficando "ocas". Os frutos apresentam lesões cor de ferrugem (marrom claro), evoluindo depois para uma cor negra, alguns recobertos por fungos oportunistas, aparecendo um pó branco sobre as lesões.

 

Controle

 

Flávio Lemes alerta que o ácaro-da-leprose no cafeeiro é considerado uma praga cosmopolita e polífaga, sendo assim extremamente complicado se utilizar medidas preventivas para seu controle. No entanto, existem inúmeras estratégias que podem ser utilizadas de forma a dificultar a instalação deste artrópode praga na lavoura cafeeira. As principais estratégias que poderiam ser utilizadas são:

- Evitar cultivos próximos a locais onde a circulação de veículos em estradas de terra seja muito frequente, uma vez que a poeira proveniente das estradas serve para proteger os ácaros sobre as folhas contra pulverizações; além disso, estes locais são ideais para sua reprodução.

- A qualidade nutricional das plantas hospedeiras é de extrema importância na regulação das populações de herbívoros, pois influencia a sobrevivência, o desenvolvimento, o crescimento, a reprodução e principalmente o comportamento dos insetos. O balanço entre compostos fagoestimulantes e/ou deterrentes presentes nas plantas é de grande importância na seleção hospedeira pelos fitófagos. Assim, compostos fagoestimulantes como o nitrogênio podem favorecer as populações deste artrópode.

O nitrogênio presente nos aminoácidos e proteínas é considerado o elemento mais limitante para os insetos. Assim, desbalanços nutricionais ocasionados por adubações nitrogenadas excessivas, com aumento de aminoácidos, podem favorecer o desenvolvimento desta praga em plantas de café. Desta forma, sugere-se o uso de adubação equilibrada respeitando as necessidades da cultura e a disponibilidade de nutrientes no solo.

- O uso de quebra-ventos é ideal para reduzir a dispersão dos ácaros ao longo das lavouras. Deve-se tomar cuidado para não se utilizar plantas quebra-vento que são hospedeiras do ácaro. Estudos realizados sobre a capacidade de colonização de B. phoenicis em quebra-ventos utilizados em pomares cítricos sugeriram que urucum (Bixa orellana), hibisco (Hibiscus sp.) e malvavisco (Malvaviscus mollis) não devem ser utilizados, por facilitarem a sobrevivência e o aumento populacional de B. phoenicis.

Estas plantas poderiam representar importantes focos de infestação aos pomares. Já o pinus (Pinus sp.) e a primavera (Bougainvillea spectabilis) não são favoráveis ao desenvolvimento de B. phoenicis, sendo plantas recomendadas para uso como quebra-ventos. As espécies sansão-do-campo (Mimosa caesalpiniaefolia), jambolão (Eugenia laevigata), ponciros (Poncirus trifoliata) e grevílea (Grevillea robusta) são intermediárias quanto à capacidade de colonização deste ácaro.

- Evitar aplicar o mesmo acaricida repetidamente, uma vez que essa atitude pode favorecer populações resistentes na área.

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