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Saulo
P. S. Guerra
ssguerra@fca.unesp.br
Kléber
Pereira Lanças
Professores da FCA/UNESP-Botucatu
kplancas@fca.unesp.br
As
extensas áreas agrícolas do Brasil, com diferentes características de solo,
relevo e clima e o significativo crescimento da mecanização agrícola,
principalmente da colheita mecanizada, em algumas situações são trabalhadas de
forma exaustiva e, muitas vezes, inadequada. Esse manejo não respeita a
capacidade de suporte de carga do solo (CSCS) e o seu teor de água ideal para o
tráfego de máquinas, e por isso tem sido responsável, em boa parte, pela
deterioração e empobrecimento dos solos agrícolas brasileiros.
O tráfego agrícola
indiscriminado tem contribuído para o surgimento de camadas compactadas dos
solos agrícolas. Quando os demais atributos do solo se mantêm estáveis, é o
teor de água que governa a quantidade de deformação que pode ocorrer no solo.
Assim, estando o solo
mais seco, maior será a sua capacidade de suporte de carga e menor a
probabilidade de compactação. Portanto, solos mecanizados com teores de água
inadequados (região de plasticidade) podem ter sua estrutura comprometida.
Em grandes áreas, sejam de culturas anuais ou perenes, a
avaliação da relação massa/volume (densidade) do solo, atributo ainda
amplamente utilizado como indicador da compactação, tem cedido espaço aos
modelos de predição da CSCS, que é uma forma de avaliar os efeitos do tráfego
sobre a estrutura do solo, por meio das propriedades dinâmicas do perfil:
pressão de preconsolidação (σp), índice de cone (IC), tensão de
cisalhamento (τ), coesão aparente do solo (c) e o ângulo de atrito interno
do solo (ϕ).
Desafio
Distribuir o peso das
máquinas que trafegam no solo agrícola de forma que forneçam uma máxima
eficiência trativa (maior capacidade de tração), menor consumo energético
(combustível, lubrificante e outros) por área trabalhada e, ao mesmo tempo,
agridam o mínimo possível o solo, ou seja, provoquem menor compactação, é o
desafio dos fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas da atualidade e
dos agricultores em geral.
Parâmetros do solo,
tais como o Índice de Cone (resistência mecânica do solo à penetração de um
cone normalizado) e a Capacidade de Suporte de Carga (pressão de
preconsolidação do solo), ambos intimamente ligados ao seu teor de água por um
lado e dados sobre a carga aplicada e a área de contato dos rodados dessas
máquinas agrícolas por outro, são fatores de extrema importância para um bom
gerenciamento do tráfego de máquinas nos solos agrícolas, que deve sempre levar
em consideração a sua conservação.
A Agricultura de
Precisão é uma ferramenta moderna e eficiente de gerenciamento agrícola que
pode e deve auxiliar, de maneira significativa, a melhoria dos preceitos da
conservação do solo.
Gerenciamento
Para o bom gerenciamento
das diversas atividades agrícolas são necessárias grandes quantidades de
informações, precisas e georreferenciadas, tanto do solo como da cultura e do
meio ambiente.
Com o surgimento
do GPS (Geographic Positioning System) e das diversas técnicas e programas
computacionais da geoestatística, tornou-se possível a obtenção dessas
informações de forma precisa e em grande quantidade, com um custo por
amostragem ou por área não tão oneroso para o agricultor, como eram os métodos mais
antigos (manuais e morosos, quase impossíveis de serem aplicados a grandes
áreas).
Para a coleta e
armazenamento dos dados necessários para a implantação da Agricultura de
Precisão em uma propriedade agrícola, se fez necessário o projeto e construção
de equipamentos de coleta de amostras que fossem ágeis e que possuíssem os
instrumentos necessários para o mapeamento dessas áreas.
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