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Presos ao solo, os vegetais parecem seres vivos imóveis, não é mesmo? Não
é bem assim, embora fixos ao solo, os vegetais executam movimentos
desencadeados por estímulos externos e até internos: são os chamados movimentos
vegetais.
Dormideira (Mimosa pudica)
Será que as plantas se movem? Essa questão também despertou a atenção de
Charles Darwin, nos idos de 1880. Após ter estudado os efeitos que a exposição
à luz provoca sobre o crescimento de plantas, Darwin escreveu no seu livro
"The Power of Movement in Plants": "Quando os brotos são
expostos livremente à luz lateral, há alguma transmissão de influência da parte
superior à inferior, o que faz com que a última se curve". Ao observar os
efeitos da gravidade sobre raízes das plantas, ele anotou: "É somente o
topo que recebe a ação, e esta parte exerce alguma influência sobre as partes
adjacentes, fazendo com que se curvem para baixo".
Sim, as plantas se movem e os movimentos vegetais podem ser classificados
como tactismos, tropismos e nastismos.
O tactismo acontece quando ocorre movimento de todo o organismo, por
exemplo, quando as algas buscam a luminosidade, aproximando-se ou afastando-se
da superfície da água de acordo com o horário do dia.
Já os tropismos e nastismos se referem aos movimentos de órgãos das
plantas. Diferenciam-se porque o tropismo depende da direção do estímulo (ex: o
caule se curva para a luz que vem de uma janela), enquanto que o nastismo
depende da intensidade do estímulo (ex: a flor da planta onze-horas abre suas
pétalas no período em que a luz do dia é mais intensa e temperatura mais
elevada). Pode-se dizer que os nastismos são movimentos reversíveis que se
relacionam à curvatura da planta. Um bom exemplo de natismo é o caso da planta
dormideira (Mimosa pudica), que fecha seus folíolos por meio de uma ação
mecânica.
No tropismo, quando o movimento é realizado em direção ao estímulo,
ocorre tropismo positivo; quando o movimento acontece em direção contrária ao
estímulo natural, ocorre o tropismo negativo. Além disso, no tropismo acontece
uma distribuição desigual de auxina entre os lados da planta, fazendo com que
um dos lados cresça mais lentamente que outro. E o que é a auxina? As auxinas
são os compostos que provocam o alongamento nas células dos brotos de plantas.
As auxinas são sintetizadas e apresentam-se em maior concentração nas áreas nas
quais as células se dividem rapidamente para renovar o seu crescimento. É a
partir dessas áreas que as auxinas são deslocadas por toda a planta. Assim,
temos que:
- Existem movimentos de órgãos de plantas fixas que dividem-se em:
Induzidos por estímulos externos:
Tropismos - quando a direção
do estímulo determina a direção do movimento
Nastismos - quando o estímulo
externo provoca abertura ou fechamento do órgão, independentemente da direção
do estímulo, sendo a intensidade do estímulo mais relevante.
Não induzidos por estímulos externos:
Nutações - movimento autônomo,
típico de plantas trepadeiras volúveis, que faz com que elas alternem seu
crescimento em busca de um ponto de apoio.
Balísticos - movimentos de
esporos ou sementes que são lançados à distância pela abertura explosiva do
esporângio ou do fruto.
Higroscópicos - movimentos
causados por variação de umidade que se segue ao amadurecimento, fazendo com
que os esporângios e os frutos deiscentes se abram para liberar as sementes.
Movimentos locomotores:
Tactismos ou taxias - causados
por estímulos externos e encontrados em seres geralmente unicelulares - hoje
classificados nos Reinos Monera ou Protista - que fazem com que o corpo inteiro
do indivíduo mude de lugar.
Ainda sobre tropismos e nastismos, podemos dizer que existem movimentos
classificados de acordo com a fonte de estímulo que os produz:
Tropismos Fototropismo ou
heliotropismo - quando o crescimento do vegetal se dá em direção a uma
fonte de luz ou afastando-se dela. Podendo, então, ser positivo ou negativo.
Geotropismo - quando a direção
do crescimento do vegetal é afetada pelo efeito da gravidade. Geralmente é
positivo nas raízes e negativo nos caules.
Quimiotropismo - é a tendência
que as raízes dos vegetais têm de crescer em direção a uma fonte de estímulo
químico, que poder ser a água ou minerais.
Haptotropismo ou tigmotropismo
- um bom exemplo é a tendência que as plantas trepadeiras volúveis e as
gavinhas têm de, ao encostar em um objeto sólido, crescer em sua direção. É o
que faz com que uma trepadeira cresça encostada a um muro, ou que as gavinhas
se enrolem ao redor de um suporte.
Nastismos Nictinastia -
causada por fatores que variam conforme seja dia ou noite. Assim, é possível
ocorrer: fotonastia (abertura e fechamento dos estômatos, ex: rainha-da-noite),
termonastia (ex: onze-horas) e higronastia (ex: as folhas de algumas
leguminosas ficam murchas durante o dia e mais viçosas à noite)
Haptonastia ou tigmonastia -
ocorre nas plantas carnívoras que se fecham quando tocadas por algo sólido ou
quando um inseto pousa sobre elas.
Quimionastia - as mesmas
plantas carnívoras têm o seu movimento de fechamento acelerado pelo estímulo
químico depois da captura do inseto
Seismo ou sismonastia - um bom
exemplo é o movimento da dormideira ou sensitiva (Mimosa pudica) que se fecha
quando é tocada.
Fonte: www.jardimdeflores.com.br
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