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Bioestimulantes
Mais produtividade e qualidade vegetal
Bioestimulantes são produtos, não nutrientes, que vão agir
em momentos críticos do ciclo vegetativo, fornecendo energia necessária para
que a planta tenha grandes incrementos em qualidade e produtividade. De maneira
geral, esses momentos podem ser de origem fisiológica ou interna (germinação,
florescimento, maturação etc.) ou causados por fatores externos (stress
hídrico, fitotoxidez, temperatura, pragas, doenças, deficiência nutricional,
entre outros).
Tais produtos, normalmente, são misturas de diversas
substâncias, como aminoácidos, ácidos orgânicos (fúlvicos e húmicos), extrato
de algas e hormônios vegetais. Nilva Teresinha Teixeira, doutora em Agronomia,
consultora e professora do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do
Pinhal (UNIPINHAL), explica que eles funcionam como ativadores do metabolismo
celular na planta, dando vigor ao sistema imunológico. Além disso, os
bioestimulantes reativam processos fisiológicos nas diferentes fases de
desenvolvimento, estimulam o crescimento radicular, induzem a formação de novos
brotos, entre outros - muitos deles promovem a divisão celular.
O PhD em Fitotecnia e professor da Universidade de Passo
Fundo (UPF), Geraldo Chavarria, acrescenta que são substâncias que não têm somente
cunho nutricional (aminoácidos, por exemplo), mas também de estímulo do
metabolismo da planta de forma mais abrangente, a ponto de podermos considerar
alguns fungicidas à base de estrobilurinas também como bioestimulantes.
Atuação
Os bioestimulantes podem atuar diretamente nas diferentes
estruturas celulares e nelas provocar alterações físicas, químicas e
metabólicas. "Tal produto pode, pela sua composição, proporcionar o aumento do
metabolismo vegetal, acrescendo, então, o nível de energia das plantas, de
multiplicação celular. Ele favorece o desenvolvimento vegetal, seu enraizamento
e sua resistência aos fatores adversos de clima", detalha Nilva Teixeira.
Ainda de acordo com ela, ao promover aumento do
enraizamento, os bioestimulantes melhoram a absorção de água e nutrientes,
mesmo em condições adversas. Então, o uso de bioestimulantes pode, ao melhorar
o enraizamento e o desenvolvimento das plantas, favorecer a produção em
qualidade e quantidade, bem como a resistência do vegetal a agentes externos.
"Imagine uma planta com raízes abundantes e bem formadas. A
exploração do solo será mais adequada, o que beneficiará a absorção de
nutrientes e água. As modificações metabólicas causadas pela inclusão dos
bioestimulantes levam ao melhor aproveitamento de tais elementos, refletindo em
melhor produção, em quantidade e qualidade, além de maior resistência aos
agentes externos, como a seca", discorre a professora.
Os aminoácidos são os constituintes básicos das proteínas, macromoléculas
complexas que desempenham funções específicas nas plantas, principalmente na
estrutura como componentes das membranas celulares.
Opções
em bioestimulantes
Os bioestimulantes mais empregados são os aminoácidos,
hormônios sintéticos (auxinas, giberelinas e citocininas), extratos de algas,
ácidos orgânicos (húmico e fúlvico), além dos fungicidas à base de
estrobilurinas.
Os
aminoácidos
Considera-se que, há cerca de 30 anos, os aminoácidos
começaram a ser usados na produção agrícola como alternativa, em determinadas
situações, ao uso de fertilizantes químicos. Essa situação proporcionou uma
fonte de nitrogênio de baixo custo energético para as plantas e um importante
recurso no aumento das produções.
Os aminoácidos são sintetizados pelas plantas para suprir suas
necessidades estruturais e para outras finalidades, como a síntese de
vitaminas, enzimas, hormônios e clorofila. As plantas conseguem absorver os
aminoácidos tanto pelas folhas como pelas raízes.
Essa capacidade permite-lhes tirar partido de aplicações
foliares ou via rega, propiciando um desenvolvimento rápido e com menor consumo
energético pela economia para o processo de sua síntese. "Os efeitos mais impressionantes
dos aminoácidos são obtidos quando a aplicação do produto ocorre em situações
climatológicas adversas (seca, geadas, asfixia radicular, temperaturas noturnas
muito baixas e por períodos prolongados etc.), ocorrência de fitotoxicidades
diversas causadas por aplicações errôneas de fitossanitários e, ainda, em
circunstâncias de ataques de pragas e doenças", destaca Nilva Teixeira.
Nesses termos, eles estimulam a produção de fitoalexinas,
que funcionam como anticorpos naturais das plantas e figuram entre os
componentes mais importantes do metabolismo dos organismos vivos. São
precursores das proteínas e de diversas outras moléculas, como: hormônios,
coenzimas, nucleotídeos, alcaloides, polímeros de paredes celulares,
porfirinas, antibióticos, pigmentos e neurotransmissores.
O equilíbrio da flora edáfica do solo é fundamental para a
ótima degradação da matéria orgânica e a boa estrutura e salubridade do solo ao
redor da raiz. Os aminoácidos atuam nutrindo e estimulando o desenvolvimento da
flora.
Em baixas temperaturas, Nilva observa um acúmulo de
aminoácidos no citoplasma celular, especialmente nas áreas de crescimento da
planta, justamente as mais sensíveis ao frio. "Tem-se observado que há maior
tolerância às baixas temperaturas, nas variedades com maior capacidade de
acumulação dos aminoácidos livres", diz.
Os aminoácidos que aparecem em maior concentração na forma
livre da seiva da planta são alanina, arginina, serina
e, principalmente, prolina. Nilva Teixeira cita, também,
que a aplicação de aminoácidos, em comprovação experimental, tem um efeito
benéfico similar à acumulação natural, com as vantagens de permitir que o
vegetal economize energia e melhore a translocação de nutrientes.
Essas vantagens são importantes, pois se sabe que uma planta
bem nutrida é mais tolerante à geada e que a energia poupada poderá ser usada
para a recuperação rápida da planta, ao final das condições adversas.
Custo-benefício
dos bioestimulantes
Os reflexos no custo-benefício são observados em anos de
adversidade climática, quando a planta estimulada desenvolve maior capacidade
de tolerar adversidades climáticas.
Existem situações, sobretudo na arrancada da lavoura
(germinação e estabelecimento de estande) e na determinação da produção
(florada e enchimento de grãos), em que é isso é determinante para definir
altos patamares de produtividade.
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