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A hortênsia é, com certeza, uma das plantas mais
comercializadas no Mercado de Flores da Ceasa Campinas. É
encontrada tanto em vasos para decoração de ambientes como plantada
em sacolas plásticas para utilização em paisagismo.
A espécie mais comercializada é a Hydrangea macrophylla. A hortênsia é um
arbusto de porte ereto, bastante ramificado e muito florífero, produzindo
grande quantidade de flores estéreis nas colorações azuis, rosas
e branca.
Esta planta pode crescer de 1,5 a 3 metros de altura, e
adquire formato mais regular quando é podada periodicamente. As regiões de
origem desta espécie são a China e o Japão.
As hortênsias lembram as regiões de clima mais frio, como
o Sul brasileiro, Campos do Jordão, Monte Verde, entre outras.
Mas, engana-se quem acha que ela produz somente nestes locais. As
hortênsias podem ser vistas floridas também em locais
de clima subtropical como, por exemplo, o interior do estado de
São Paulo.
A cidade de Limeira, por exemplo, onde a temperatura chega próxima aos
40ºC no final da primavera e durante o verão, também consegue abrigar as
hortênsias, que podem ser vistas floridas com bastante intensidade em muitos
jardins.
Variedade com cores sob controle
Atualmente são cultivados diversos híbridos, com flores que variam do
branco até o vermelho em várias composições diferentes. São aproximadamente 500
cultivares em produção no mundo.
Existe uma curiosidade sobre a hortênsia no que diz respeito às cores das
flores, que podem variar entre azul e rosa, dependendo dos teores de alumínio
(Al) disponíveis no substrato de cultivo, com exceção, é óbvio, das variedades
brancas, as quais não reagem na presença do alumínio.
Ao aumentar a disponibilidade de Al no meio de cultivo, as flores das
plantas tornam-se azuladas, e diminuindo-se a disponibilidade tornam-se
rosadas. Cada variedade reage de forma diferente em relação às tonalidades das
cores obtidas pela absorção do elemento.
Desta forma, variedades desenvolvidas para obter flores azuladas ou com
maior proporção deste pigmento devem ter algum suprimento de Al em sua
nutrição. Já para as variedades com predominância de cores entre vermelho e
rosa devem ser cultivadas de tal forma a não absorver o alumínio por nenhuma
fonte. "Ao tentarmos obter tonalidades rosadas em uma variedade azul, o que
ocorre é o aparecimento de uma tonalidade intermediária, normalmente de baixo
valor comercial", explica Roberto Barretto Dias Filho, engenheiro agrônomo e
consultor em floricultura.
Além do Al, o potássio (K) também é capaz de provocar alterações nas
cores das flores das hortênsias, só que de forma bem menos intensa. O consultor
aconselha evitar altos teores de potássio na adubação de plantas rosas e
aumentar as doses deste nutriente em plantas predominantemente azuis.
Disponibilidade do alumínio
A disponibilidade do Al pode ser controlada pelas alterações no pH do
meio de cultivo. Baixando-se o pH para valores abaixo de 5,0, o elemento passa
a ficar disponível. Para baixar o pH do substrato é necessário utilizar uma
formulação com adubos que têm essa tendência.
Teor de fósforo
Além do pH, deve-se atentar também aos teores de fósforo (P) que estão
sendo fornecidos durante a fertirrigação. Ele reage com o Al, tornando ambos
indisponíveis para as plantas. Desta forma, esclarece Roberto Filho, é
necessário reduzir as doses deste elemento para que as plantas passem a
absorver o alumínio.
O Al deve ser fornecido para as plantas na forma de sulfato de alumínio e
deve ser acrescentado na adubação das variedades azuladas desde o transplante
das mudas para a estufa de cultivo. Para suprimento do Al, Roberto Filho
recomenda aplicar 250 ml de uma solução contendo 1 g sulfato de alumínio/litro
de solução para cada 200 cm³ de substrato a cada 15 dias.
O substrato deve estar úmido antes da aplicação para que não ocorram
danos às raízes das plantas. Depois de dez dias da aplicação do sulfato de alumínio,
medir o pH do substrato. Caso esteja acima de 5,6, realizar nova aplicação. O
consultor aconselha manter o pH do substrato entre 5,2 e 5,5 para manter boa
disponibilidade de Al. O substrato a ser utilizado para cultivo nestes casos
não poderá estar "aditivado", ou seja, com uma adubação de base e aplicação de
corretivos, pois ambos irão interferir na disponibilidade do alumínio.
Nutrição
O manejo da nutrição das hortênsias pelo descrito acima é muito delicado
e deve ser feito com base em análises de substrato e com doses e nutrientes
calculados por um técnico especializado para a obtenção de bons resultados.
Para se obter vasos de hortênsia de tamanho adequado, é utilizado
regulador de crescimento à base de Daminoside (B-Nine). "As doses normalmente
empregadas variam entre 2,5 g/L a 5,0 g/L do produto comercial em cada
pulverização, a intervalos que variam entre 10 a 14 dias. As aplicações de
reguladores normalmente se iniciam quando o comprimento dos ramos está entre 2,5 a 3,8 cm, e terminam quando os
botões florais estão com aproximadamente 1 cm de diâmetro", explica Roberto Filho.
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