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Tradicionalmente, o produtor rural tem tendência em concentrar sua
atenção nas questões tecnológicas, negligenciando os aspectos gerenciais de sua
propriedade. Mas, recentemente, instituições de pesquisa e desenvolvimento
(P&D), como a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vêm
incentivando seus clientes a aprender como gerenciar melhor suas atividades
produtivas e comerciais.
Para obter rentabilidade com sustentabilidade, o produtor rural deve
adotar estratégias produtivas que levem em consideração não apenas as questões
tecnológicas, mas também os aspectos gerenciais. Não há dúvida de que, nas
últimas décadas, a tecnologia passou a ser reconhecida como o principal fator
de produção, bem longe do capital, trabalho e terra. No entanto, quando a
tecnologia não é adequadamente gerenciada, ela pode levar à bancarrota da
propriedade rural.
Potencial produtivo
O agronegócio brasileiro tem atualmente um potencial bastante competitivo
no âmbito internacional, com condição tecnológica de gerar novos produtos,
ganhar novos mercados e suficientes recursos naturais e humanos para se tornar,
a médio prazo, a principal fonte de alimentos do mundo.
No entanto, expõe o pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos,
André Yves Cribb, pós-doutor em Gestão de P&D Agrícola, sua gestão precisa
se adequar cada vez mais às novas oportunidades internacionais. Um aspecto que
merece ser mais bem trabalhado é a disponibilização de informações atualizadas
sobre o comércio internacional. Tais informações podem ajudar a identificar
oportunidades e ameaças relacionadas ao agronegócio e, assim, facilitar uma
administração mais eficiente por parte do produtor.
"No atual contexto de ampla globalização e forte competição, o produtor
se vê na obrigação de adotar estratégias que garantam sua sobrevivência e/ou
aumentem sua competitividade. Ele não pode ficar indiferente à evolução dos
mercados, e por isso deve procurar uma forma adequada para sobreviver e/ou
competir. Uma maneira de o produtor concretizar tal atitude é a agregação de
valor a matérias-primas agrícolas por meio de ações específicas, tais como
oferta de produtos próprios ao consumo, aumento de possibilidades de estocagem,
fornecimento de produtos mais facilmente transportáveis, melhora do gosto e
reforço do valor nutritivo", recomenda André Cribb.
Outro aspecto que o produtor precisa levar em conta é a redução dos
custos de produção. Nesse sentido, acrescenta o pesquisador, é necessário
evitar gastos anormais ou involuntários que não gerem um novo bem ou serviço e,
tampouco, receitas. Além disso, é preciso evitar gastos que possam ser
eliminados sem prejuízo da qualidade ou quantidade dos bens, serviços ou
receitas geradas.
Segredos para administrar uma propriedade
rural
A pesquisadora da Embrapa Trigo, Cláudia De Mori, mestre em Engenharia de
Produção e Sistemas, afirma que há alguns aspectos que auxiliam na obtenção de
sucesso gerencial, dentre os quais ela menciona dois, essenciais no
gerenciamento, e que, em última análise, configuram a gestão de maneira geral.
O primeiro diz respeito aos fatores envolvidos no processo produtivo, os
quais podem ser desmembrados em processo de compra de insumos, processo de
produção, processo de armazenamento, processo de comercialização e, em alguns
casos, processo de beneficiamento ou transformação.
São eles: capital, meios de produção, recursos humanos e informação. O
gestor precisa ter consciência de que são estes fatores de produção que
consistem no desenvolvimento do ciclo de produção e refletir sobre a
adequabilidade de cada um deles ao seu processo produtivo.
Dentre eles, Cláudia De Mori destaca o fator informação, que nos tempos
atuais da chamada economia do conhecimento é extremamente importante. "O
produtor deve refletir quais são as informações essenciais para o seu negócio e
se possui acesso e um fluxo satisfatório delas. É importante constituir uma
espécie de 'observatório permanente', buscando informações que afetam seu
negócio como, por exemplo, preços de produtos, tecnologias disponíveis,
mecanismos de financiamento, informações climáticas, dentre outras", explica.
Outro aspecto diz respeito aos elementos do gerenciamento. Administrar,
detalha Cláudia De Mori, implica em efetivamente implementar os quatro elementos
administrativos: planejar, organizar, coordenar e controlar. "Muitas vezes,
tais elementos são negligenciados. Creio que no Brasil o gerenciamento agrícola
ainda é muito incipiente e talvez o primeiro passo para obter sucesso de uma
propriedade seja efetivamente implementar tais elementos, ou seja, é preciso
definir: O quê? Quanto? Como? Para quem? (plano do empreendimento e programação
operacional); é essencial determinar quem? Quando? Onde? (organização); é
fundamental ainda garantir o andamento das atividades (direção/coordenação) e é
inevitável medir, avaliar e comparar desempenho (controles de produção, de
venda, contabilidade, controle de resíduos etc.)", pontua a pesquisadora.
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