Revista Campo & Negócios - Ano VII - Nº 90| Revista Campo & Negócios HF - Ano VI - Nº 63
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Prejuízos causados à agricultura pelas formigas

As formigas cortadeiras atacam praticamente quase todas as plantas cultivadas e também os pastos nativos. Estão disseminadas em todo o território nacional e sua ação predadora pode ocorrer durante todo o ano.

As formigas cortadeiras são altamente prejudiciais no período inicial das culturas anuais, pois ao forragearem as plântulas podem causar grandes falhas no stand, reduzindo a densidade de plantas e prejudicando a produção. Ataques em plantas anuais já desenvolvidas geralmente causam pequenas reduções e não compensam ser controlados nesta fase do ciclo das culturas.

Distribuição 

A distribuição das espécies de formigas cortadeiras pelo território nacional é muito diversificada. Em uma região podem ser limitantes e noutra seus danos podem ser mínimos, assim como sua importância econômica.

Nas regiões onde o número de formigueiros é elevado, o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Dionísio Link, alerta que todo e qualquer cultivo ali estabelecido pode ser atacado e sofrer acentuados prejuízos. "Os maiores danos das formigas cortadeiras são causados nos pomares de frutíferas, como citrus, pêssego ou maçã, onde o desfolhamento, em qualquer fase da cultura, afeta a produção do ano e, pelo menos, parte da safra seguinte", diz.

Controle 

As principais culturas em que são mais frequentes as referências de danos são a soja, algodão, arroz de sequeiro, cana-de-açúcar e mandioca.

Atualmente o controle, em culturas anuais, pode ser feito de várias maneiras, a começar pelo tratamento de sementes com produtos registrados para esta finalidade e que contenham o ingrediente ativo fipronil, cuja ação residual é de até três semanas após a aplicação.

Prejuízos 

Entre os danos causados às culturas, Dionísio Link enumera a ocorrência de áreas sem plantas (ataque na fase inicial), stand desuniforme na lavoura, retardamento no desenvolvimento da planta, redução no número de folhas, flores ou vagens, aumento do teor de fibra e redução no teor de sacarose em cana-de-açúcar, redução no número e peso de raízes em mandioca, entre outras.

Dionísio Link avisa que as formigas cortadeiras, com sua ação de forrageio nas plantas cultivadas, afetam qualitativamente a produção (menos teor de sacarose na cana) e quantitativamente, diminuindo o rendimento (frutas menores e com menos suco).

Controle 

Para um bom programa de controle das formigas cortadeiras, deve-se inicialmente realizar um levantamento da densidade de formigueiros e quais espécies ocorrem na área. "Em grandes propriedades isto pode ser realizado por gleba para a adoção da tecnologia de controle adequada à cultura que ali será implantada, visando reduzir os custos fitossanitários. Em pequenas propriedades, após o levantamento inicial, o controle deve ser em conjunto com os vizinhos. Caso contrário, a chance de insucesso é grande", ensina o professor da UFSM.

Atualmente o controle, em culturas anuais, pode ser feito de várias maneiras, a começar pelo tratamento de sementes com produtos registrados para esta finalidade e que contenham o ingrediente ativo fipronil, cuja ação residual é de até três semanas após a aplicação.

Em cultivos estabelecidos (anuais ou perenes), o monitoramento vai indicar onde estão os ninhos ou, na maioria das situações, os locais de forrageio (área de corte) e os carreiros por onde transitam as formigas.

Nesta situação, o controle é realizado frequentemente com o uso de iscas formicidas (com registro no MAPA) colocadas ao longo do carreiro, durante a atividade de corte, para que as operárias as carreguem para o ninho.

Nas propriedades com maior incidência de formigas saúvas, Dionísio Link explica que se pode lançar mão da termonebulização (fog), em que os formicidas são aplicados na forma de gás, diretamente no interior dos ninhos. Este tipo de controle exige treinamento prévio da mão de obra necessária para a sua realização.

Para fruteiras e plantas ornamentais arbustivas foi desenvolvido um gel repelente que é colocado na forma de uma cinta com dois ou três centímetros de largura, ao redor do tronco, geralmente entre 0,5 e 1 metro do solo. O gel impede a passagem das operárias, protegendo as plantas do ataque das formigas.

Em pequenas áreas, a utilização de plantas armadilhas, como o gergelim, faz com que o ataque das formigas ocorra nestas plantas, e permite que a cultura estabelecida na área se desenvolva normalmente. "O gergelim tem efeito prejudicial às formigas cortadeiras, que quatro a cinco dias após o forrageamento são eliminadas, ficando o formigueiro armado", diz Dionísio Link.

Cerca de 20 a 40 dias depois se nota o início do retorno da atividade das operárias no formigueiro. Geralmente mudam a direção do carreiro para outra direção, não voltando à área inicial de forrageio.

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