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Manejo outonal com mistura de herbicidas é novidade
Nas regiões onde o problema de resistência é mais agudo
atualmente, como no oeste e no norte do Paraná, muitos agricultores têm adotado
o manejo outonal como a opção mais efetiva no manejo dessas plantas daninhas.
"Os benefícios são muitos. O maior deles, sem dúvida, é a
obtenção do controle necessário das plantas daninhas que nascem e crescem
durante a entressafra e que podem interferir bastante na germinação e no
crescimento inicial das culturas de verão. Quando se usa o manejo outonal, a buva e o amargoso podem ser controlados antes de sua
emergência ou durante os estádios precoces de desenvolvimento", pontua Rubem
Silvério de Oliveira Jr., professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Tais plantas, quando não são controladas nos estádios
precoces, tornam-se grandes problemas para o agricultor. Por exemplo, no caso
da buva, quando se aplicam herbicidas em plantas
daninhas com até 10 cm de altura, há diversas opções. Por outro lado, quando eles
já apresentam mais de 15 cm de altura, existem pouquíssimas alternativas de
controle químico, e dificilmente se obtém bom controle com uma única
dessecação, o que passa a encarecer o manejo das plantas daninhas.
Manejo
outonal
O manejo outonal se baseia no uso de produtos com ação
dessecante, visando ao controle de plantas daninhas já emergidas. Entretanto,
as ações ainda são escassas, normalmente associadas a outro herbicida que
apresente atividade residual no solo.
Esse segundo herbicida tem duas funções: a primeira é ajudar
no controle das plantas daninhas já emergidas e que são de difícil controle - além
das resistentes mencionadas acima, também serve para espécies que ainda não
apresentam resistência como a corda-de-viola, trapoeraba,
erva-quente e vassourinha de botão, por exemplo; a segunda é promover o manejo
da sementeira que se encontra no solo.
Rubem Silvério explica que o controle residual da sementeira
evita (ou, no mínimo, atrasa) a emergência de outros fluxos de plantas daninhas
no período de entressafra. Dessa forma, no momento do plantio da cultura de
verão, o agricultor encontra uma situação razoavelmente tranquila para realizar
a semeadura sem a interferência de plantas daninhas.
Outra possibilidade importante no manejo de entressafra,
principalmente nas áreas com buva resistente ao
glifosato, é a aplicação de misturas de herbicidas. Um detalhe ressaltado pelo
professor é que, normalmente, a adoção do manejo outonal não dispensa a
dessecação antes do plantio.
A grande diferença é que a dessecação na véspera do plantio
acontece numa situação muito mais favorável para o controle (baixa infestação,
plantas daninhas pequenas) do que quando o manejo outonal não é feito.
Novidades
O saflufenacil é uma nova molécula
herbicida que acaba de ser liberada para comercialização no Brasil. Embora
tenha sido lançado recentemente, a equipe de pesquisa tem avaliado esse
herbicida nas últimas safras, com excelentes resultados.
Tal produto se caracteriza por apresentar uma forte ação de
dessecação, inclusive das plantas de maior porte. Tem demonstrado que se
encaixa muito bem como parceiro do glifosato nas operações de manejo que
antecedem a semeadura direta no verão.
No entanto, ele não deverá ser usado sozinho na maioria das
situações de dessecação, em virtude do controle de gramíneas proporcionado pelo
glifosato. Quando usado em misturas com esse elemento, o suflufenacil
acelera a dessecação das plantas daninhas. "Temos observado um excelente
controle de plantas de buva resistentes ao glifosato
quando usamos essa mistura, o que é uma novidade positiva para os agricultores",
esclarece Rubem Silvério.
Diferencial
Uma das diferenças do produto em relação aos demais
herbicidas presentes no mercado é que ele apresenta "ação de choque" e possui alguma
translocação nas plantas, o que é típico dos herbicidas sistêmicos como o
glifosato.
Portanto, o saflufenacil apresenta
uma forte ação de contato, mas é capaz de controlar plantas de maior tamanho,
em função do efeito sistêmico. Tal produto é um herbicida cujo mecanismo de
ação é a inibição de uma enzima nas plantas, chamada Protox.
Por se tratar de um mecanismo de ação diferente do
glifosato, o professor esclarece que ele também se constitui numa ferramenta
importante para diminuir o potencial de seleção de outras espécies de plantas
daninhas resistentes a herbicidas, já que introduz um mecanismo diferente nas
operações de manejo.
Custo-benefício
do manejo outonal
Inicialmente, alguns agricultores têm a impressão de que a
aplicação do manejo outonal é um gasto adicional, tratando-se de despesa. "Nas
últimas duas entressafras, os produtores da nossa região que decidiram apostar em
nossa sugestão se convenceram que, na verdade, se trata de um investimento na
lavoura. O recurso investido nessa aplicação facilita a dessecação
imediatamente antes do plantio e aumenta a eficiência e a velocidade de
aplicação. Como resultado, o plantio é feito numa condição excelente, e a
cultura de verão emerge no limpo e não sofre a interferência precoce das
plantas daninhas", informa Rubem Silvério.
Na última safra, foi visível a diferença observada por ele nas
áreas de buva resistente, onde foi feito o manejo
outonal, e naquelas onde tal procedimento não foi realizado. Nas áreas onde não
se fez tal controle, ou pelo menos uma aplicação sequencial de herbicidas, a
dessecação antes do plantio não foi muito efetiva, o que resultou na rebrota de
grande parte das plantas de buvas dentro da cultura
da soja.
O grande problema é que tais plantas não são controladas
adequadamente com as aplicações em pós-emergência do glifosato, o que deixa o
agricultor praticamente sem opções em relação aos vegetais rebrotados. "Nas
lavouras onde foi feito o manejo outonal, o manejo da buva
foi muito bom e não há plantas rebrotadas para serem controladas posteriormente",
afirma o especialista.
Em alguns casos, dependendo do herbicida residual usado, da
dose e das condições climáticas, o uso do herbicida residual no manejo outonal
é capaz de promover o controle residual durante o início do ciclo da cultura.
Isso permite a aplicação mais tardia do pós-emergente que, muitas vezes, elimina
a necessidade de uma segunda aplicação.
Por esse raciocínio, o emprego de manejo outonal pode
substituir uma das aplicações em pós-emergência. Assim, muitos agricultores entenderam
que o manejo outonal é um investimento que se paga naturalmente. "Nossa
experiência mostra que o tal procedimento, realizado durante vários anos, pode
levar a uma diminuição drástica do banco de sementes de plantas daninhas no
solo, o que pode ser ainda mais importante em médio prazo", conclui Rubem
Silvério.
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