|
Estresse hídrico com fósforo e braquiária aumenta produção
Mauro Scigliani Martini
Consultor-chefe da AgriCaffè - Soluções em
Cafeicultura
maurosmartini@hotmail.com
O café é tido como originário das florestas tropicais da
Etiópia, onde ocorre um período seco natural de três a quatro meses, geralmente
de outubro a janeiro. Tal situação é bem diferente das técnicas de irrigação
usuais no Brasil, que preconizam um ano completo de irrigações.
O estresse hídrico veio para tentar ajustar a fenologia da
planta do cafeeiro, propiciando a ele o período seco necessário. Ele pode sincronizar
o desenvolvimento dos botões florais, de modo que se diminua a quantidade de
floradas, alcançando cafés no mesmo estágio de maturação, aumentando a
qualidade e diminuindo os custos da colheita.
Como
fazer
É importante lembrar que essa técnica deve ser usada em
regiões que já dispõem de um período seco naturalmente antes da época normal de
floração do cafeeiro, como o Cerrado. Desse modo, não haverá chuvas durante o
estresse hídrico que poderão quebrar a dormência dos botões florais,
prejudicando o resultado final de sincronização das precipitações.
Primeiramente, para uma correta aplicação da técnica, é
necessário dispor de instrumentos e conhecimento em irrigação e sobre lavoura
cafeeira, além de ter acesso a dados meteorológicos da região.
O que se propõe é a suspensão da irrigação durante o período
da colheita, a qual deve retornar quando o potencial de água nas folhas atingir
em torno de -2,0 MPa. Tal dado pode ser obtido por meio de uma bomba de Sholander, fazendo leituras no período da antemanhã (das 3 às
5 horas da manhã).
Basicamente, a irrigação precisa ser desligada ao final de
junho, e seu retorno é previsto logo para o início de setembro - isso
representa algo em torno de 70 dias sem irrigação. É importante salientar que
esse período só é válido para as regiões onde a primeira florada significativa
ocorre na primeira quinzena de setembro.
Importância
do estresse hídrico
O período de estresse hídrico é essencial, pois a
sincronização das gemas reprodutivas ocorre ao final de agosto, quando as
temperaturas mínimas ultrapassam os 16 °C. Sendo assim, com o retorno da
irrigação, a abertura das flores é praticamente total.
Vale lembrar que a lâmina necessária para que ocorra
abertura intensa e uniforme de flores está em torno de 40 mm, e esta deve ser
feita no menor período de tempo possível. Com isso, obtém-se uma florada entre
10 a 15 dias após o reinício da irrigação, com consequente maturação uniforme.
Fósforo
+ implantação de brachiária
O estresse hídrico é aplicado exatamente no período seco, em
que não são feitas adubações e qualquer tipo de cobertura verde nas entrelinhas.
Nesse caso, a brachiária estará com população muito
reduzida.
Diante disso, o uso de altas doses de fósforo ainda está em
estudo, pois são vários resultados conflitantes. No entanto, alguns deles são
bastante interessantes, principalmente em solos de Cerrado, onde a quantidade
de fósforo naturalmente encontrada é baixa. Para aliar as duas técnicas, é
importante buscar orientação especializada, uma vez que as técnicas são novas e
ainda são necessárias outras pesquisas.
Para a adoção de estresse hídrico, precisa-se de um grande
conhecimento em irrigação, meteorologia, solos e fisiologia do cafeeiro, sendo
que muitos cuidados devem ser tomados nessa situação.
O manejo com cobertura verde (brachiária)
deve ser feito corretamente, evitando que a planta utilizada produza sementes.
Desse modo, os nutrientes que ela retirou do solo nas entrelinhas serão especialmente
voltados à reprodução do vegetal, diminuindo a quantidade utilizada pelo
cafeeiro.
Benefício
dos três elementos para a cafeicultura
O fósforo é essencial na síntese e no armazenamento de
energia. Ele tem papel fundamental no desenvolvimento das raízes e da parte
área do cafeeiro, sendo um dos nutrientes mais importantes para a formação de
mudas, o plantio e a formação do cafezal.
Cabe ressaltar que a brachiária
atua como uma recicladora de nutrientes. Ela absorve aqueles que estão
presentes nas entrelinhas da lavoura, os quais não são alcançados pelo café e,
por meio do correto manejo dela, os disponibiliza para o cafeeiro, além de
servir como proteção contra erosão e manter a umidade do terreno.
Enquanto isso, o estresse hídrico é importante para a
sincronização das gemas reprodutivas, obtendo-se florada e maturação uniformes.
Influência
na produtividade
No caso de fosfatagens em doses
altas, ainda são necessárias mais pesquisas para a validação da tecnologia,
pois se refere a uma técnica nova e possui muitos resultados conflitantes. A brachiária, assim como outras coberturas verdes nas
entrelinhas (feijão, crotalária etc.), quando bem manejada, traz benefícios em
produtividade, além de aumentar a qualidade do solo.
Por fim, o manejo com estresse hídrico tem uma boa resposta
em relação à produtividade, haja vista que a porcentagem de grãos cerejas
obtidos é maior, melhorando o rendimento. No entanto, a técnica ainda está sendo
pesquisada em relação ao conhecimento de seus efeitos ao longo dos anos.
Custo-benefício
O custo da técnica varia muito de região para região, da tecnologia
empregada, do número de colaboradores necessários etc. Apesar disso, quando o
estresse hídrico é aplicado corretamente, na safra seguinte já se pode ver o
resultado, muitas vezes causando congestionamento nas estruturas pós-colheita em
razão da alta porcentagem de frutos cereja e da possibilidade de colher toda a
lavoura de uma só vez.
Para ler
esta matéria na íntegra clique aqui
|