Gergelim – Panorama atual, perspectivas e avanços tecnológicos

O gergelim tem grande potencial no mercado internacional, visto que os preços para grãos giram em torno de U$ 1.674,00 por tonelada, e o preço médio do óleo US$ 3.408,00/t

Nair Helena Castro Arriel

Engenheira agrônoma, doutora e pesquisadora da Embrapa Algodão

nair.arriel@embrapa.br

 

Crédito: Shutterstock

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A cultura do gergelim (Sesamumindicum L.) é, atualmente, cultivada em 67 países (27 na Ásia, 23 na África, 15 nas Américas e 02 na Europa). A produção mundial é estimada em 6,23 milhões de toneladas (6.170.620 t), e a superfície cultivada em 10,82 milhões de ha (10.819.560 ha), com uma produtividade de 576,3 kg ha-1.

Os países de maiores áreas cultivadas são: Sudão (2,53 milhões de ha), Índia (1,78 milhão de ha), Myanmar (1,07 milhão de ha), Tanzânia (928,2 mil ha), Sudão do Sul (580,0 mil ha), Nigéria (559,9 mil ha), Burkina Faso (506,0 mil ha), China (429,1 mil ha), Chad (421,5 mil ha) Etiópia (420,4 mil ha), Uganda (207,2 mil ha), Niger (131,5 mil ha). Juntos, estes países são responsáveis por 88,43% da área colhida e por 87,91% da produção mundial de grãos de gergelim.

O Brasil ainda é um pequeno produtor. Em 2014, o país produziu 07 mil toneladas em 10 mil hectares, com rendimento em torno de 700,0 kg ha-1. Os Estados brasileiros produtores de gergelim são: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.

Na maioria dos Estados do Nordeste a exploração oscila bastante, em decorrência dos períodos prolongados de seca que ocorrem na região e ainda permanece em âmbito de subsistência, com poucos excedentes comercializáveis em feiras locais, panificadoras e casas de produtos naturais.

A demanda pela cultura do gergelim no Brasil tem crescido por ser uma cultura tolerante à seca e de ciclo curto - Crédito: Sérgio Cobel

A demanda pela cultura do gergelim no Brasil tem crescido por ser uma cultura tolerante à seca e de ciclo curto – Crédito: Sérgio Cobel

Em destaque

Até o ano de 2015, Goiás respondia por aproximadamente 60% da produção nacional e 50% de área cultivada. O norte goiano (microrregião de Porangatu); noroeste goiano (microrregião de São Miguel de Araguaia); sudoeste goiano (microrregião de Quirinópolis) e sul goiano (microrregião de Catalão), com destaque para 15 municípios: Quirinópolis, Porangatu, Amaralina, Araguapaz, Mara Rosa, Mundo Novo, São Miguel do Araguaia, Itapirapuã, Catalão, Cristalina, Nova Crixás, Gouvelândia, Aragarças, Guapó e Jussara.

No entanto, Mato Grosso, neste mesmo ano, registrou um total de 10-15 mil ha implantados com a cultura. A região de Canarana, em Mato Grosso, tem aumentado significativamente a área plantada. Em 2017 também foram implantados aproximadamente 20 mil hectares com a cultura.

Os principais municípios/microrregiões produtores são: Canarana, Querência, Agua Boa (Canarana); Alto Boa Vista, Porto Alegre do Norte (Norte Araguaia);  Colniza (Aripuanã); Cocalinho, Barra do Garças e Araguaína (Médio Araguaia).

Até o ano de 2015, Goiás respondia por aproximadamente 60% da produção nacional e 50% de área cultivada - Crédito: Miriam Lins

Até o ano de 2015, Goiás respondia por aproximadamente 60% da produção nacional e 50% de área cultivada – Crédito: Miriam Lins

Conheça melhor

O gergelim pertence à família Pedaliaceae, sendo considerado uma das oleaginosas mais conhecidas da humanidade. A espécie é originária dos continentes africano e asiático e se expandiu para os diversos continentes do mundo.

Em muitos países africanos, como a Nigéria, a espécie representa a maior fonte de óleo para exportação com fins de uso em alimentos e cosméticos em decorrência de seus antioxidantes naturais.

Amplamente adaptado às condições edafoclimáticas das regiões tropicais, constitui-se em excelente oportunidade de cultivo para as regiões semiáridas do nordeste brasileiro e, como safrinha, nas regiões de Cerrado, tanto nos sistemas tradicionais de cultivo como nos cultivos orgânicos.

Utilização

A elevada qualidade do seu óleo, bem como a sua alta concentração – equivalente a 50%, em média, do peso da semente – favorecem a utilização do gergelim na indústria alimentícia e na indústria química de óleos, as quais se encontram atualmente em plena ascensão, em decorrência do aumento anual de, aproximadamente, 15% na quantidade de produtos industrializáveis para consumo, o que gera demanda por produtos in natura e mercado potencial capaz de absorver quantidades superiores à oferta atual.

Cerca de 90% do gergelim produzido mundialmente é destinado ao consumo alimentício. Os grãos são amplamente usados na indústria alimentícia, em especial de panificação, sendo o óleo também utilizado na culinária.

Suas sementes contêm cerca de 50% de óleo, que pode ser utilizado nas indústrias química e alimentar. A torta, resíduo da prensagem das sementes, possui cerca de 40% de proteínas e 13% de resíduo mineral. Adaptada ao Semiárido, tem despertado interesse de empresários e agricultores de outras regiões como alternativas para diversificação da produção agrícola, especialmente em função do ciclo curto e preços nos mercados interno e externo.

A demanda pela cultura do gergelim no Brasil tem crescido por ser uma cultura tolerante à seca e de ciclo curto. Tais características a habilitam tanto para primeira quanto para segunda safra. As excelentes qualidades nutricionais do seu grão criam uma agregação de valor à cultura para regiões em que for cultivada.

 Crédito Pixabay

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Características diferenciadas

O óleo de gergelim é muito rico em ácidos graxos insaturados, como o oleico e o linoleico, e apresenta vários constituintes secundários que são importantíssimos na definição de suas qualidades. Entre os constituintes menores do óleo de gergelim encontram-se o sesamol, a sesamina e a sesamolina.

O sesamol, com suas propriedades antioxidantes, dá ao óleo uma elevada estabilidade química, evitando a rancificação, sendo entre os demais óleos de origem vegetal o que apresenta a maior resistência à oxidação.

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No Brasil

A produção de gergelim no Brasil tem uso diferenciado.No Nordeste o principal uso é na alimentação humana, para confecção de doces, pastas, temperos, panificação e casas de produtos naturais.

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de janeiro 2018. Adquira a sua para leitura completa.

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