Energia solar é aliada da horticultura

Carlos Reisser Júnior

Doutor em Agronomia e pesquisador da Embrapa Clima Temperado

carlos.reisser@embrapa.br

Rodrigo Motta de Azevedo

Engenheiro eletricista, mestre e professor do IFSul

ClênioBöhmer

Engenheiro eletricista, doutor e professor do IFSul

 

Crédito Shutterstock

Crédito Shutterstock

Devido à redução das precipitações pluviométricas em várias regiões do Brasil, o País perdeu participação nas energias renováveis em sua matriz energética. Somos atualmente muito dependentes da geração hidráulica, a qual é vulnerável nessas condições. Outro fator foi a forte queda na produção de cana-de-açúcar, causando redução na queima de biomassa para geração de energia elétrica.

Outro tipo de geração que vem crescendo no Brasil é a fotovoltaica, que usa diretamente a energia do sol para produção de energia elétrica. A transformação da energia solar em elétrica ocorre em painéis solares formados por uma ligação de células fotovoltaicas de silício, em que as mais simples são compostas por duas combinações de silício – uma combinação com fósforo, gerando cargas positivas e outra combinação com boro criando cargas negativas. Duas camadas de silício negativas cobrem uma camada de silício positiva, a qual reage com a luz solar e produz energia elétrica.

A geração fotovoltaica usa diretamente a energia do sol para produção de energia elétrica - Crédito Shutterstock

A geração fotovoltaica usa diretamente a energia do sol para produção de energia elétrica – Crédito Shutterstock

Fonte inesgotável

A energia solar é uma fonte de energia inesgotável, e por isso renovável, a qual não corre o risco de crises de abastecimento, visto que a fonte é a radiação solar, a qual nosso País, de Norte a Sul, possui em abundância.

Conforme a ABsolar, Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, existe uma estimativa de crescimento da capacidade instalada desse tipo de energia de 325% nesse ano. Para isso serão investidos R$ 4,5 bilhões. Nessa cadeia de serviços estima-se que cada megawatt instalado gere 30 novos postos de trabalho.

Um dos grandes incentivos desse crescimento é a redução dos custos dos equipamentos, os quais apresentaram uma diminuição de preço de aproximadamente 80% nesses últimos 10 anos. Devido a isso, investir em energia solar fotovoltaica deixou de ser uma decisão ambiental ou de consciência de sustentabilidade para ser um investimento econômico rentável.

 Crédito Shutterstock

Crédito Shutterstock

Em crescimento

O número de conexões, que em janeiro de 2015 era de 507, passou para mais de 9.800 em janeiro de 2017, e deverá chegar a mais de 26.800 no início de 2018. Segundo a ANEEL, esse crescimento é esperado até o ano de 2024, com uma estimativa de 886 mil sistemas instalados.

O crescimento expressivo do uso dessa tecnologia no Brasil deve-se, principalmente, a uma resolução normativa Nº 482 da ANEEL, que permite que todo consumidor de energia elétrica conectado ao sistema de distribuição possa gerar energia elétrica até o total da carga instalada.

Essa normativa determinou que não há necessidade de aquisição do conjunto de armazenamento de energia elétrica para consumo individual. Criou-se a geração distribuída de energia, em que o pequeno gerador injeta na rede o excedente de energia produzido e esse valor lhe é creditado.

O futuro é a energia solar - Crédito Shutterstock

O futuro é a energia solar – Crédito Shutterstock

Da cidade para o campo

O principal usuário dos sistemas fotovoltaicos ainda é o residencial urbano, pois, de acordo com as potências instaladas, mais de 50% é abaixo de 3 kW. Os pequenos sistemas estão se mostrando mais procurados, o que leva a crer que são os sistemas que apresentam melhor operacionalidade e rentabilidade.

Sempre atentos às novas opções de geração de renda, o setor de agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos consumidos no País, foi ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio do Movimento dos Pequenos Agricultores, buscando respostas sobre a adequação do uso dessas tecnologias de geração na pequena propriedade rural.

Coordenado pela Embrapa, juntamente com a Universidade Católica de Pelotas e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul Rio-grandense, e outras instituições do Estado do Rio Grande do Sul, foi proposto um projeto financiado pelo MDA para dar respostas a algumas dessas questões.

 Projeto de energia fotovoltaica já instalado - Crédito Adriano Guimarães

Projeto de energia fotovoltaica já instalado – Crédito Adriano Guimarães

A pequena propriedade rural, apesar de grande responsável pela produção agrícola de nosso País, carece de muitos recursos naturais, ou não, para sua produção.  Terra, mão de obra, recursos financeiros, mecanização, infraestrutura e outros, como qualidade e quantidade de energia elétrica, são escassos, porém, há outros, como espaço, fontes de energia alternativa – ventos, radiação solar, recursos hídricos, biomassa, dentre muitos, que ainda não são totalmente explorados para a melhora da rentabilidade da propriedade.

O projeto propôs responder as questões instalando em vários pontos do Estado do Rio Grande do Sul conjuntos de geração de energia elétrica solar e fotovoltaica, juntamente com equipamentos de medição do vento e radiação solar, buscando medir no campo o rendimento e a funcionalidade dos equipamentos quando conectados à rede (grid tie), em sistema de geração distribuída.

Os sistemas compostos por um gerador eólico de 1 kW e um conjunto de painéis solares de 1 kW, um inversor elétrico para cada tipo de gerador e um equipamento de medir a energia (Wattímetro) próximos a uma estação meteorológica automática Davis forneceram os dados.

 

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de dezembro 2017. Adquira a sua para leitura completa.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *