Cultivo de rabanete pelo Brasil afora

 

Gabriel Ferraresi Hidalgo

Louyne Varini Santos dos Anjos

Graduandos em Engenharia Agronômica na Unesp- FCAT

Pâmela Gomes Nakada Freitas

Engenheira agrônoma e professora assistente – FCAT/ UNESP

pamelanakada@dracena.unesp.br

Antonio Ismael Inácio Cardoso

Engenheiro agrônomo e professor titular – FCA/UNESP

 

Crédito Shutterstock

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O rabanete (Raphanus sativus L.) pertence à família Brassicaceae, a mesma da couve-de-folha, rúcula, couve-flor, brócolis e repolho, cultura esta que possui porte reduzido, existindo em formato redondo, oval ou alongada, em diferentes tamanhos e sabores.Também varia desde a cor vermelha, amarela, rosa ou até branca. No Brasil, as cultivares com maior aceitação são as de raízes redondas, cor externa vermelha e interna branca.

Seu sabor costuma ser picante, e também apresenta propriedades medicinais, como expectorante natural, estimulante do sistema digestivo, eliminação de toxinas dos rins e fígado, como também há relatos para tratar infecções, por possuir propriedade anti-fúngica. É um alimento rico em vitaminas A, B1, B2, potássio, cálcio, fósforo e enxofre.

As sementes são ricas em ácidos graxos, obtidos a partir da prensagem a frio, resultando em óleo de cor clara a dourado, e inodoro. Este produto é utilizado na indústria de cosméticos para tratamentos de cabelos, pele e unhas.

A cor e o formato são características importantes no valor comercial do rabanete - Crédito Pixabay

A cor e o formato são características importantes no valor comercial do rabanete – Crédito Pixabay

Destaque

O rabanete, apesar de ser uma cultura de pequena importância em termos de área plantada, sendo produzido em pequenas propriedades dos cinturões verdes das grandes metrópoles, possui boa viabilidade financeira e atualmente, e vem ganhando destaque entre olericultores podendo ser usado como cultura intercalar com outras de ciclo mais longo. Por ser relativamente rústico, apresenta ciclo muito curto e rápido retorno.

Devido às condições mais favoráveis de produção, o rabanete se destaca com maiores produções nas regiões sudeste e sul do Brasil. Segundo a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), em 2017 ocupou o 16° lugar da lista dos classificados em verduras, com volume aproximado de comercialização de 1.399 t, o que representou a participação de 0,6% no ranking (Fonte: dados fornecidos por Cardinali Filho, U. C. da SEDES – Seção de Economia e Desenvolvimento).

Isto significa um mercado ainda pouco expressivo, e os municípios que mais contribuem são: Piedade, Mogi das Cruzes, Ibiúna, Cotia, Pilar do Sul, Embú Guaçu e Biritiba Mirim, no interior paulista.

 

No Brasil, mais de 90% da produção e consumo ocorrem nas regiões sudeste e sul - Crédito Pixabay

No Brasil, mais de 90% da produção e consumo ocorrem nas regiões sudeste e sul – Crédito Pixabay

Propagação

A propagação do rabanete é realizada por sementes, sendo intolerante ao transplante. O semeio é feito direto no canteiro, a uma profundidade de até 1,5cm. Normalmente, o produtor semeia uma quantidade de sementes maior que a necessária para evitar falhas no estande.

Deste modo, o gasto com sementes é alto, podendo ser de 10 a 20 kg/ha. Sendo assim, deve ser feito o desbaste quando as plantas alcançarem em torno de 05 cm de altura, permanecendo as mais vigorosas. A mão de obra treinada na semeadura pode diminuir a quantidade de sementes e, em consequência, reduzir os custos de produção.

 Lotes com sementes mais vigorosas geralmente resultam em melhor população de plantas e melhor desenvolvimento inicial. Vários autores afirmam que em espécies de ciclo curto, como é o caso do rabanete, o efeito do vigor das sementes pode ser mantido até o final do ciclo, com menos falhas no campo, maior uniformidade do produto e redução no ciclo, com vantagens aos produtores por permitir a colheita antes, com menor custo. Portanto, pode-se afirmar que a semente é o principal insumo nesta cultura.

Crédito Hazera

Crédito Hazera

Detalhes que fazem a diferença

A densidade de plantio pode interferir qualitativa e quantitativamente na produtividade. A competição pelo espaço de solo a se explorar, vai influenciar na intensidade luminosa e quantidade de água e nutrientes que a planta vai necessitar para o seu desenvolvimento. O espaçamento pode variar em função do material genético. Normalmente, recomenda-se de 15 a 20 cm entrelinhas e de 05 a 10cm entre plantas após o desbaste.

Visando a produção comercial de raízes, o rabanete é uma espécie adaptada a climas amenos, recomendando-se a semeadura de outono, inverno ou início da primavera. Em regiões de elevada altitude, pode ser plantado no verão. É tolerante ao frio e a geadas leves.

A temperatura adequada para germinação das sementes deve ser em torno de 20 a 30°C. Acima de 35ºC é prejudicial para a maioria das cultivares, e a 15°C a germinação é mais lenta e desuniforme, mas a porcentagem final de sementes germinadas não é reduzida.

Outros fatores, além da temperatura, influenciam na emergência, como o tipo de solo, teor de umidade e a profundidade da semeadura.

Preparo de solo e manejo de adubação

Para o adequado desenvolvimento, a cultura exige solos de textura leve, e no preparo deve ser consideravelmente destorroado, livre de pedras e restos de raízes. Evitar solos encharcados, e construir canteiros com 15 a 20 cm de altura, especialmente se o cultivo compreender períodos chuvosos, para evitar encharcamento na base das plantas.

É aconselhável realizar a análise de solo com três meses de antecedência, se por ventura houver necessidade de correção do pH, devendo estar em torno de 5,5 a 6,5, e a saturação por base exigida pela cultura é de 70 a 80%.

O rabanete corresponde bem à adubação orgânica, tanto pelos nutrientes proporcionados como por tornar o solo mais leve, poroso e com ótima drenagem, recomendando-se de 20 a 40 t/ha de esterco bovino curtido ou composto orgânico, sendo a maior dose para solos arenosos.

Se for esterco de galinha, utilizar 1/4 dessas quantidades. Todos devem ser bem incorporados ao solo, entre 10 e 20 dias antes da semeadura.

Por ser uma espécie de ciclo mais curto dentre as hortaliças, são recomendadas uma a duas aplicações, no máximo, de adubação de cobertura, aplicando a dose de 30 a 80 kg ha-1, iniciando aos 07 a 10 dias após a semeadura. O segundo parcelamento é compensatório se houver elevada incidência de chuvas.

Essa é parte da matéria de capa da Revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de junho de 2018. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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