Crotalária – Antagonismo no controle eficiente de fitonematoides

 

Rafael Henrique Fernandes

Engenheiro Agrônomo, mestre em Agronomia (Produção Vegetal) e doutorando em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

rafael.fernandes@ufv.br

Darlan Ferreira Borges

Engenheiro Agrônomo, mestre em Agronomia (Produção Vegetal) e doutorando em Fitotecnia pela Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

darlan.f.borges@gmail.com

Ronaldo Machado Junior

Engenheiro Agrônomo e mestrando em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

ronaldo.juniior@ufv.br

 

Crédito Claudinei Kappes

Crédito Claudinei Kappes

Os nematoides parasitas de plantas, ou fitonematoides, representam um grande problema para a agricultura mundial. Estes vermes habitantes do solo se alimentam dos fotoassimilados produzidos pelas plantas e geram enormes prejuízos na produtividade das mais diversas culturas ao redor do mundo, contribuindo para a redução na disponibilidade de alimentos para a população mundial.

No Brasil existem dezenas de espécies de fitonematoides associados a enfermidades nas principais culturas de interesse econômico. Isto equivale dizer que o ataque destas pragas é um fator que limita o teto de produção das principais culturas agrícolas do País, a exemplo da soja e do milho e, por consequência, impede um melhor desempenho do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP).

Certamente são inúmeros os fatores que influenciam a produção agrícola nacional, entretanto, o fato de os fitonematoides serem um deles justifica o incentivo ao desenvolvimento de estratégias de manejo que minimizem o seu impacto negativo.

Crédito Piraí Sementes

Crédito Piraí Sementes

Enxergue o problema

O desconhecimento da existência de fitonematoides nas áreas de cultivo agrava seriamente o problema, pois a disseminação do patógeno ocorre a partir do transporte de fragmentos de solo ou material vegetal oriundo de áreas infestadas.

Além disso, muitas vezes, mesmo depois de constatada a sua presença, não é realizado um levantamento populacional preciso (incluindo diferentes raças e misturas populacionais), às vezes por falta de laboratórios especializados neste tipo de análises ou por desinteresse do produtor. Assim, um diagnóstico preciso é de vital importância para se tratar o problema com as ferramentas certas.

Manejo

O manejo dos fitonematoides ocorre pela adoção de diversas estratégias e práticas que visam reduzir a sua população a níveis que possibilitem o desenvolvimento satisfatório da cultura, mesmo sob ataque, uma vez que, depois de diagnosticada a sua presença a erradicação do patógeno é praticamente impossível.

Resta ao produtor aprender a conviver com o problema e buscar alternativas eficientes de controle. Dentre as várias estratégias de manejo destacam-se atualmente a rotação de culturas, solarização e biofumigação do solo, o uso de mudas e sementes sadias, a aplicação de nematicidas químicos e biológicos, o tratamento de sementes, adoção de genótipos resistentes e o cultivo de plantas antagonistas.

Plantas antagonistas são aquelas que, quando cultivadas em áreas infestadas, são capazes de afetar negativamente uma população de fitonematoides, seja pela síntese de compostos nematicidas, inibição da penetração nas raízes ou impedindo o desenvolvimento do nematoide em suas raízes. Uma das plantas antagonistas mais utilizada no manejo de fitonematoides é as do gênero Crotalaria.

 

As crotalárias atuam como uma “planta armadilha” dos nematoides - Crédito Claudinei Kappes

As crotalárias atuam como uma “planta armadilha” dos nematoides – Crédito Claudinei Kappes

As crotalárias

As crotalárias atuam como uma “planta armadilha”, permitindo a penetração dos juvenis de fitonematoides em suas raízes e impedindo que se desenvolvam até a fase adulta. Mas, além disso, algumas espécies de crotalária produzem substâncias tóxicas aos nematoides (substâncias nematicidas), como por exemplo, o alcaloide monocrotalina, encontrado em maiores concentrações nas folhas da planta.

Existem mais de 350 espécies de plantas descritas no gênero Crotalaria, presentes nas mais diversas condições de clima e solo em ambos os hemisférios. No Brasil as espécies mais conhecidas são a Crotalaria spectabilis, C. breviflora, C. ochroleuca e C. juncea, utilizadas em sistemas de rotação e sucessão de culturas, com resultados expressivos no controle dos principais gêneros de fitonematoides.

Além disso, estas espécies são capazes de fixar nitrogênio atmosférico, aumentar a matéria orgânica do solo, resistir ao déficit hídrico e suas fibras macias e lignificadas podem ser usadas na indústria do papel.

Contudo, um entrave para uma maior utilização desta cultura é a dificuldade de se obter sementes de boa qualidade em algumas regiões do País.

Controle eficiente

De forma geral, os métodos de controle de nematoides são dependentes de uma série de variáveis inter-relacionadas. Com isso, a utilização de crotalárias neste sistema de manejo se torna mais uma que terá sua eficiência influenciada por diversos fatores, como por exemplo, a espécie e raça do fitonematoide presente na área, textura do solo, densidade e época de plantio, manejo do solo, irrigação, adubação, contaminação da área, etc. Por isso, a adoção de uma espécie de crotalária deve ser feita de forma criteriosa.

Considerando os quatro tipos de fitonematoides com maior ocorrência nas áreas agrícolas: o nematoide das lesões (Pratylenchus spp.), nematoide das galhas (Meloidogyne spp.), nematoide do cisto (Heterodera spp.) e o nematoide reniforme (Rotylenchulus spp.), existem diferentes opções de espécies de crotalárias para o manejo destes parasitas.

Caso o diagnóstico evidencie a presença de Pratylenchus spp., a maioria das espécies de crotalárias podem ser escolhidas, sendo a mais utilizada a C. spectabilis, mas C. ochroleuca e C. breviflora também são indicadas.

Quando o problema for o nematoide das galhas (Meloidogyne spp.), não se recomenda a utilização de C. juncea e C. ochroleuca, porque eles podem se multiplicar em grande quantidade nestas duas espécies, além do mais, C. ochroleuca também é suscetível ao nematoide de cisto da soja (Heteroderaglycines).C. spectabilis é também a mais indicada para o manejo de R. reniformis.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de outubro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *