Cresce uso de adubo de liberação lenta em limão

 

Elisamara Caldeira do Nascimento

Talita de Santana Matos

Doutoras em Agronomia – UFRRJ

Glaucio da Cruz Genuncio

Doutor e professor adjunto de Fruticultura da UFMT

glauciogenuncio@gmail.com

Crédito Shutterstock

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O limão é componente básico da brasileiríssima caipirinha, e um fruto tropical de ampla utilização. Além do uso na culinária e preparo de bebidas, ele é utilizado na produção de suco concentrado.

 A indústria de suco utiliza 40 a 50% do fruto, sendo o restante considerado resíduo industrial. Esse resíduo contém pectina, vitamina C e fibras, que o torna matéria-prima para as indústrias alimentícia, farmacêutica e de rações.

O óleo essencial da casca é produto altamente valorizado, com uso amplo na indústria farmacêutica e de refrigerantes. Atualmente também é utilizado para controle de pragas e doenças, dentre elas a mosca-minadora, tripes e mosca-branca.

 

As mudas

A utilização de mudas de boa qualidade é a base para o sucesso e longevidade do pomar, garantindo a sua produtividade, menor incidência de doenças e, consequentemente, o retorno econômico do investimento.

As mudas cítricas certificadas devem ser produzidas em sistemas protegidos e com o uso de substratos isentos de patógenos e adequados a esse sistema. O emprego de recipientes (tubetes ou citropotes) com dimensões limitadas e o longo período de permanência dessas plantas nestes recipientes deixam o sistema radicular sujeito a restrições físicas, o que torna a adubação um fator decisivo para o bom desenvolvimento destas mudas.

A utilização de substratos comerciais (compostos principalmente por materiais orgânicos e vermiculita) em substituição ao substrato convencional (composto por solo, areia e esterco) apresenta inúmeras vantagens, como melhor aeração e drenagem; adequados valores de pH e salinidade, otimizando a absorção de água e nutrientes pela raiz; baixa densidade, facilitando e aumentando o rendimento do transporte; homogeneidade do material; disponibilidade constante no mercado; melhor aproveitamento e rendimento da mão de obra, devido à praticidade no preparo e no enchimento dos recipientes e, principalmente, ausência de pragas e propágulos de doenças e plantas daninhas.

Contudo, na produção de mudas em substratos comerciais há necessidade de aplicações frequentes de nutrientes, devido, principalmente, à sua lixiviação.

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Fertilizantes de liberação lenta

Pesquisas relativas à avaliação do efeito da adubação sobre o crescimento de mudas de citros revelam que o nitrogênio, por ser exigido em quantidade elevada e influenciar nos principais processos metabólicos da planta, constitui-se em elemento crítico ao processo. Em razão da suscetibilidade a perdas, deve ser disponibilizado às plantas de forma gradual, parcelando-se as aplicações de fontes solúveis.

Uma alternativa mais prática refere-se aos fertilizantes de liberação lenta, que fornecem os nutrientes gradualmente às plantas por um período determinado; requerem menor frequência de aplicação, diminuindo os gastos com mão de obra para o parcelamento; evitam injúrias às sementes e raízes, decorrentes de aplicações excessivas, e são pouco suscetíveis a perdas, minimizando os riscos de poluição ambiental. Possibilitam, também, a distribuição mais homogênea dos nutrientes no substrato e favorecem a sincronização entre o fornecimento destes e a demanda fisiológica da planta.

O uso destes fertilizantes se torna viável para a fase de viveiros, sendo atualmente utilizado para mudas frutíferas e florestais, com resultados economicamente viáveis. Produtos de maior valor econômico justificam ainda mais o uso desta nova tecnologia.

Grupos

Com base nos processos envolvidos na liberação de nutrientes, genericamente os fertilizantes de liberação lenta são classificados em grupos: peletizados, quimicamente alterados e recobertos.

O primeiro grupo compreende compostos de baixa solubilidade, na forma de “pellets”, cuja liberação dos nutrientes depende da ação microbiana. No segundo grupo estão inclusos os fertilizantes modificados, de maneira a converter parte dos nutrientes em formas insolúveis em água, liberadas ao meio de forma gradativa.

Os fertilizantes recobertos incluem compostos solúveis envolvidos por uma membrana semipermeável que controla a liberação de nutrientes ao meio de cultivo. A este grupo pertence um dos principais fertilizantes de liberação lenta utilizados na produção de mudas de citros. O produto é constituído por grânulos que contêm uma combinação homogênea de nutrientes, recoberta por resina orgânica, que regula o fornecimento de nutrientes.

 

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