Café tem a pior infestação de broca dos últimos anos

Os prejuízos causados pela broca-do-café são a queda prematura de frutos novos broqueados, perda de peso do café beneficiado e alteração na qualidade da bebida. E em campos de produção de semente de café inviabiliza sua comercialização, já que os frutos broqueados são descartados

 

Ademilson de Oliveira Alecrim

Doutorando em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), integrante do Grupo de Estudo em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD) e do Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF)

ademilsonagronomia@gmail.com

Giovani BeluttiVoltolini

Mestrando em Agronomia (UFLA), integrante do GHPD e do NECAF

giovanibelutti77@hotmail.com

Pedro Menicucci Netto

Graduando em Agronomia (UFLA), integrante do GHPD e do NECAF

pedromenicucci2010@hotmail.com

 

Crédito Miguel Vribe

Crédito Miguel Vribe

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, representando metade de toda a área plantada com café no mundo. O Estado de Minas Gerais, que produz a metade de todo o café brasileiro, deverá ter uma produção 20,7% menor em relação à safra passada, influenciada pelo clima e pela incidência de pragas e doenças, segundo dados da Conab.

Quando falamos de pragas, a broca-do-café é considerada uma das mais agressivas ao cultivo. Por isso, é importante que o produtor faça o monitoramento e o manejo correto para evitar perdas significativas nos cafezais, não só em quantidade, mas também na qualidade do grão.

Sintomas

Esta praga ataca os frutos do cafeeiro em diferentes estádios de desenvolvimento: preferencialmente frutos verdes (chumbão), o maduro e o seco. Na fase adulta, as fêmeas perfuram os frutos, a partir da coroa, abrindo uma “galeria” até o interior da semente, formando uma câmara, na qual realizam a postura. As larvas nascidas, ao se alimentarem, vão destruir parcial ou totalmente a semente.

Frutos totalmente brocados - Crédito José Braz Matiello

Frutos totalmente brocados – Crédito José Braz Matiello

Prejuízos

Os prejuízos causados pela broca-do-café são a queda prematura de frutos novos broqueados nos estádios de chumbinho a verde aquoso e perda de peso do café beneficiado, devido a sua destruição pelas larvas.

Além disso, a qualidade do café fica prejudicada, uma vez que as porcentagens de grãos brocados e quebrados aumentam proporcionalmente com a infestação da praga, resultando num produto de tipo e valor comercial inferiores, pois, para cada cinco grãos brocados e/ou quebrados encontrados na amostra, o lote de café correspondente é penalizado com um defeito no sistema de classificação.

Outro prejuízo que a infestação pode provocar é a depreciação da bebida, pois os frutos broqueados ficam suscetíveis ao ataque de fungos como Fusarium e Penicillium, que estão relacionados à alteração da qualidade da bebida do café.

Também o ataque desta praga em campos de produção de semente de café inviabiliza sua comercialização, já que os frutos broqueados são descartados e acontecem perdas no mercado externo, pois os países importadores rejeitam o café broqueado.

Fruto perfurado pela broca-do-café - Crédito Epamig

Fruto perfurado pela broca-do-café – Crédito Epamig

Condições favoráveis para a praga

As características biológicas da broca-do-café são diretamente influenciadas pelo clima. Por isso, é muito importante saber que vários fatores climáticos podem contribuir para o aumento da população, pois criam condições favoráveis para o estabelecimento desse inseto.

Sem dúvida, um dos fatores mais importantes é a chuva, principalmente na entressafra, que aumenta a umidade, favorecendo o desenvolvimento da broca-do-café. Além da chuva, a temperatura está intimamente ligada à duração do ciclo da broca, sendo que altas temperaturas ocasionam uma redução do ciclo de vida do inseto e, consequentemente, do número de gerações, causando maiores prejuízos por ocasião da colheita do café.

O plantio em baixadas e espaçamentos adensados, os quais apresentam maior umidade, podem favorecer a infestação da broca, pela redução da luminosidade e manutenção de maior umidade no cafeeiro.

Outro ponto importante está relacionado a uma má colheita, pois a permanência dos frutos, tanto na planta como no chão, entre uma safra e outra, serve de alimento para o inseto durante o período de entressafra, dificultando cada vez mais o manejo da praga.

Além das condições propícias citadas, terrenos de exposição voltada para as faces oeste e sul e também lavouras próximas a terreiro ou cafezais abandonados proporcionam condições favoráveis para o aumento da população.

 

Grano de cafe con ataque moderado por la broca

Grano de cafe con ataque moderado por la broca

Pior infestação dos últimos tempos

Nesta safra, grande parte dos produtores têm relatado dificuldades no controle da broca-do-café, principalmente em Minas Gerais, que é responsável por quase 50% da produção nacional de café, destacando-se principalmente as regiões mais quentes, caso do Sul de Minas Gerais e Cerrado Mineiro, que tiveram alta infestação neste ano. Segundo especialistas, o Estado vem sofrendo a pior infestação dos últimos 10 anos, com danos estimados entre 5,0 e 30% dos grãos de café verde.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, o governo brasileiro já esperava uma queda de 11% na produção de café neste ano, antes mesmo de o problema com a praga surgir em território nacional. Em sua opinião, “a incidência da broca, os fatores climáticos e a fadiga das plantas, após uma colheita recorde podem causar um prejuízo enorme e, talvez, até mesmo insuportável para a cafeicultura nacional”.

A lavoura deve ter espaçamentos que permitam maior arejamento e penetração de luz - Crédito Daniel Vieira

A lavoura deve ter espaçamentos que permitam maior arejamento e penetração de luz – Crédito Daniel Vieira

Conforme Herszkowicz, “como a broca diminui o valor de venda dos grãos, se nossa produção ficar conhecida como vítima de uma infestação dessa praga, vamos ter problemas sérios de vendas, até para a exportação, diminuindo o valor do café brasileiro e reduzindo a oferta de grãos de melhor qualidade que o mercado mundial precisa e paga”, alerta o executivo.

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Grãos, edição de novembro 2017. Adquira a sua para leitura completa.

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