Revista Campo & Negócios - Ano VII - Nº 80| Revista Campo & Negócios HF - Ano V - Nº 53
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Fertilizante líquido via tratamento de sementes

 

O tratamento de sementes é a primeira etapa para o controle e prevenção efetivos das doenças nutricionais em culturas. A técnica é uma realidade para aumentar o desempenho das sementes, principalmente daquelas espécies, variedades ou híbridos, de alto potencial de rendimento..  

Nutrição completa 

Quando as quantidades necessárias de micronutrientes são pequenas, é possível suprir essa deficiência mediante a aplicação via sementes. Dessa forma, explica o engenheiro agrônomo, licenciado em Ciências e doutor em Solos e Nutrição de Plantas, Elmar Luiz Floss, há um aumento significativo dos teores desses micronutrientes nas sementes, proporcionando melhoria na germinação e crescimento vigoroso inicial das plântulas. “Quando a deficiência é muito severa, devem ser realizadas também aplicações liquidas via foliar”, acrescenta. 

Forma líquida 

O tratamento de sementes com micronutrientes deve ser realizado quando houver uma deficiência no solo. Normalmente, essa técnica é utilizada para tratamento de sementes com molibdênio, cobalto, zinco e manganês.

No Brasil, o tratamento de sementes de soja com molibdênio e cobalto é muito frequente. Em milho, aponta Floss, o principal micronutriente utilizado no tratamento de sementes é o zinco. “Isso se deve à maior exigência de zinco nessa cultura (extração média de 35 g/t de grãos produzidos), especialmente em solos arenosos ou de cerrado, que por natureza são deficientes neste nutriente”, conta.

Outro fator que reduz a disponibilidade de zinco para o milho é a aplicação excessiva de calcário em superfície no sistema de semeadura direta. Com a elevação do pH do solo, há uma redução de sua disponibilidade às culturas. Outro fator que pode induzir deficiência de zinco no milho é a aplicação excessiva de fósforo na linha de semeadura. De outro lado, quanto maior o rendimento esperado da cultura, em função do híbrido, condições ambientais e manejo utilizado, maior é a quantidade de zinco extraído pela cultura e exportado por meio dos grãos colhidos. 

Prática cultural 

Na cultura do milho e arroz, o micronutriente mais frequentemente utilizado na forma líquida, via semente, é o zinco. Mas, também há resultados positivos com a aplicação de molibdênio, na busca de altos potenciais de rendimento. Na cultura da soja, lembra o engenheiro agrônomo, os principais micronutrientes utilizados, via semente, são o molibdênio e o cobalto. 

Benefícios 

O zinco tem várias funções fisiológicas nas culturas, como influir na síntese do aminoácido triptofano, que é o precursor do mais importante hormônio de crescimento das plantas, as auxinas. Por isso, explica Floss, quando há deficiência de zinco, o milho apresenta nanismo e crescimento na forma de roseta, além de manchas claras nas folhas novas.

Também é co-fator enzimático de várias enzimas, que atuam nos mais diferentes processos fisiológicos, especialmente na fotossíntese e síntese de proteínas. Plantas com teores adequados de zinco também apresentam maior resistência a moléstias. 

Forma ideal de aplicação 

Existem várias fontes de zinco no mercado, como óxidos, sulfatos, quelatos  e fertilizantes organominerais. Na escolha, Floss recomenda que seja considerado o teor deste nutriente em cada fonte, e seu respectivo preço. “Os quelatos e organominerais liberam o zinco de forma mais lenta e apresentam menores danos às plântulas, quando a germinação ocorre sob condições de estresse hídrico. O tratamento das sementes pode ser realizado juntamente com a aplicação de inseticidas e/ou fungicidas, no retratamento das sementes de milho, inclusive com antecedência à semeadura”, pontua. 

Custo-benefício 

Na busca por altos rendimentos na cultura do milho, especialmente em solos arenosos ou de cerrado, bem como em valores de pH acima de 6,5, a deficiência de zinco pode ser um importante fator limitante.

Dentre as formas de correção dessa deficiência está a aplicação no solo (a lanço ou na linha de semeadura) e a aplicação líquida no tratamento de sementes ou via foliar. No tratamento de sementes, ressalta o agrônomo, quantidades menores aplicadas equivalem a quantidades maiores aplicadas a lanço, representando um maior economia na prática.

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