Análise da proposição do manejo florestal voltado aos objetivos da produção

Vitor Cezar Miessa Coelho

Engenheiro florestal edoutor em Manejo Florestal

vitorcoelho63@hotmail.com

Crédito Shutterstock

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O conceito do manejo florestal voltado aos objetivos da produção se baseia no diâmetro médio de aproveitamento comercial, de forma que ao realizar desbastes haja antecipadamente no escopo do planejamento o diâmetro da meta desejável, o conhecimento do tempo necessário para que o povoamento atinja tal produção e o peso do desbaste para alcançar tal objetivo.

Este conjunto de informações produz um efeito direto no planejamento da empresa florestal, já que pode prever na próxima intervenção (desbaste) qual o sortimento e a qualidade do produto que será obtido.

Uma vez pré-definido o produto, a empresa se coloca antecipadamente no mercado, gerando vantagem competitiva, como descrito por Sambiase, Franklin e Teixeira (2013) e Cerda et al. (2012), quando abordam as questões de vantagens competitivas da inovação tecnológica.

Passo a passo

No planejamento florestal, o primeiro aspecto que deve ser observado é a questão da densidade inicial no plantio. As árvores têm um espaço tridimensional para o crescimento, que no caso dos regimes de manejo usualmente adotados, nos primeiros anos é subutilizado (Hosokawa, 2013).

Análise da proposição do manejo florestal

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Figura 1: Subutilização do espaço de crescimento nos anos iniciais

Fonte: Vitor Cezar Miessa Coelho (2015)

A questão da máxima utilização do potencial produtivo do sítio na fase inicial do povoamento é ainda uma incógnita, pois os fatores de produção: energia radiante, água e nutrientes não são totalmente aproveitados pelo povoamento em função da baixa densidade inicial de plantas.

No caso de florestas nativas ocorre o contrário. Existe alta eficiência no aproveitamento do fluxo de energia, que resulta no potencial total de produção do sítio pela alta densidade inicial (Hosokawa; Moura; Cunha, 2008).

Análise da proposição do manejo florestal

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Figura 2: Densidade de plantas por classe diamétrica em floresta nativa

Fonte: Adaptado de Batista et al. (2014)

Faça as contas

A questão da subutilização do potencial máximo do sítio é de ordem econômica, uma vez que a terra é um fator de produção que teve um custo de aquisição, ou sobre a qual incorre uma taxa de juros, definida minimamente pelo custo de oportunidade.

No caso de povoamentos de pinus, somente após um ciclo na produção de cerca de sete anos é que estes fatores estariam devidamente alocados. Portanto, para o melhor aproveitamento da capacidade do sítio, e por consequência a maior rentabilidade do investimento, o ideal é viabilizar a ocupação do espaço disponível, pelo aumento da densidade inicial e intervenções precoces, sempre controlando os incrementos periódicos pós-desbastes (Hosokawa, 2013).

A figura 3 ilustra a possibilidade do aumento da densidade inicial, o que proporciona a utilização integral, a todo tempo, dos fatores de produção florestal. Esta situação demandaria estudo de novos regimes de manejo e a utilização de madeira de pequenos diâmetros nas idades iniciais do povoamento, como por exemplo: biomassa ou madeira processada em fibras.

Análise da proposição do manejo florestal

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Figura 3: Utilização do potencial do sítio

Fonte: Vitor Cezar Miessa Coelho

A máxima utilização do potencial produtivo do sítio permite, ainda, desbastes precoces, como descrito por Gonçalves et al. (2009), quando afirma que o desbaste precoce pode proporcionar um ritmo relativamente rápido de crescimento, mas constante, permitindo a formação de madeira mais uniforme, sem as variações de interrupções ao longo de seu desenvolvimento.

Os desbastes têm também a função de proporcionar rendas intermediárias, determinantes para o fluxo de caixa positivo no investimento, além de melhorar a seleção dos indivíduos remanescentes pelo maior número de opções de árvores. Este procedimento de aumentar o número de intervenções proporciona maior controle sobre os incrementos, o que não ocorre em regimes de manejo tradicionais.

Conhecimento e inovação

A indução do manejo para a produção exige inovação tecnológica no manejo florestal, e passa por uma profunda reflexão sobre a eficiência dos processos que levamao crescimento.  Hoje existe conhecimento científico do comportamento do crescimento das árvores e ferramentas suficientes para que a inovação aconteça (Hosokawa, 2013). Como citado por Dosi (2006), a inovação cria novas oportunidades de negócios, novos mercados e aumento da receita.

 Ao induzir o crescimento das árvores e, consequentemente, o manejo para os objetivos da produção, ocorre a alteração das propriedades físicas e mecânicas da madeira, podendo proporcionar significativo aumento tanto da resistência como da rigidez, considerando a compressão paralela às fibras e à flexão.

Considerando a possibilidade da produção de peças de madeira com propriedades mecânicas previamente conhecidas em função do regime de manejo adotado, e ainda tendo como base as afirmações de Dosi (2006), adaptando a realidade florestal, abre-se a possibilidade da predição dos produtos a serem colhidos numa floresta, abre-se caminho para novos processos produtivos e arranjos operacionais, além de processos produtivos pelo conhecimento prévio da quantidade, mas principalmente da qualidade ofertada de matéria-prima.

Há, ainda, novos arranjos operacionais, no dimensionamento adequado dos módulos de colheita, da logística de transporte, armazenamento e da estrutura industrial adequada para a transformação desta nova matéria-prima.

Esta estrutura industrial pode então ser planejada considerando a padronização das toras, o que permite uma alta adequação do maquinário, gerando maior produtividade e redução de custos. A relação matéria-prima – produto final fica mais clara, propiciando maior domínio das técnicas produtivas (Sambiase; Franklin; Teixeira, 2013).

O consumidor poderá ser conscientizado de que determinado produto estará à disposição para compra com as características desejadas por ele, segundo seu valor econômico e socioambiental, como identificado por Kloter (2000).

 

Essa matéria completa você encontra na edição de setembro/outubro 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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