A qualidade da madeira, a demanda do cliente e o manejo florestal

 

Vitor Cezar Miessa Coelho

Engenheiro florestal, doutor, consultor, membro do Grupo de Pesquisa Ciência e Tecnologia da Madeira e Produtos Florestais/UFPR/CNPqe professor da ULT – União Latino Americana de Tecnologia

vitorcoelho63@hotmail.com

Crédito Painel Florestal

Crédito Painel Florestal

No Brasil a produção de madeira a partir de povoamentos de pinus segue dois regimes predominantes: Pulpwood – um ciclo de produção sem desbastes com cerca de 15 anos, ou Utilitywood – um ciclo de aproximadamente 20 anos com dois a três desbastes.

Estes regimes de manejo são baseados na máxima produção biológica de madeira e/ou máxima rentabilidade financeira, situação confortável para o produtor, mas que gera uma série de problemas na indústria, pelas características heterogêneas da madeira.

Qualidade da madeira x demanda x manejo

Os povoamentos de pinus no Brasil, com poucas exceções, são manejados segundo a máxima produção biológica, em detrimento da qualidade da madeira. Ou seja, a madeira destes povoamentos apresenta sérios problemas na secagem, baixa estabilidade dimensional das peças, presença de nodosidades, baixa resistência e rigidez mecânica.

Estas características levaram a certa rejeição por parte do consumidor à madeira de pinus, considerada de baixa qualidade. Como consequência, sua destinação foi direcionada a usos menos nobres, como caixas para hortifrutigranjeiros e formas de concreto para construção civil.

Para compensar esta baixa qualidade, os processos industriais de transformação tiveram que ser aprimorados para atender minimamente a demanda por madeira, mas a altos custos, uma vez que parte das peças (madeira com nodosidade, bolsas de resina, grã reversa) são descartados ou transformados em biomassa para energia.

Apesar desta evolução tecnológica industrial, certas demandas de madeira de melhor qualidade e capacidade estrutural não foram atendidas, elevando a pressão por madeiras nobres das zonas tropicais do País.

Segundo o conhecimento científico associado a técnicas de manejo florestal, é possível melhorar significativamente a qualidade e as propriedades físico-mecânicas da madeira de pinuspor meio de tratos culturais – determinação do espaçamento inicial de plantio segundo o objetivo da produção da madeira, controle integrado da mato-competição, adubação e tratos silviculturais- programas de podas e desbastes.

Portanto, o silvicultor, por meio de métodos silviculturais e procedimentos e técnicas de manejo florestal, pode produzir madeira com menos defeitos, com maior qualidade, elemento este sempre desejado e almejado pelo consumidor final.

A homogeneidade da madeira ocorre à medida que os anéis de crescimento têm uniformidade - Crédito Shutterstock

A homogeneidade da madeira ocorre à medida que os anéis de crescimento têm uniformidade – Crédito Shutterstock

Pulpwood e Utilitywood

O regime de manejo florestal Pulpwood tem como características o plantio mais adensado, sem poda, sem desbastes e rotação relativamente curta. A madeira produzida tem densidade mais alta do que os parâmetros médios da espécie, mas de baixa qualidade para uso em serraria, só indicada para processo (produção de celulose e chapas de fibras).

No regime de manejo florestal Utilitywood, a lotação inicial é menor, pode ter programa de podas ou não, assim como podem ou não ocorrer desbastes. Havendo podas e desbastes, este regime pode ser chamado Clearwood, uma vez que parte da madeira é livre de nós.

O quadro a seguir detalha melhor as diferenças dos regimes Utilitywoode Clearwood:

Regime de manejo
Utilitywood Clearwood
Toras de grandes diâmetros Toras de grandes diâmetros
Madeira para usos diversificados Madeira para usos nobres
Sem programa de podas Com programa de podas
Madeira com nó Madeira sem nó
Defeitos na madeira causados pelo manejo florestal Qualidade da madeira provocada pelo manejo florestal
Baixa qualidade da madeira Alta qualidade a madeira
Menor valor agregado à madeira Maior valor agregado à madeira

Estratégias de produção de madeira

Somente por meio do monitoramento contínuo do crescimento das árvores – inventário florestal contínuo – é possível determinar a idade onde ocorre a máxima produtividade e produção do povoamento.

O povoamento precisa ser periodicamente mensurado e as informações obtidas, analisadas tecnicamente para a determinação do período no qual devem ser feitos os desbastes, analisados os dados dos incrementos pós-desbastes, ou seja, em que idade deve ocorrer, qual o peso (número de árvores retiradas) e o turno (qual o período de tempo entre um desbaste e outro) mais adequados para alcançar o objetivo da produção da madeira.

Cada região onde ocorre o plantio do povoamento tem características diferenciadas de geomorfologia, fertilidade do solo, condições do clima (precipitação, temperaturas médias), topografia, latitude e altitude.

Ao conjunto destas características dá-se o nome de sítio. Em cada sítio a produtividade do povoamento é diferente, sendo necessária a avaliação do crescimento, pois não é tecnicamente indicado usar o mesmo procedimento de manejo florestal em diferentes condições de sítio e esperar os mesmos resultados.

 

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